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Fórum considera multiprogramação e interatividade pontos essenciais para a TV pública digital

Brasília – As TVs públicas, quando migrarem para o modelo digital – o que está previsto para ocorrer até 2016 –, deverão levar em consideração dois aspectos: multiprogramação e interatividade. Esses princípios foram destacados pelo grupo de trabalho Migração Digital das TVs Públicas, que apresentou suas conclusões no terceiro dia do Fórum Nacional de TVs Públicas.

Com a digitalização do sinal das televisões, no espaço onde há hoje um canal, poderão haver pelo menos quatro. Com isso, as TVs poderão optar entre transmitir imagens com qualidade muito superior à atual dos canais abertos, ou ter mais canais de Tvs com programação diferenciada.

O relator do grupo e presidente da Radiobrás, José Roberto Garcez, afirma que esse é o caminho para que as TVs públicas cumpram seu papel. “A multiprogramação é considerada um modelo estratégico, porque atende à diversidade da demanda da sociedade. Esse é o papel das emissoras do campo público.”

A interatividade, por sua vez, “favorece a participação do telespectador como cidadão, e não apenas como consumidor dos serviços de radiodifusão. Essa participação é que acreditamos que vai dar o diferencial entre as características de programação da TV pública e a TV comercial”, afirma Garcez.

O fórum discute como poderá ser realizada essa interatividade, que poderá significar, por exemplo, o acesso de cada cidadão a serviços públicos hoje já existentes na internet, mas também a possibilidade de interação com os programas de TV, como o envio e recebimento de mensagens. O grupo concluiu que é preciso produzir políticas públicas para alcançar essa interatividade investindo em software e garantindo um canal de retorno – por onde o telespectador poderá enviar informação para as TVs públicas e personalizar sua experiência.

Outros aspectos que os integrantes da discussão sobre a migração digital das TVs públicas consideraram importante é a integração dos canais, tanto dos recursos técnicos já existentes quanto da infra-estrutura. O grupo afirmou que uma pergunta ainda precisa ser respondida: de onde virão os recursos para a migração digital? Uma das questões colocadas é se deveria haver subvenção, ou seja, investimento estatal a fundo perdido. Também precisam ser considerados, na avaliação dos recursos necessários, a recuperação e digitalização do acervo das TVs.

Os debates do 1º Fórum Nacional de TVs Públicas começaram no dia 8 e terminam amanhã (11). Ao todo, foram criados oito grupos temáticos de trabalho preparatórios ao fórum com representantes do governo, da sociedade civil e do campo público de televisão.

Por Yara Aquino e Juliana Andrade – Repórteres da Agência Brasil.

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