O presidente da Confederação Nacional dos Bancários (CNB) — ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT) — Wagner Freitas, disse ontem, em Brasília, que a categoria vai pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que aja como interlocutor entre grevistas e bancos para que as negociações, interrompidas na sexta-feira passada, sejam retomadas. Os bancários, que entram hoje no 22 dia de paralisação, pretendem pedir uma audiência com o presidente para apresentar sua proposta, apelando ao histórico sindicalista do presidente.
Já a greve dos petroleiros — iniciada anteontem com a paralisação na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio — começou a ganhar novas adesões. Trabalhadores de outras duas refinarias (Paulínia e Paraná) pararam ontem, e o movimento pode ser ampliado nos próximos dias, após o fracasso da rodada de negociação entre a Petrobras e a Federação Única dos Petroleiros (FUP), ocorrida na tarde de ontem.
BB e Caixa dizem que greve está perdendo força
Wagner Freitas, da CNB, esteve ontem no Congresso Nacional à frente de uma comissão de representantes dos bancários. Os sindicalistas se encontraram com o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e pediram que ele seja o mediador das negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Wagner disse ao deputado que os banqueiros estão intransigentes e João Paulo prometeu mediar o debate.
— Não queremos estatizar essa questão, queremos que o governo faça a intermediação para ajudar a vencer a intransigência dos bancos — afirmou o presidente da CNB.
Ontem, em Brasília, a CNB pediu ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal (CEF) que as instituições intercedam junto à Fenaban e tentem reabrir as negociações com os bancários. A idéia é que os dois bancos voltem às discussões com seus funcionários ou ajudem a flexibilizar a posição dos patrões.
O problema é que os próprios bancários tinham feito o BB e a CEF assinar um documento pelo qual se comprometiam a negociar em bloco com a categoria. Agora, eles tentam que as instituições quebrem o gelo. Os bancários pediam reajuste de até 25%, contra proposta de 8,5% dos bancos. Na sexta-feira, a categoria reduziu o percentual para 19% — mas os bancos mantiveram o índice de reajuste.
As assessorias de imprensa do BB e da CEF informaram que os bancos oficiais não vão negociar individualmente e que o processo de dissídio coletivo continuará a ser conduzido pela Fenaban. Segundo as assessorias, a greve está perdendo força, com uma redução de 30% no número de funcionários em greve.
Petroleiros iniciam mobilização mais intensa
No caso dos petroleiros, o movimento é inverso. A categoria, além de ter decidido ontem manter a paralisação por tempo indeterminado na Reduc, fez “greves-pipoca” (de surpresa) de 24 horas nas unidades de refino de Paulínia, em São Paulo, e na do Paraná (Repar). Na fábrica de xisto, no Paraná, os trabalhadores também cruzaram os braços.
Além disso, a FUP está orientando os 17 sindicatos filiados a intensificarem a mobilização para pressionar a Petrobras a apresentar nova proposta. Os petroleiros querem um reajuste de 13,2% (5% de ganho real) e a estatal ofereceu 7,81%, repondo a inflação medida pelo Dieese.
No Rio, os petroleiros da Reduc aprovaram a continuação da greve e hoje, na troca de turno das 7h30m, voltam a votar em assembléia sua manutenção ou suspensão.
Sindipetro de Caxias faz denúncia de cárcere privado
O Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias aprovou ainda a realização de piquetes na porta da refinaria e anunciou que planeja recorrer à Justiça do Trabalho para retirar parte dos petroleiros que estão retidos na Reduc desde domingo à tarde, sob alegação de cárcere privado — há mais de cem. Também encaminhou ao Ministério Público do Trabalho representação para que seja fixado um quadro mínimo de trabalhadores para manter a refinaria em operação, se a greve continuar, disse o presidente do Sindipetro-Caxias, Simão Zanardi.
Em Macaé, os trabalhadores das plataformas da Bacia de Campos estão em estado de greve desde ontem e podem cruzar os braços, por tempo indeterminado, a qualquer momento, segundo o diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, Armando Freitas. Ele disse que os trabalhadores de terra em Macaé aprovaram a mesma proposta. No Norte Fluminense, trabalham cerca de 6 mil petroleiros.
— Estamos em assembléia permanente e prontos para votar o indicativo da FUP e decidir pela greve — disse Freitas.
Na unidade de xisto, os petroleiros iniciaram a “greve-pipoca” à meia-noite de ontem. Nas refinarias de Campinas e do Paraná, os petroleiros pararam por 24 horas e encerram a mobilização hoje de manhã. A greve de 24 horas chegou ao fim no terminal de Barueri, em São Paulo, ontem.
Fonte: O Globo – Isabel Braga, Geralda Doca e Vagner Ricardo
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