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Bancos superam recordes e se furtam ao debate sobre crescimento econômico

Depois de 26 anos com uma taxa média de crescimento em torno de 2% ao ano, o Brasil volta a ter em sua agenda a temática do crescimento. Trata-se do Programa de Aceleração do Crescimento 2007/10, lançado em janeiro pelo governo Lula e cujo objetivo é alcançar um crescimento econômico de 5% anual nos próximos três anos.

Para isso, estão previstos investimentos em infra-estrutura logística (rodovias, ferrovias, portos, etc), geração de energia e infra-estrutura social (saneamento e habitação), com forte participação das Empresas Estatais e Bancos Públicos, bem como um conjunto de incentivos tributários (exonerações fiscais a setores e bens específicos) e financeiros (expansão e redução do custo do crédito para investimento) ao setor privado; além de mudanças nas políticas fiscal e monetária até 2010, com prioridade para a redução progressiva da taxa básica de juros da economia.

Ao todo, estão previstos investimentos da ordem de R$ 503,9 bilhões, dos quais R$ 67,8 bilhões serão provenientes do Orçamento da União, ao passo que o restante virá de gastos de Estatais, setor privado e pessoa física.

Além dos compromissos econômicos, o governo sinaliza com a manutenção da política social de Estado, de proteção aos direitos básicos em Previdência, Assistência, Saúde e Educação Básica, além de apontar para uma reforma da previdência de longo prazo e para uma política de reajuste do salário-mínimo até 2011.

Ao completar 100 dias do lançamento do programa, a expectativa de vários setores da economia brasileira é que os reflexos positivos do PAC comecem a surgir a partir do segundo semestre deste ano. Enquanto a FIESP – Federação das Indústrias Paulistas afirma que é necessário aguardar mais tempo para qualquer avaliação, a CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, acredita que os setores de infra-estrutura e construção civil devam sentir os reflexos positivos ainda neste ano.

Para o presidente do Sinduscon-SP, João Claudio Robusti, os setores de saneamento, habitação popular e infra-estrutura devem alcançar um crescimento de 7% neste ano, se o governo intensificar as ações do PAC a partir de julho. O presidente-executivo do grupo Gerdau, André Gerdau Johannpeter, por sua vez, estima que as vendas do segmento devam crescer entre 6% e 8%, como fruto dos maiores investimentos no setor.

Ironicamente, o único setor que se mostra à revelia do PAC é o sistema financeiro. “A maioria dos setores da economia se mostra esperançosa frente aos resultados do programa, ao passo que o sistema financeiro, que ganha rios de dinheiro, é o que se apresenta menos suscetível”, constata o presidente da FETEC/CUT-SP, Sebastião Geraldo Cardozo.

A constatação do dirigente surge no momento em que são anunciados novos recordes nos lucros dos bancos, com a maioria deles atingindo aumentos de mais de 10% nos ganhos quando comparados com os números do mesmo período de 2006. Isso sem contar a notoriedade das cifras do Itaú, 30% maiores do que as do período anterior.

“Os trabalhadores e vários segmentos empresariais vêem o PAC como um grande programa para alavancar o país. Os bancos, que sempre se fartaram com juros elevados e cobrança abusiva de tarifas, agora, quando todos discutem formas de fomentar o crescimento econômico com distribuição de renda, capaz de beneficiar toda a sociedade, simplesmente se estancam como se não se tratasse de um único país”, desabafa o presidente da FETEC SP.

Por Lucimar Cruz Beraldo.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.fetecsp.org.br.
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Bancos apresentam resultados monstros

Setor financeiro não pára de crescer no Brasil. Distribuição dos lucros tem que ser maior já que resultados vêm do trabalho do bancário

São Paulo – Mal começou a temporada de balanços e os bancos repetem a dose do que já virou até rotina: novos recordes de crescimento do lucro.

Ter um banco no Brasil é um negócio da China. Basta ver a briga que está sendo travada entre vários bancos internacionais – como o Barclays, HSBC e Santander – pelo controle do ABN Amro e do Real ABN no Brasil. O braço do grupo holandês no Brasil encerrou o primeiro trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 622 milhões, crescimento de 82% sobre o mesmo período de 2006, quando o ganho ficou em R$ 342 milhões.

No Santander Banespa, empresa do espanhol Grupo Santander, o lucro líquido foi de R$ 559 milhões, 22% maior na comparação com o mesmo período de 2006.

No Unibanco, que teve lucro de R$ 581 milhões para o primeiro trimestre do ano, crescimento foi de 11,7%. No Bradesco, o valor de R$ 1,705 bilhão foi 11,4% maior que o resultado do primeiro trimestre de 2006. O lucro do Itaú cresceu mais: 30% mais no primeiro trimestre de 2007 em relação ao mesmo período do ano passado e chegou a R$ 1,90 bilhão.

“Os balanços apontam para mais um ano de crescimento expressivo para o setor financeiro. E os bancários vão cobrar sua parte, afinal boa parte do crescimento desses lucros vem da arrecadação com tarifas que vem do árduo trabalho dos funcionários no dia-a-dia”, diz o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino.

Justiça – Nem todas as instituições publicaram seus balanços na íntegra, mas, usando como parâmetro Bradesco e Itaú, que já fizeram a divulgação, é possível perceber que falta muito para tornar mais justa a distribuição dos lucros entre os trabalhadores.

Para ter uma idéia, se somente 5% do que o Bradesco arrecadou com tarifas fosse distribuído igualmente entre todos os funcionários, cada um receberia R$ 2.025,86*. Veja bem, isso somente em relação à receita de prestação de serviços dos três primeiros meses de 2007. Se distribuísse apenas 5% do arrecadado com a administração das contas correntes, o banco pagaria a cada funcionário R$ 454,32. Pelo serviço de cartão de crédito, cada bancário receberia R$ 441,23.

No Itaú, pela mesma conta*, cada trabalhador receberia R$ 1.938,81; pela administração das contas
correntes seriam R$ 324,24 e pelos serviços de cartão de crédito, R$ 461,47.

O balanço divulgado pelo Unibanco não permite cálculos mais aprofundados, mas a divisão de 5% do arrecadado com tarifas somente no primeiro trimestre renderia a cada bancário R$ 1.318,22.

(*De acordo com cálculos feitos pela Secretaria de Estudos Socioeconômicos do Sindicato com base nos balanços dos bancos).

Por Cláudia Motta – 10/05/2007.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.

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