Encontro nacional do coletivo de mulheres da CUT
O encontro nacional do coletivo de mulheres da CUT começou nesta quarta-feira (18), na região central de São Paulo, com uma dinâmica de grupo em que trabalhadoras de 21 estados indicavam uma palavra que lhes definisse a personalidade: não por acaso, persistente foi o termo mais presente.
Para resgatar o histórico de persistência, a socióloga Tatau Godinho falou sobre os 100 anos da declaração do Dia Internacional das Mulheres. Durante a intervenção, ela destacou o início do movimento feminista a partir do século 19, resultado da herança da Revolução Francesa que colocou no centro do debate político a ideia de igualdade.
Ela lembrou que o movimento norteou os princípios de que não há fundamento biológico na desigualdade, de que os seres humanos decidem sua história a partir de si mesmos e não a partir de Deus ou da Igreja e de que organização do poder acontece a partir da organização social.
Direito de decidir
A partir de 1870, destacou, ocorreu a chamada primeira onda feminista, ocasião em que o debate era basicamente por direito ao trabalho, à educação e ao voto. A mobilização pela escolha dos representantes ganhou força especialmente a partir do início do século 20, quando a Segunda Conferência de Mulheres Socialistas, em 1910, culminou com a decisão de definir um dia internacional em que as socialistas lutariam pelo direito ao voto.
Até então, ainda não havia o apontamento de uma celebração mundial. Foi em 23 de fevereiro de 1917 – no antigo calendário ortodoxo russo, equivale ao 8 de março ocidental –, quando trabalhadoras têxteis resolveram entrar em greve e saíram às ruas, unindo forças com esposas dos soldados que estavam na 1ª Guerra Mundial e com as companheiras que comemoravam o Dia Internacional das Mulheres na Rússia, que a data passou a ser celebrada em todo o mundo. Portanto, a definição não está atrelada a um incêndio numa fábrica de tecidos em Nova Iorque, no ano de 1911, conforme costuma se contar.
Queda e ascensão – Para Tatau, a celebração foi perdendo força em organização e conteúdo ao longo das décadas. “A data que trazia reivindicações de independência e autonomia foi se transformando em uma mobilização oficial no mau sentido.”
Na década de 1970, com o início da segunda onda feminista, o 8 de março volta a ser destacado, porém, inicialmente rompia com a história das socialistas. “Coube às mulheres dos partidos de esquerda e do socialismo vincular novamente a data à luta”, disse.
Aborto e quebra de verdades absolutas
Questionada pelas trabalhadoras sobre a questão do aborto, a socióloga voltou a ressaltar que a mulher enfrenta o paradigma de que para ser inteira é preciso ser mãe. “O aborto envolve um problema sério para a sociedade: ao afirmar que queremos ter o direito de decidir sobre o aborto, deixamos escancaradas que queremos ter autonomia sobre nosso corpo e nos igualamos no controle de nossa sexualidade, além de enfrentarmos as imposições religiosas. Ser mãe é uma escolha de vida das mulheres, não uma marca de respeitabilidade política”
Tatau Godinho também falou sobre a educação dos filhos e o posicionamento como cidadã. “É difícil transmitir a cultura da igualdade, brigar o tempo todo com a família, com o companheiro, mas precisamos continuar negociando para transmitir a criação da resistência. Precisamos tentar desde jovens fazer com que entendam que a desigualdade continua existindo, mas sem repressão. A primeira tarefa é fazer com que os filhos tenham orgulho da mãe militante porque aí criaremos novos modelos de dirigentes”, acredita.
Por Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br).
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Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres
“O que marcou foi a solidariedade”, diz dirigente da CUT em lançamento de vídeo sobre mobilização; encontro do coletivo de mulheres continua nestas quarta e quinta-feiras
“Feminismo quando?”, pergunta uma mulher. “Já”, respondem em uma só voz muitas outras que estão junto dela.
Uma das primeiras cenas do documentário sobre a 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres, exibido durante a abertura do encontro do coletivo nacional de mulheres da CUT, na noite dessa segunda-feira (16), em São Paulo, personifica o sentimento presente na mobilização organizada entre os dias 8 e 18 de março deste ano.
Durante 10 dias, cerca de duas manifestantes de diversas etnias, raças, idades e de todos os estados do país partiram de Campinas, interior de São Paulo, e percorreram mais de 100 quilômetros para defender a autonomia econômica das mulheres, o acesso a bens comuns e serviços públicos, a paz e a desmilitarização e o fim da violência contra elas.
Iria, se não tivesse que fazer o almoço – O filme dirigido por Aline Sasahara e que pode ser adquirido pelo e-mail marchamulheres@sof.org.brEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , emociona ao resgatar a construção coletiva de uma marcha que apontou denúncias, expôs reivindicações, dialogou com as comunidades por onde passou, sem jamais perder a paixão na luta contra o preconceito e a desigualdade. Mesmo diante do cansaço e da dor nos pés onipresente até a chegada à capital paulista, conforme retrata o material.
Em um das cenas, uma senhora observa a passeata e diz achar tudo muito bonito. Ao ser questionada se gostaria de seguir junto, é enfática: “olha, se eu pudesse iria, mas não vou porque tenho que fazer almoço para o meu marido.” Nada melhor para representar o encontro entre a batalha feminista e a realidade ainda vigente.
União e resistência – Presente na caminhada e responsável pela organização do lançamento do filme, a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, acredita que um dos pontos mais importantes da marcha foi a relação com as pessoas das cidades visitadas pelas manifestantes. “Ficaram muitas sementes plantadas, a receptividade de população foi ótima, em muitos lugares éramos aplaudidas quando chegávamos e falávamos da nossa plataforma”, diz.
Para a dirigente, a lembrança mais marcante foi a presença constante da solidariedade. “Tínhamos trabalhadoras rurais, urbanas, brancas, negras, jovens, velhas, de diversas realidades, mas mesmo com essa diversidade, em cada momento de dificuldade havia uma mulher para para ajudar e dar apoio”, recorda.
Trabalhadoras e a direção da CUT
Apesar da maior escolaridade em relação aos homens e de ser maioria no mercado de trabalho – além de representarem 40% dos sindicalizados no país –, as mulheres ainda são minoria nos cargos de chefia e na direção da Central Única dos Trabalhadores.
Rosane avalia que ocorrem melhorias a cada plenária e a cada congresso. O primeiro exemplo citado por ela foi a aprovação da políticas de cotas no interior da CUT– destinando o mínimo de 30% dos cargos de direção às trabalhadoras, em 1993. O outro foi a inclusão dessa conquista no estatuto da central, em 2009, fazendo com que a política de cotas passasse a ser obrigatória nas entidades filiadas.
Porém, destaca, os desafios pela busca da igualdade ainda são muitos e serão discutidos nos próximos dias de reunião do coletivo, especialmente a necessidade de uma legislação que garanta igualdade salarial e de ascensão entre homens e mulheres no interior da empresa,e a construção de políticas públicas para o compartilhamento das responsabilidade familiares.
Confira a programação:
Reunião do coletivo nacional de mulheres da SNMT
Hotel São Paulo Inn – Largo Santa Efigênia, 44 – Centro – SP
18 de agosto
9h30
Abertura
10h – 11h
Formação “Cem anos do Dia Internacional das Mulheres”
11h – 13h
Debate
13h – 14h30h
Almoço
14h30h – 16H45
3ª Ação Internacional da MMM – avaliação e desdobramentos
16h45 – 17h
Intervalo
17h – 19h
Informes:
Núcleo de Reflexão Feminista
Frente pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do aborto
GT Especialistas
GT SPM
CCSCS
156 OIT
Projetos da SNMT
Atualização do calendário de mobilização
19h
Encerramento
19 de agosto
9h30 – 11h30
Apresentação do Planejamento Estratégico da CUT
11h30h – 13h
Planejamento Coletivo Nacional de Mulheres
13h – 14h30h
Almoço
14h30 – 16h30
Planejamento Coletivo Nacional de Mulheres
16h30 – 16h45
Intervalo
16h45 – 19h
Planejamento Coletivo Nacional de Mulheres
19h
Encerramento
Por Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br).
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Reunião do Coletivo de Mulheres da CUT
Após 3a Ação Internacional, Marcha Mundial de Mulheres defende formação das trabalhadoras para combater a desigualdade
Na tarde desta quarta-feira (18), Sônia Coelho, da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), deu prosseguimento ao primeiro dia da reunião do Coletivo de Trabalhadoras da CUT. Em sua participação, ela falou sobre os temas tratados no seminário de avaliação da 3a Ação Internacional da entidade, manifestação que aconteceu entre os dias 8 e 18 de março e que reuniu entidades dos movimentos sociais como a CUT.
Ela falou sobre o processo de organização e comentou que em muitos momentos foi preciso endurecer nas negociações com órgãos do poder público e com governos conservadores que tentaram frear a mobilização. “Em algumas cidades, o prefeito mandava dizer que a marcha não iria passar e foi preciso dialogar com os setores sindical, popular e partidos políticos para deixar claro que iríamos seguir e que as mulheres organizadas é que tomavam a decisão.”
Para Sônia, o principal resultado da ação foi o fortalecimento do feminismo no Brasil. “Acreditamos que nossa atividade ajudará a construir uma correlação de forças mais favorável para disputar espaços de poder e discutir o projeto que queremos para o Brasil.”
Segundo ela, o próximo passo é debater a retomada dos temas dentro do eixo da marcha. “Nossas prioridades são a luta por creche, que está dentro do eixo da autonomia econômica, a paz e a desmilitarização e a luta contra a violência sexista”, afirmou.
A representante da MMM também indicou a necessidade de discutir a sexualidade e apontou o que classificou como estranhamento em relação às lésbicas durante a caminhada. “Não houve resposta violenta, mas sim a reação de pessoas que também são oprimidas. Houve até quem quisesse realizar um ato de repúdio ao que classificavam como lesbofobia, mas lá dissemos que tínhamos um processo de informação, discussão e conscientização, não de repressão”, explicou.
Ao comentar a importância dos debates e oficinas que ocorriam no período da tarde em todos os municípios pelos quais passou a marcha, a militante ressaltou a urgência de preparar as mulheres para enfrentar o preconceito por meio da formação. “Cada vez mais precisamos realizar atividades de base para que possamos reverter essa situação.”
O encontro do coletivo das mulheres cutistas termina nesta quinta (19).
Por Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br).
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