Um ato público com a participação de centenas de dirigentes sindicais, federações cutistas e representantes das comissões de empregados nos bancos públicos marcou, na manhã de hoje, a arrancada dos trabalhadores bancários rumo a novas conquistas para a categoria. A manifestação foi realizada em frente ao edifício-sede da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil em Brasília e contou com a presença de representantes do Paraná.
Ainda na manhã de hoje foi encaminhada a minuta de reivindicações específicas dos trabalhadores nos bancos públicos nacionais, definidas no encerramento da 9a Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, realizada no final de julho, em São Paulo.
Trabalhadores na Caixa buscam Plano de Cargos e Salários
Às 10h, na Caixa Econômica Federal, representantes da Comissão Executiva de Empregados e da Contraf-CUT levaram a conhecimento da administração do banco as seguintes reivindicações: criação de um novo Plano de Cargos e Salários que contemple todos os bancários da Caixa, contratação de mais trabalhadores, solução para os problemas do Saúde Caixa, as questões de saúde e condições de trabalho (incluindo o problema do assédio moral e da violência organizacional) e a extensão do auxílio e da cesta-alimentação para todos os aposentados.
O representante da Comissão Executiva de Empregados da Caixa Econômica Federal no Paraná, Antonio Fermino esteve presente no evento e conta que a expectativa de avanços nas negociações é unânime entre os trabalhadores nos bancos públicos e, de maneira especial, na Caixa: “Nossa meta é sair desta campanha com um legítimo Plano de Cargos e Salários para que possamos iniciar o debate sobre a questão da isonomia, corrigindo distorções do plano vigente e adequando as duas situações que ora se contrastam; os contratados antes de 98, que têm defasagem em alguns pontos e os contratados depois de 98, que não possuem perspectiva de carreira na instituição”.
A opinião de Fermino é compartilhada por Zelário Bremm, diretor do Sindicato dos Bancários de Toledo e região e trabalhador bancário na Caixa desde a década de 70. Segundo Zelário, a bandeira da isonomia é permanente e constitui-se no principal eixo de campanha dos bancários na Caixa. “Os bancários da Caixa, com apoio do movimento sindical precisam lutar para conter a discriminação entre os novos e antigos trabalhadores e também recompor os salários. Só com mobilização e engajamento de todos é que podemos, de fato, avançar mais”, reforçou.
Zelário afirma que há uma defasagem no quadro de trabalhadores da Caixa na ordem de 20%. “Há uma carência de pelo menos 20 mil trabalhadores”, assinalou. Zelário explicou ainda que as distorções entre os trabalhadores na Caixa são históricas. “Essa é uma situação que se repete rotineiramente em função da ausência de um Plano de Cargos e Salários adequado. Quando entrei na Caixa havia uma situação similar entre os pré-78 e os pós-78. Atualmente, há um regulamento de benefícios para os admitidos antes e depois, que ocasiona graus de rebaixamento e precariza as condições de trabalho”, explicou.
No BB, isonomia é a palavra de ordem
Por volta do meio-dia, os dirigentes sindicais e trabalhadores no Banco do Brasil entregaram a minuta de reivindicações aos representantes do BB, com as seguintes reivindicações: isonomia total de direitos e benefícios entre os funcionários novos e antigos, piso salarial do Dieese (R$ 1.628), pagamento de todas as horas-extras, retorno do anuênio, a não terceirização do Sesmt (Serviço de Engenharia e Segurança de Medicina do Trabalho) e a cobertura por parte do BB de eventuais déficits da Caixa de Assistência, além de vários itens relativos à Previ.
A Secretária de Imprensa do Sindicato dos Bancários de Londrina e região, Jacqueline Zaminelli Ellwein esteve na 9a Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, em São Paulo e voltou ao Paraná ciente das principais dificuldades encontradas pelos trabalhadores no Banco do Brasil, sobretudo os admitidos após o ano de 1998. Ela própria, que está no banco após esta data, conta que as diferenças são gritantes. “O salário dos pós-98 é praticamente a metade dos trabalhadores antigos, há pouca possibilidade de ascensão, além da pressão imposta aos trabalhadores que militam no movimento sindical”, destacou.
Jacqueline conta que o banco publicou o LIC (Livro de Instruções Codificadas), um instrumento que contem normas, diretrizes, deveres e direitos dos bancários, mas que, em se tratando de direitos, exclue, na maioria dos itens os contratados pós-98. “A administração do BB quer nivelar por baixo os seus trabalhadores, por isso vem realizando concursos, admitindo novos bancários, mas com direitos cada vez menores, tornando-os desiguais na remuneração e nas conquistas já obtidas pelos antigos funcionários. Nossa luta no movimento sindical é grande e vamos fazer o que for preciso para mudar esse contexto”, argumentou, lembrando que na Conferência Nacional, mais da metade dos trabalhadores no Banco do Brasil eram pós-98.
Paulino de Almeida, diretor do Sindicato dos Bancários de Umuarama e região e trabalhador bancário no Banco do Brasil, diz que o atual momento do BB tem gerado uma enorme insatisfação e inconformismo dos trabalhadores da base em relação à administração do banco: “O Banco do Brasil tem frustrado o sonho de muitos bancários, que entraram na instituição com uma expectativa e hoje, vivem uma situação anacrônica, com a perda de direitos e a defasagem salarial”.
No Paraná, de acordo com Paulino, dois fatores têm sido determinantes para que os trabalhadores sejam ainda “explorados” pelo banco. O chamado “Pacote de Maldades”, que provocou uma reestruturação interna no banco com a migração de serviços para áreas terceirizadas e o acúmulo de tarefas com a transferência das contas e serviços do Estado para o Banco do Brasil.
“Em todas as agências que temos visitado, há sobrecarga de trabalho, a ponto de gerentes virem pedir clemência ao movimento sindical, alegando que a situação está quase insuportável. Ocorre que quando o Pacote de Maldades foi lançado, os sindicatos sequer foram chamados para negociar. Foi algo imposto e eles sabiam que isso iria prejudicar o banco e seus trabalhadores. Mexem no quadro sem planejar e agora querem clemência. O movimento sindical não aceita essa postura”, desabafou, concluindo que a Campanha Salarial 2007, “precisa se traduzir num espírito de luta de toda a categoria, desde os trabalhadores de base até os dirigentes sindicais, com ações concretas que venham sensibilizar a sociedade e a administração do banco”, finalizou.
Outros Eventos
Os trabalhadores bancários que participaram do ato de lançamento da Campanha Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro permanecem em Brasília nesta quarta-feira (15) quando acontece o Dia Nacional de Mobilização da CUT (Central Única dos Trabalhadores), “Por Nenhum Direito a Menos”. Além dos trabalhadores bancários, o Paraná estará representado com outras duas caravanas. Uma organizada pela CUT-PR e outra pela APP-Sindicato.
Nesta quinta-feira (16), a Contraf-CUT e a administração da Caixa Econômica Federal voltam a se reunir para discutir o Saúde Caixa. Em pauta, o pagamento das participações não cobradas no período de março de 2005 a março de 2007, além de outros assuntos. A reunião da CEE/Caixa será no mesmo dia, às 11h, na Fenae. Já no dia 28 de agosto (Dia do Bancário), será realizado um Dia Nacional de Luta de toda a categoria.
Por Edson Junior
FETEC-CUT-PR