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Baixa inclusão bancária impede expansão de transações financeiras na internet

Brasília – A consolidação da internet como principal meio de atendimento bancário deve-se mais ao crescimento do número de internautas no país do que à ampliação do acesso aos serviços das instituições financeiras. A avaliação é do analista de Informações Juliano Cappi, do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br).

Segundo Cappi, ao comparar os dados do Banco Central (BC) com as estatísticas sobre uso da internet no Brasil, constata-se que a proporção de internautas que fazem transações bancárias está estabilizada nos últimos quatro anos, tendo passado de 13% em 2005 para 14% em 2009. “O aumento, na verdade, é vegetativo. Isso ocorre porque tem gente entrando na internet, mas o percentual praticamente não mudou”, afirma.

Para o especialista, o uso cada vez mais frequente do e-banking – serviços fornecidos pelos sites dos bancos – pelos internautas que já aderiram às ferramentas eletrônicas também explica o aumento no volume absoluto de transações. “Quem tem conta bancária está diversificando o uso, mas isso não significa que novos correntistas estejam entrando”, observa.

Enquanto o percentual de internautas brasileiros que usam os serviços bancários praticamente não tem variado nos últimos anos, outros serviços fornecidos pela internet têm deslanchado no país. Segundo o Cetic.br, a proporção de internautas que fazem compras na rede saltou de 7% em 2005 para 17% em 2009. A utilização do e-gov, o governo eletrônico, passou de 22% em 2008 para 27% no ano passado, um salto de cinco pontos percentuais em 12 meses.

O grande desafio do e-banking no Brasil, aponta o analista, não está propriamente relacionado à internet, mas ao acesso da população de baixa renda aos serviços bancários. “Enquanto a base bancária não crescer e não tiver capacitação, há uma barreira que impede a expansão do e-banking no país”, destaca.

Na opinião de Cappi, há um círculo vicioso que dificulta a adesão dessa parcela da população aos serviços bancários pela internet. “Sem esclarecimento, há muita gente que não se interessa em abrir conta bancária. Ao mesmo tempo, a falta de bancarização [acesso a produtos e serviços bancários] impede a entrada de novos correntistas”, avalia.

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.

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Internet já é o canal de atendimento bancário mais usado pelos brasileiros

Brasília – A internet passou a ser o canal de atendimento bancário mais usado pelos brasileiros, segundo o Adendo Estatístico 2009 sobre o Sistema de Pagamentos de Varejo do Brasil, divulgado hoje (05/07) pelo Banco Central (BC). Por meio da rede mundial de computadores, foram iniciadas 30,6% (8,365 bilhões) das transações bancárias no ano passado, ultrapassando os terminais de autoatendimento (caixas eletrônicos), que ficaram com 29,8% (8,133 bilhões).

Em 2008, as transações nos caixas eletrônicos chegaram a 7,921 bilhões enquanto as transações via internet ficaram somaram 7,234 bilhões.

No relatório, o BC destaca que o número de transações por meio de caixas eletrônicos é baixo se comparado com outros países. Segundo o documento, isso acontece, provavelmente, pelo “baixo nível de compartilhamento” entre as redes de autoatendimento dos bancos.

Em terceiro lugar no rol de canais de atendimento ficaram as agências (6,501 bilhões de transações), seguidas por correspondentes bancários (2,589 bilhões) e centrais de atendimento por telefone (1,613 bilhão). Por meio de telefones celulares e PDAs (assistentes pessoais digitais, na sigla em inglês), foram iniciadas apenas 100 milhões de transações.

Para pagar contas e tributos e transferir dinheiro, os clientes bancários continuam preferindo os correspondentes bancários, que respondem por 36% desse tipo de transação (1,929 bilhão). “Interessante lembrar que essas transações são utilizadas pelo público em geral e prescindem da existência de relacionamento bancário permanente, como a manutenção de conta-corrente, o que reforça a importância dos correspondentes bancários para o atendimento da população não bancarizada [sem conta em banco]”, diz o relatório o BC.

Depois dos correspondentes bancários, a preferência ficou com a internet (1,469 bilhão), seguida pelas agências (1,466 bilhão), terminais de autoatendimento (517 milhões), centrais de atendimento por telefone (29 milhões) e telefones celulares e PDAs (7 milhões).

Por Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil. Edição: Vinicius Doria.

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Educação digital é principal desafio para uso da internet nas transações bancárias

Brasília – A liderança da internet como meio de atendimento bancário, divulgada nesta semana pelo Banco Central, reflete os investimentos em segurança e tecnologia feitos pelo setor. No entanto, o sucesso da rede mundial de computadores como meio de pagamento também depende do nível de esclarecimento dos usuários para não caírem em fraudes.

A avaliação é do consultor tecnológico da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Luís Marques. Ele defende o investimento maciço em educação para orientar os internautas a se prevenirem de golpes e armadilhas.

“Não adianta nada os bancos multiplicarem as senhas de acesso e instalarem teclados flutuantes nas páginas, se o usuário abrir um anexo de e-mail com um programa que copia as informações bancárias para terceiros”, afirma o consultor.

Para Marques, a educação digital representa o principal desafio para a consolidação das transações bancárias pela internet no Brasil. Segundo ele, atualmente o maior risco para os usuários não está em possíveis fragilidades nos sistemas dos bancos. “A forma como o usuário se conecta pela internet não representa a principal fonte de ameaça, mas sim, os e-mails sutis com fotografias e anexos que contaminam o computador”, diz.

O especialista recomenda ao internauta que não abra e-mails de remetentes desconhecidos. Caso abra as mensagens, o usuário deve evitar clicar em links e anexos. Ao entrar nos sites dos bancos, o correntista deve ainda verificar se existe um desenho de um cadeado na parte inferior da página, o que garante a segurança na navegação.

De acordo com o especialista, a nova geração de usuários está menos sujeita a fraudes por estar mais adaptada à internet. Dessa forma, ele acredita que as campanhas educativas devam ter como foco a população que não cresceu na era da informática. “O público que está entrando na internet está mais preparado. Hoje, o jovem que cai numa armadilha virtual avisa para todos os amigos, o que não ocorre com as gerações mais velhas”, explica.

A entrada da população jovem na internet, ressalta Marques, certamente está relacionada com a expansão dos meios eletrônicos de pagamento no país. “Ano a ano, a utilização da internet cresce em velocidade razoável porque aumenta o número de contas-correntes da população jovem. Além disso, o pessoal, de forma geral, está adquirindo confiança”, diz.

Marques também destaca a certificação digital – ferramenta eletrônica fornecida pela Receita Federal – como fator de consolidação da internet como meio de relacionamento com os bancos. Isso porque, segundo ele, as empresas respondem por metade das transações bancárias pela internet no país. “A Receita tem tornado cada vez mais obrigatório o uso da certificação digital, que dá segurança não apenas na relação com o fisco, mas também com os bancos”, explica.

Para ele, a utilização da internet pelas empresas está bastante desenvolvida no país, tanto pela conexão com a Receita Federal, como pela integração com prestadoras de serviço e empresas de cartão de crédito. “Hoje temos dois universos no sistema bancário pela internet: o das empresas, que é plenamente desenvolvido, e o das pessoas físicas, que ainda precisa evoluir”, avalia.

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil. Edição: Andréa Quintiere.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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