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A participação de Emir Sader em reunião com a direção da CUT

“Em primeiro lugar, é preciso quebrar a espinha dorsal da hegemonia do capital financeiro, em sua modalidade especulativa. Segundo, é preciso quebrar a hegemonia da mídia privada, pois é ela quem pauta o debate nacional, quem julga as iniciativas do governo, quem criminaliza os movimentos sociais. Terceiro, é preciso lutar contra a precarização do mundo do trabalho”.
A afirmação, do professor e sociólogo Emir Sader, foi feita durante reunião com a executiva nacional da CUT, quinta-feira (3), em São Paulo, onde sublinhou que a luta ideológica adquire cada vez mais papel central na atual conjuntura.
Segundo Emir, este é um período em que as forças dos movimentos sociais devem estar direcionadas para impedir o retrocesso e a volta dos neoliberais, mas ao mesmo tempo acumularem para a ruptura com a lógica excludente dos juros altos e do elevado superávit primário. “Precisamos de uma política de emprego. Temos de garantir que os recursos públicos, isto é, do povo, arrecadados da renda do trabalhador, do cidadão, sejam dirigidos para gerar emprego e renda. A luta é esta: prioridade econômica para o sistema financeiro ou para o social”, frisou.
LULA PRESIDENTE – Ressaltando a importância da reeleição de Lula, “não apenas para o Brasil, como para toda a América Latina, diante dos avanços que obtivemos e do desastre que representaria a volta da direita”, Emir Sader ressaltou o papel da mobilização da sociedade, “para que o segundo mandato não represente apenas uma contenção dos neoliberais e privatistas, mas um avanço significativo na integração solidária e soberana”. Para isso, destacou é preciso que construamos pontes com os movimentos sociais, onde a CUT tem papel fundamental para colocar suas reivindicações e mobilizar a população, dando respaldo a ações mais ousadas do governo.
“A ditadura do Palocci e do Meirelles com sua política financeira inviabilizava qualquer perspectiva de desenvolvimento social. Na lógica financista, o que sobrava do contingenciamento ia para o social, mantendo-se os juros reais mais altos do mundo e elevando-se a carga tributária para 36%. E para onde vão estes monumentais recursos? Para pagar juros da dívida. Então é preciso redirecionar os impostos, que não podem mais continuar sendo um instrumento de financeirização, de transferência de recursos do setor produtivo para os especuladores”, denunciou o professor, para quem “é injustificável a manutenção desta política econômica”.
O professor lembrou a importância de uma correta avaliação sobre a correlação de forças internacional, onde o exemplo do Líbano é ilustrativo, pois Israel e os EUA estão agindo em afronta à lei e à Humanidade por haver uma coesão da ultradireita com Bush. A forma covarde com que o governo norte-americano atua, frisou, expõe mais do que a força do seu aparato bélico, desnuda a sua fragilidade, aprofundando o seu isolamento e a sua instabilidade político-militar.
CONTRAPONTO – Enquanto isso, lembrou, a América Latina vive hoje um processo de integração regional único, que se dá como resposta ao enfraquecimento provocado pelas políticas neoliberais que arrasaram o Continente. “Uma resposta à regressão político, estratégica, econômica e social dos nossos países e povos, que sofreram com crescentes e sucessivas crises”.
Com a vitória de governos nacionalistas e progressistas (Lula, Chavez, Evo, Kirchner e Tabaré), a América Latina é a única região do mundo onde há uma articulação por uma integração mais social. Assim, Cuba, Venezuela e Bolívia se unem na Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) e agora, o próprio Mercosul, com a entrada da Venezuela, retoma sua dinâmica integracionista.
DERROTA DA ALCA – De acordo com Emir Sader, “a verdadeira linha divisória é a existente entre os que alinham-se favoravelmente aos Tratados de Livre Comércio (TLCs) com os EUA e os que lutam pela integração”. Recentemente, o presidente do Equador se opôs à Alca pois esta não admitia nem a possibilidade dos países produzirem medicamento genérico, pois por tal “acordo”, seu país ficaria eternamente dependente das multinacionais norte-americanas e suas patentes, lembrou o professor, destacando que neste momento, “soma-se à falência do modelo neoliberal, a incompetência e o isolacionismo do governo norte-americano, que contribuem para elevar a consciência social sobre o perigoso descaminho imperialista”.
IMPÉRIO EM CRISE – Se economicamente os EUA (Império) estão economicamente mais débeis, a oposição do ponto de vista ideológico ainda é embrionária, fundamentalmente pela inexistência de um contraponto de peso, como na época do campo socialista. Assim, num mundo onde tudo é consumo, onde o cidadão é tratado como mero consumidor, onde as expectativas e ambições são moldadas pelo marketing, pela marca, “precisamos formular alternativas de valores, para a grande maioria, para os pobres, desvalidos e subproletários do Brasil, que são jovens e encontram-se hoje nas periferias das sete grandes metrópoles”. Para Emir, é necessário formular alternativas de valores para que saiam do consumismo – onde assaltam para consumir tênis Nike – ou da alienação, enterrando suas vidas no tráfico e no uso de drogas.
Diante dos desafios colocados, avaliou, movimentos como o Fórum Social Mundial, por exemplo, têm de sair da pauta defensiva e partir para a ofensiva, deixando o lugar-comum do “pensa globalmente e age localmente”, que é mais um papo para a defesa do mico-leão dourado do que postura de quem quer realmente lutar para mudar o atual sistema.
Para que as forças sociais possam enfrentar os desafios colocados em melhores condições, acrescentou o professor, torna-se imprescindível a luta contra o monopólio privado da mídia, “um espaço estratégico para a disputa hegemônica”.
Por Leonardo Wexell Severo – leonardo@cut.org.br.
Publicada em: 04/08/2006 às 15:43 Seção: Todas as Notícias.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

Por 22:54 Sem categoria

A participação de Emir Sader em reunião com a direção da CUT

“Em primeiro lugar, é preciso quebrar a espinha dorsal da hegemonia do capital financeiro, em sua modalidade especulativa. Segundo, é preciso quebrar a hegemonia da mídia privada, pois é ela quem pauta o debate nacional, quem julga as iniciativas do governo, quem criminaliza os movimentos sociais. Terceiro, é preciso lutar contra a precarização do mundo do trabalho”.

A afirmação, do professor e sociólogo Emir Sader, foi feita durante reunião com a executiva nacional da CUT, quinta-feira (3), em São Paulo, onde sublinhou que a luta ideológica adquire cada vez mais papel central na atual conjuntura.

Segundo Emir, este é um período em que as forças dos movimentos sociais devem estar direcionadas para impedir o retrocesso e a volta dos neoliberais, mas ao mesmo tempo acumularem para a ruptura com a lógica excludente dos juros altos e do elevado superávit primário. “Precisamos de uma política de emprego. Temos de garantir que os recursos públicos, isto é, do povo, arrecadados da renda do trabalhador, do cidadão, sejam dirigidos para gerar emprego e renda. A luta é esta: prioridade econômica para o sistema financeiro ou para o social”, frisou.

LULA PRESIDENTE – Ressaltando a importância da reeleição de Lula, “não apenas para o Brasil, como para toda a América Latina, diante dos avanços que obtivemos e do desastre que representaria a volta da direita”, Emir Sader ressaltou o papel da mobilização da sociedade, “para que o segundo mandato não represente apenas uma contenção dos neoliberais e privatistas, mas um avanço significativo na integração solidária e soberana”. Para isso, destacou é preciso que construamos pontes com os movimentos sociais, onde a CUT tem papel fundamental para colocar suas reivindicações e mobilizar a população, dando respaldo a ações mais ousadas do governo.

“A ditadura do Palocci e do Meirelles com sua política financeira inviabilizava qualquer perspectiva de desenvolvimento social. Na lógica financista, o que sobrava do contingenciamento ia para o social, mantendo-se os juros reais mais altos do mundo e elevando-se a carga tributária para 36%. E para onde vão estes monumentais recursos? Para pagar juros da dívida. Então é preciso redirecionar os impostos, que não podem mais continuar sendo um instrumento de financeirização, de transferência de recursos do setor produtivo para os especuladores”, denunciou o professor, para quem “é injustificável a manutenção desta política econômica”.

O professor lembrou a importância de uma correta avaliação sobre a correlação de forças internacional, onde o exemplo do Líbano é ilustrativo, pois Israel e os EUA estão agindo em afronta à lei e à Humanidade por haver uma coesão da ultradireita com Bush. A forma covarde com que o governo norte-americano atua, frisou, expõe mais do que a força do seu aparato bélico, desnuda a sua fragilidade, aprofundando o seu isolamento e a sua instabilidade político-militar.

CONTRAPONTO – Enquanto isso, lembrou, a América Latina vive hoje um processo de integração regional único, que se dá como resposta ao enfraquecimento provocado pelas políticas neoliberais que arrasaram o Continente. “Uma resposta à regressão político, estratégica, econômica e social dos nossos países e povos, que sofreram com crescentes e sucessivas crises”.

Com a vitória de governos nacionalistas e progressistas (Lula, Chavez, Evo, Kirchner e Tabaré), a América Latina é a única região do mundo onde há uma articulação por uma integração mais social. Assim, Cuba, Venezuela e Bolívia se unem na Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) e agora, o próprio Mercosul, com a entrada da Venezuela, retoma sua dinâmica integracionista.

DERROTA DA ALCA – De acordo com Emir Sader, “a verdadeira linha divisória é a existente entre os que alinham-se favoravelmente aos Tratados de Livre Comércio (TLCs) com os EUA e os que lutam pela integração”. Recentemente, o presidente do Equador se opôs à Alca pois esta não admitia nem a possibilidade dos países produzirem medicamento genérico, pois por tal “acordo”, seu país ficaria eternamente dependente das multinacionais norte-americanas e suas patentes, lembrou o professor, destacando que neste momento, “soma-se à falência do modelo neoliberal, a incompetência e o isolacionismo do governo norte-americano, que contribuem para elevar a consciência social sobre o perigoso descaminho imperialista”.

IMPÉRIO EM CRISE – Se economicamente os EUA (Império) estão economicamente mais débeis, a oposição do ponto de vista ideológico ainda é embrionária, fundamentalmente pela inexistência de um contraponto de peso, como na época do campo socialista. Assim, num mundo onde tudo é consumo, onde o cidadão é tratado como mero consumidor, onde as expectativas e ambições são moldadas pelo marketing, pela marca, “precisamos formular alternativas de valores, para a grande maioria, para os pobres, desvalidos e subproletários do Brasil, que são jovens e encontram-se hoje nas periferias das sete grandes metrópoles”. Para Emir, é necessário formular alternativas de valores para que saiam do consumismo – onde assaltam para consumir tênis Nike – ou da alienação, enterrando suas vidas no tráfico e no uso de drogas.

Diante dos desafios colocados, avaliou, movimentos como o Fórum Social Mundial, por exemplo, têm de sair da pauta defensiva e partir para a ofensiva, deixando o lugar-comum do “pensa globalmente e age localmente”, que é mais um papo para a defesa do mico-leão dourado do que postura de quem quer realmente lutar para mudar o atual sistema.

Para que as forças sociais possam enfrentar os desafios colocados em melhores condições, acrescentou o professor, torna-se imprescindível a luta contra o monopólio privado da mídia, “um espaço estratégico para a disputa hegemônica”.

Por Leonardo Wexell Severo – leonardo@cut.org.br.

Publicada em: 04/08/2006 às 15:43 Seção: Todas as Notícias.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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