O presidente Lula fez, em seu programa semanal de rádio, uma avaliação da importância da ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento do país. Ele lembrou a importância do tema para o governo, que lançou no final de 2007, o PAC da Ciência e Tecnologia, com a previsão de investimentos no total de R$ 41 bilhões até o final desse ano. O presidente falou ainda sobre a prioridade que está sendo dada ao etanol, tanto na produção quanto na pesquisa. Lula fechou o programa falando sobre a homenagem feita aos militares mortos no Haiti.
Apresentadora: Olá ,você, em todo Brasil. Eu sou Anelise Borges e começa ,agora, o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Olá ,presidente, como vai, tudo bem?
Presidente: Tudo bem, Anelise.
Apresentadora: Presidente, nós estamos aqui nos estúdios EBC Serviços, em Brasília. O senhor está em São Bernardo do Campo, em São Paulo. O senhor dedicou uma parte da semana passada para eventos relacionados à ciência, tecnologia e inovação. Qual a importância dessas áreas para o desenvolvimento do país?
Presidente: Eu, particularmente, estou convencido que o momento é de investimento em educação e inovação tecnológica e isso vai fazer toda diferença para o crescimento e desenvolvimento do nosso país. Acredito que o Brasil está no caminho certo para se desenvolver e ganhar peso internacional no setor da inovação tecnológica. Sobretudo agora que nós estamos discutindo a questão do aquecimento global, o Brasil ,mais uma vez, sai na frente e apresenta ao mundo que é possível criar, sabe, uma matriz energética menos poluente que é o etanol, e que pode gerar muitos empregos e que pode ajudar países africanos, que pode ajudar países como o Haiti, pode ajudar outros países da América Latina, e por isso eu fiquei muito satisfeito e tudo isso está dentro da lógica da aprovação do PAC da Ciência e Tecnologia, que nós lançamos no finalzinho de 2007 colocando R$ 41 bilhões para investimento em ciência, tecnologia e inovação. Eu acho que é um momento muito importante para o Brasil e acho que esse investimento em ciência e tecnologia, em investimento em inovação tecnológica, é uma coisa extremamente importante para o nosso país.
Apresentadora: Presidente, alguns dos eventos que o senhor participou foram relacionados ao etanol. o Brasil está focado em investir em energias limpas, não?
Presidente: Anelise, pra mim foi muito importante ir a Juiz de Fora inaugurar a primeira termoelétrica a álcool feita pela Petrobras com a parceria com a GE (General Eletric). Era uma termoelétrica a gás que agora virou uma termoelétrica flex, ou seja, ela pode utilizar tanto álcool como pode utilizar gás, e isso é extremamente importante porque é uma novidade extraordinária que vai poder colocar o Brasil outra vez na ponta da produção de energia elétrica com a termoelétrica a gás. Nós temos outras tantas termoelétricas a gás que pode ser feita a conversão e isso vai facilitar com que a gente tenha mais flexibilidade para oferecer ao povo brasileiro a tranqüilidade no fornecimento de energia. E, também, eu fui a Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, que é um laboratório que vai pesquisar aquilo que não foi pesquisado na questão do etanol, sobretudo utilizar o bagaço da cana para que a gente faça etanol de segunda geração , ou seja, de tudo que a gente já faz hoje do açúcar, do álcool, ou seja, o que sobra do bagaço que hoje, muitas vezes, é queimado pra gente produzir energia elétrica. Nós vamos também tirar mais 40% de álcool nesse bagaço de cana o que vai ser uma coisa extraordinária para o desenvolvimento do Brasil. Eu estou convencido, eu estou convencido de que o Brasil está no caminho certo, que o Brasil está fazendo as coisas que todo mundo deveria fazer, os países ricos terão que seguir a trajetória do Brasil e mudar um pouco a sua matriz energética na questão de combustível, sobretudo porque todo mundo tem compromisso com o Protocolo de Kyoto, a Europa já tem o compromisso de até 2020 colocar 10% de etanol na gasolina. E eu acho que tudo isso vai permitir que a gente possa desenvolver, em parceria com os países ricos, essa nova matriz que o Brasil tem tecnologia, tem experiência, porque desde 75 que nós produzimos etanol para que o mundo seja menos poluído do que ele é hoje.
Apresentadora: Você está ouvindo Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula.
Presidente, mudando um pouco de assunto, numa cerimônia que emocionou o país foi feita uma homenagem aos militares mortos no Haiti. Esse momento é de reflexão e de solidariedade, não?
Presidente: Olha, Anelise, é muito difícil a gente deixar de se emocionar ao falar das pessoas que morreram no Haiti, tanto o povo do Haiti quanto o povo de outros países e sobretudo os brasileiros que morreram. O nosso representante da ONU, nossos soldados e a nossa Zilda Arns. Eu te confesso que poucas vezes eu fiquei emocionado como eu fiquei no velório daqueles soldados, porque eram pessoas que estavam no Haiti para prestar solidariedade, pessoas que estavam dedicando a sua vida a tentar ajudar as pessoas mais pobres, as pessoas que estavam mais deserdadas no Haiti. Por isso que eu fiquei emocionado, porque muitos daqueles jovens estavam pra voltar dentro de dois ou três dias quando aconteceu o terremoto e eles morreram. Você sabe que além da solidariedade, nós estamos mandando ao Congresso Nacional um projeto de lei garantindo a cada família R$ 500 mil de indenização e uma bolsa educação de R$ 510 para cada dependente até 24 anos. É o mínimo que a gente pode fazer pra ajudar a família dessas pessoas que estavam e estão desesperadas e pessoas que estavam defendendo e honrando a bandeira nacional.
Apresentadora: Obrigada, presidente Lula.
Presidente: Obrigado a você, Anelise, e até a próxima semana .
Apresentadora: O Café com o Presidente volta na próxima segunda-feira. Você pode acessar o programa no site www.café.ebc.com.br. Até lá.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ebc.com.br.
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Brasil tem um papel muito importante na reconstrução do Haiti, diz presidente Lula
18/01/2010
Em seu primeiro programa de 2010, o presidente Lula destacou que o Brasil possui um papel extremamente importante na reconstrução do Haiti. O mundo está mobilizado em auxiliar as pessoas que estão precisando de ajuda, mas destaca que isto precisa ocorrer de uma forma mais rápida. O presidente Lula também abordou a sua visita para o lançamento da pedra fundamental e o início das obras da Refinaria Premium I da Petrobrás, na cidade de Bacabeira, no Maranhão.
Apresentadora: Olá, você, em todo o Brasil. Eu sou Anelise Borges e estou aqui substituindo o apresentador Luciano Seixas. Começa, agora, o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Olá, presidente, como vai? Tudo bem?
Presidente: Tudo bem, Anelise.
Apresentadora: Presidente, a tragédia ocorrida no Haiti deixou o mundo abalado. Uma onda de solidariedade se formou para ajudar o país. Qual o papel do Brasil nesse movimento?
Presidente: Olha, o Brasil tem um papel muito importante no Haiti porque o Brasil, na verdade, é o país que coordena as forças militares que dão segurança ao Haiti há cinco anos, já. Nós coordenamos a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti) e, portanto, o Brasil tem um papel relevante, os soldados brasileiros tiveram um papel muito importante durante o terremoto e, lamentavelmente, nós tivemos a morte de soldados brasileiros, do representante do Brasil na ONU (Luiz Carlos da Costa) e da dona Zilda Arns (fundadora da Pastoral da Criança), ou seja, foi uma situação muito difícil, porque não tinham os instrumentos necessários para que a gente pudesse remover os destroços e salvar pessoas com vida, que foi a primeira preocupação. Nós imediatamente mandamos alimentos, mandamos aviões com bombeiros, com cães farejadores, médicos. A semana passada foi montado o hospital de campanha das Forças Armadas para atender às pessoas. E o mundo todo está sensibilizado. Agora, é preciso transformar essa sensibilidade em ajuda concreta, em dinheiro para que a gente possa reconstruir o Haiti. O Brasil está já há vários anos reivindicando dinheiro dos países doadores, porque é preciso que a gente resolva o problema do Haiti com mais rapidez, e eu espero que, em função desse terremoto e da catástrofe acontecida no Haiti, com milhares de mortos ainda não avaliados, porque não sabemos quantos realmente morreram, eu espero que o mundo inteiro resolva colocar dinheiro, para que a gente reconstrua o Haiti e que a gente possa dar uma qualidade de vida digna àquele povo, que foi o primeiro povo do nosso continente a conquistar a sua independência.
Apresentadora: Como é que está essa mobilização, presidente, do mundo em relação ao Haiti?
Presidente: Olha, o mundo inteiro está mobilizado. O secretário-geral da ONU (Ban Ki-Moon) foi lá. Essa semana o presidente Obama (Barack Obama) teve uma reunião com o ex-presidente Bush (George Bush), com o ex-presidente Clinton (Bill Clinton), para cuidar do Haiti. Aqui, no Brasil, nós temos um comitê de crise, coordenado pelo general Félix (Jorge Félix), que é o chefe do Gabinete Institucional. Eu acho que os europeus estão ajudando e vão ajudar mais. Acho que os países da América Latina vão ajudar e, sobretudo, os países mais ricos têm que colocar mais dinheiro. Ou seja, o momento agora, é de colocar a mão no bolso e ajudar. O Brasil já colocou US$ 15 milhões de dólares à disposição do Haiti e nós achamos que têm países que podem dar mais. O Banco Mundial já colocou US$ 100 milhões de dólares, também. Agora, tudo isso é preciso ter uma coordenação para que esse dinheiro chegue para quem precisa e que esse dinheiro possa servir para reconstruir o Haiti. Agora, a prioridade um é a gente cuidar da água e da alimentação do povo do Haiti. E vamos tentar pedir alimentos, de acordo com as necessidades do povo do Haiti. O que não pode acontecer é a gente ficar recolhendo coisas que depois nem os próprios haitianos precisam.
Apresentadora: Presidente, mudando de assunto, na semana passada o senhor esteve no município de Bacabeira, no Maranhão, lançou a pedra fundamental e deu início às obras da refinaria Premium I, da Petrobras. Podemos dizer que esse é mais um passo para a política de desenvolvimento regional?
Presidente: Olha, nós poderíamos dizer que é a grande revolução industrial que vai acontecer no estado do Maranhão. É importante saber que a última refinaria feita pela Petrobras foi nos anos 80. Portanto, há 30 anos a Petrobras não fazia uma refinaria. E nós agora tomamos a decisão de fazer a refinaria Premium, do Maranhão, com investimento de R$ 40 bilhões de reais. Esse empreendimento vai funcionar a primeira parte em 2013, a segunda parte em 2015. Até 2013 nós vamos começar a refinar 300 mil barris/dia e até 2015 vamos terminar refinando 600 mil barris/dia. Estamos trabalhando para fazermos a refinaria de 300 mil barris/dia também no estado do Ceará. Tem a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e tem a refinaria também no Rio Grande do Norte. Ou seja, então, só para você ter ideia do que significa esse investimento no Maranhão, diretamente no pico da obra nós vamos ter 26 mil trabalhadores e, entre diretos e indiretos, nós poderemos chegar a 130 mil trabalhadores. Nós vamos priorizar a formação de mão de obra na região, isso foi muito discutido lá, porque é a chance que a gente tem de desenvolver os estados mais pobres do Brasil. Atrás de uma refinaria dessa, vai ter outras fábricas, vai ter hotel, vai ter universidades, vai ter escola técnica, vai ter muita formação profissional, e vai ter restaurante. Portanto, eu acho que é um desenvolvimento extraordinário. Eu acho que essa é uma política de desenvolvimento regional que não tem mais volta. Ou seja, o Brasil aprendeu que não adianta você ter um, dois, três, quatro estados muito ricos e o restante pobre. É preciso que a gente tenha uma distribuição das possibilidades de investimentos em todo o território nacional, para que o Brasil cresça de forma mais igualitária, mais justa e mais solidária.
Apresentadora: Obrigada, presidente Lula.
Presidente: Obrigado a você, Anelise, e até a próxima segunda-feira.
Apresentadora: O programa Café com o Presidente volta na próxima segunda-feira. Você pode acessar o programa no site www.cafe.ebc.com.br. Até lá.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ebc.com.br.