fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 09:22 Sem categoria

Bancos são acusados de discriminação racial

O setor mais lucrativo da economia brasileira parece ser também um dos mais desiguais na questão racial. O Ministério Público do Trabalho (MPT) concluiu investigações sobre discriminação nos cinco maiores bancos privados do Distrito Federal e irá processar essas entidades. A ação judicial contra essas instituições financeiras vai ser ajuizada até o final do mês, e as investigações já foram ampliadas para outros Estados.

Ao longo de 2004 e do primeiro semestre de 2005, o Ministério Público do Trabalho cruzou dados da PEA (População Economicamente Ativa) do Distrito Federal com informações dos quadros funcionais dessas empresas. “O desejo do Ministério Público é que o quadro de pessoal seja um reflexo da população local”, disse o procurador do Trabalho em exercício Otavio Brito Lopes.

Os resultados das apurações mostram um abismo entre a composição étnica da população e a força de trabalho do mundo corporativo. A Folha obteve o detalhamento da investigação no Distrito Federal. Como os dados ainda são sigilosos, os bancos são tratados com letras, como “A”, “B” e “C”. O Ministério Público quer usar a estatística para comprovar uma realidade visível: o universo bancário é um país à parte, onde os negros e pardos são minoria.

No banco “A”, entre os que recebem as maiores faixas salariais -acima de R$ 4.777,36-, apenas 6,25% são negros. No banco “B”, na faixa mais bem remunerada, a participação de negros sobe para 21,43%, mas o nível salarial é mais baixo: R$ 2.879,13.

Os dados também mostram uma discriminação sutil que derruba o argumento corrente de que há poucos negros em cargos de chefia porque esse segmento de trabalhadores tem uma formação acadêmica inferior.

Segundo o relatório, há casos nos quais empregados negros e brancos têm qualificação acadêmica em patamares semelhantes. Mas, nem sempre, isso significa uma maior mobilidade profissional. No banco “C”, por exemplo, no recorte dos funcionários com remuneração em nível mais alto, somente 13,16% são negros.

Metas controversas
De acordo com Lopes, os objetivos do Ministério Público do Trabalho, que criou o Programa de Oportunidade no Mercado de Trabalho, são: promover a admissão de um número maior de negros, aproximar as médias salariais de brancos e negros e criar critérios de ascensão profissional mais transparentes. Havia uma proposta do estabelecimento de metas, que usariam a PEA como parâmetro para a participação de afrodescendentes nos quadros dos bancos. Mas, segundo a Folha apurou com um dos bancos investigados pelo MPT, as instituições são contra o sistema de metas por acreditar que a inclusão racial é um processo lento. “Não houve acordo. Vi que o quadro atual é que os bancos não têm interesse em mudar essa situação”, afirmou Lopes.

A Folha teve acesso ao levantamento do MPT sobre os quatro maiores bancos privados de São Paulo. Na lista, aparecem o Bradesco, o banco Real ABN Amro, o Itaú e o HSBC. No relatório, esses bancos são identificados, não respectivamente, como “A”, “B”, “D” e “E”. Em São Paulo, há 72% de brancos e 28% de negros. A média da mão-de-obra nos quatro bancos investigados é de 92% de brancos e 8% de negros. Os quatro bancos têm um total de 64.750 trabalhadores. Mesmo em cargos de chefia, é notória a desigualdade. No banco “A”, o rendimento médio de um trabalhador de cor branca em cargo de chefia é de R$ 8.878, ante R$ 6.020 de um colega negro da mesma função.

Fonte: Folha de São Paulo – Cíntia Cardoso

Por 09:22 Notícias

Bancos são acusados de discriminação racial

O setor mais lucrativo da economia brasileira parece ser também um dos mais desiguais na questão racial. O Ministério Público do Trabalho (MPT) concluiu investigações sobre discriminação nos cinco maiores bancos privados do Distrito Federal e irá processar essas entidades. A ação judicial contra essas instituições financeiras vai ser ajuizada até o final do mês, e as investigações já foram ampliadas para outros Estados.
Ao longo de 2004 e do primeiro semestre de 2005, o Ministério Público do Trabalho cruzou dados da PEA (População Economicamente Ativa) do Distrito Federal com informações dos quadros funcionais dessas empresas. “O desejo do Ministério Público é que o quadro de pessoal seja um reflexo da população local”, disse o procurador do Trabalho em exercício Otavio Brito Lopes.
Os resultados das apurações mostram um abismo entre a composição étnica da população e a força de trabalho do mundo corporativo. A Folha obteve o detalhamento da investigação no Distrito Federal. Como os dados ainda são sigilosos, os bancos são tratados com letras, como “A”, “B” e “C”. O Ministério Público quer usar a estatística para comprovar uma realidade visível: o universo bancário é um país à parte, onde os negros e pardos são minoria.
No banco “A”, entre os que recebem as maiores faixas salariais -acima de R$ 4.777,36-, apenas 6,25% são negros. No banco “B”, na faixa mais bem remunerada, a participação de negros sobe para 21,43%, mas o nível salarial é mais baixo: R$ 2.879,13.
Os dados também mostram uma discriminação sutil que derruba o argumento corrente de que há poucos negros em cargos de chefia porque esse segmento de trabalhadores tem uma formação acadêmica inferior.
Segundo o relatório, há casos nos quais empregados negros e brancos têm qualificação acadêmica em patamares semelhantes. Mas, nem sempre, isso significa uma maior mobilidade profissional. No banco “C”, por exemplo, no recorte dos funcionários com remuneração em nível mais alto, somente 13,16% são negros.
Metas controversas
De acordo com Lopes, os objetivos do Ministério Público do Trabalho, que criou o Programa de Oportunidade no Mercado de Trabalho, são: promover a admissão de um número maior de negros, aproximar as médias salariais de brancos e negros e criar critérios de ascensão profissional mais transparentes. Havia uma proposta do estabelecimento de metas, que usariam a PEA como parâmetro para a participação de afrodescendentes nos quadros dos bancos. Mas, segundo a Folha apurou com um dos bancos investigados pelo MPT, as instituições são contra o sistema de metas por acreditar que a inclusão racial é um processo lento. “Não houve acordo. Vi que o quadro atual é que os bancos não têm interesse em mudar essa situação”, afirmou Lopes.
A Folha teve acesso ao levantamento do MPT sobre os quatro maiores bancos privados de São Paulo. Na lista, aparecem o Bradesco, o banco Real ABN Amro, o Itaú e o HSBC. No relatório, esses bancos são identificados, não respectivamente, como “A”, “B”, “D” e “E”. Em São Paulo, há 72% de brancos e 28% de negros. A média da mão-de-obra nos quatro bancos investigados é de 92% de brancos e 8% de negros. Os quatro bancos têm um total de 64.750 trabalhadores. Mesmo em cargos de chefia, é notória a desigualdade. No banco “A”, o rendimento médio de um trabalhador de cor branca em cargo de chefia é de R$ 8.878, ante R$ 6.020 de um colega negro da mesma função.
Fonte: Folha de São Paulo – Cíntia Cardoso

Close