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Ao final, Fórum das Américas convoca povos à luta pela soberania

No último domingo (15), durante o encerramento do 4º Fórum Social das Américas (FSA), os movimentos, organizações e redes sociais latino-americanos foram convocados a redobrar a luta pela soberania dos povos. O ato de encerramento reuniu os presidentes Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai) e José Mujica (Uruguai), que aproveitaram a ocasião para discutir a reativação de um bloco energético entre os três países. Cerca de 10 mil participantes estiveram no Fórum, realizado em Assunção, no Paraguai. A delegação do Paraná contou com a participação de 38 pessoas, entre eles educadores ligados à APP-Sindicato, militantes da Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR) e da Marcha Mundial de Mulheres (MMM).

No final do evento, estes governantes e os movimentos sociais e organizações presentes mostraram que a construção de uma América Latina soberana não só é possível como já está se tornando realidade. A gestão de Lugo à frente do governo do Paraguai completou dois anos ontem. Na Bolívia, o presidente Evo Morales foi reeleito para um mandato de mais cinco anos e, no Uruguai, foi eleito a presidente o ex-guerrilheiro do grupo MNL-Tupamaros, que ficou preso durante 14 anos.

Nestes quatro dias de atividades, milhares de pessoas estiveram reunidas para acelerar a tarefa que iniciaram no Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, em 2001: romper definitivamente com o processo político ocidental, sobretudo do imperialismo, que tenta se impor ao mundo uma civilização desprovida de valores humanos, uma cultura agressiva. No entanto, camponeses, mulheres, afrodescendentes, ambientalistas e, entre outros, indígenas, reafirmaram que uma outra America Latina é possível, que um continente com novos modos de viver é possível e está sendo construído.

A integração dos povos não poderá se perder mesmo diante da ofensiva norte-americana. A instalação de bases militares na America do Sul não será mais forte que os laços criados pela luta unificada de todos os latino-americanos, tampouco tem o poder de destruir algumas conquistas obtidas por meio dos governos populares. Para tanto, a integração é urgente, como declarou o secretário de imprensa do núcleo sindical da APP- Sindicato em Francisco Beltrão, Valtenor Hang.

“Ao participar de vários espaços de discussões e proposições durante este evento, uma das “conclusões” a que se chega é a da necessária e urgente integração dos países latino-americanos. Esta deve ser em razão de um projeto sócio-político e econômico que possa – respeitando as identidades e a diversidade cultural específica de cada país – elevar os povos a uma condição mais digna de vida”, defendeu Valtenor.

:: Direito à comunicação

A luta pela democratização das mídias e da garantia do direito humano à comunicação reuniu milhares de pessoas em dezenas de atividades sobre o assunto. O FSA mostrou que todos aqueles que lutam pela democracia devem estar junto com os movimentos defensores de uma comunicação mais ética e com a pluralidade de discursos de todos os setores sociais e de todos os povos.

No entanto, além de se comunicar é preciso ressignificar os códigos dessa comunicação; é preciso resgatar as contribuições dos indígenas e afrodescendentes. “Ficou evidente a importância de considerarmos as contribuições dos povos originários e andinos que, através de sua cultura de respeito e promoção da vida, dentro do contexto do mundo contemporâneo em crise, nos indicam alternativas de uma outra dinâmica econômica, ideológica e política como possibilidades de construção de um “outro” mundo”, declarou.

Para Valtenor, o modelo ocidental, baseado em relações de exploração tanto do homem quanto da natureza, ou seja, destruidor da vida, precisa ser superado por outro. Segundo ele, este deve ser caracterizado pela solidariedade, pelo respeito à mãe terra, a “la pachamama”, e, ainda, pela dinamização de princípios milenares inerentes aos povos andinos”, concluiu.

:: Assembleia

Na declaração final, a assembleia dos movimentos sociais alertou sobre a articulação acelerada da direita para tentar frear qualquer processo de mudança na América Latina; denunciou a legitimidade do presidente de Honduras, Porfírio Lobo, e expressou sua solidariedade com o povo do Haiti. Ainda durante o Fórum, Lugo, Mujica e Morales fecharam posição sobre a necessidade de se avançar na integração física e energética no continente e fixaram um novo encontro, em Montevidéu, que terá como prioridade o debate sobre o gás e a eletricidade.

As três nações integram o bloco Urupabol, que nasceu em 1963, mas que nunca chegou a se desenvolver e somente no ano passado foi reativado. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paraguai, Hector Lacognata, disse que a conversa foi “muito promissora no sentido de avançar em relação a questões de interesse dos três países”. Lacognata afirmou que a partir de uma série de estudos, elaborados pelo Ministério de Minas e Energia, deverá ser construído um gasoduto ligando o Paraguai ao Uruguai.

Segundo ele, o Uruoabol “permitirá que a comunidade discuta os interesses desses três países, passando a constituir acordos estratégicos que nos permitam avançar em outros campos”, afirmou Lacognata. Mas, “acreditamos que já houve um grande avanço hoje no renascimento do bloco”.

Fonte: Imprensa APP-Sindicato.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cutpr.org.br.

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