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BC CONFIRMA CAPTAÇÃO US$ 1,5 BILHÃO COM TÍTULOS DE 30 ANOS

JOÃO SANDRINI
SÉRGIO RIPARDO
da Folha Online, em Brasília e SP

O Banco Central aproveitou a forte procura de investidores por títulos de países emergentes e concluiu hoje sua primeira captação de recursos no exterior em 2004, com a venda de US$ 1,5 bilhão em bônus de 30 anos.

Por terem comprado os papéis, os investidores vão receber juros de 8,75% ao ano até 2034, quando vencem os papéis.

Segundo o chefe do Departamento de Dívida Externa e Relações Internacionais do BC, José Linaldo Gomes, tratam-se dos menores juros pagos pelo Brasil em uma captação externa desde a renegociação da dívida brasileira, concluída em 1994.

Além disso, desde o ano 2000 o BC não vendia ao mercado papéis com prazo de pagamento de 30 anos. Dívidas mais longas exigem maior confiança dos investidores na capacidade do país honrar suas dívidas no longo prazo.

O BC informou que a demanda pelos papéis foi “significativa”, mas não informou o total. Segundo operadores, o BC inicialmente havia oferecido ao mercado US$ 1 bilhão em bônus.

No entanto, a forte demanda, que teria alcançado entre US$ 7 bilhões e US$ 10 bilhões, fez com que o BC aproveitasse a oportunidade para vender US$ 1,5 bilhão.

Com a conclusão da operação, coordenada pelos bancos de investimento Citigroup e Deustsche Bank, o BC ainda precisará captar US$ 2,5 bilhões no exterior neste ano. A meta total para 2004 é de US$ 5,5 bilhões.

Mas o BC já havia iniciado as captações para pagar as dívidas deste ano com uma operação realizada em outubro de 2003, quando foram vendidos US$ 1,5 bilhão em bônus.

A “pressa” do BC deve-se às boas condições de mercado. O risco Brasil acumula queda de 13% neste ano e os C-bonds, títulos da dívida externa brasileira mais negociados no exterior, atingiram na semana passada 100% do valor de face pela primeira vez na história.

O apetite dos investidores por papéis do país reflete as medidas adotadas pelo governo Lula para recuperar a confiança do mercado e os baixos juros pagos nos Estados Unidos.

Com a baixa rentabilidade de investimentos nos EUA, cresce a procura por papéis de países emergentes –entre eles, o Brasil– cujos títulos pagam juros mais atraentes.

Na operação de hoje, o Brasil aceitou pagar aos investidores juros de 8,75% ao ano, menores do que os das cinco operações realizadas no ano passado, quando a taxa mínima foi de 9,45% ao ano. O novo patamar reflete a queda do risco-país para patamares próximos a 400 pontos.

Os juros também são inferiores aos pagos pelos país na última operação com papéis de 30 anos.

Em 2000 –portanto, antes da crise argentina e da crise de confiança enfrentada pelo país no ano passado devido às eleições– o BC havia colocado US$ 1 bilhão com juros de 13,151% ao ano.

Se, por um lado, a captação de hoje mostra condições mais favoráveis ao Brasil em termos de crédito, por outro os títulos do país ainda pagam, por exemplo, 3,76 pontos percentuais acima dos juros de papéis americanos de mesmo prazo.

Além disso, o governo brasileiro aceitou pagar juros maiores do que a Companhia Vale do Rio Doce, que na última sexta-feira concluiu captação externa de US$ 500 milhões também em bônus de 30 anos com remuneração de 8,35% ao ano.

O dinheiro captado pelo BC hoje entra nas reservas internacionais no próximo dia 20.

Por 10:28 Notícias

BC CONFIRMA CAPTAÇÃO US$ 1,5 BILHÃO COM TÍTULOS DE 30 ANOS

JOÃO SANDRINI
SÉRGIO RIPARDO
da Folha Online, em Brasília e SP
O Banco Central aproveitou a forte procura de investidores por títulos de países emergentes e concluiu hoje sua primeira captação de recursos no exterior em 2004, com a venda de US$ 1,5 bilhão em bônus de 30 anos.
Por terem comprado os papéis, os investidores vão receber juros de 8,75% ao ano até 2034, quando vencem os papéis.
Segundo o chefe do Departamento de Dívida Externa e Relações Internacionais do BC, José Linaldo Gomes, tratam-se dos menores juros pagos pelo Brasil em uma captação externa desde a renegociação da dívida brasileira, concluída em 1994.
Além disso, desde o ano 2000 o BC não vendia ao mercado papéis com prazo de pagamento de 30 anos. Dívidas mais longas exigem maior confiança dos investidores na capacidade do país honrar suas dívidas no longo prazo.
O BC informou que a demanda pelos papéis foi “significativa”, mas não informou o total. Segundo operadores, o BC inicialmente havia oferecido ao mercado US$ 1 bilhão em bônus.
No entanto, a forte demanda, que teria alcançado entre US$ 7 bilhões e US$ 10 bilhões, fez com que o BC aproveitasse a oportunidade para vender US$ 1,5 bilhão.
Com a conclusão da operação, coordenada pelos bancos de investimento Citigroup e Deustsche Bank, o BC ainda precisará captar US$ 2,5 bilhões no exterior neste ano. A meta total para 2004 é de US$ 5,5 bilhões.
Mas o BC já havia iniciado as captações para pagar as dívidas deste ano com uma operação realizada em outubro de 2003, quando foram vendidos US$ 1,5 bilhão em bônus.
A “pressa” do BC deve-se às boas condições de mercado. O risco Brasil acumula queda de 13% neste ano e os C-bonds, títulos da dívida externa brasileira mais negociados no exterior, atingiram na semana passada 100% do valor de face pela primeira vez na história.
O apetite dos investidores por papéis do país reflete as medidas adotadas pelo governo Lula para recuperar a confiança do mercado e os baixos juros pagos nos Estados Unidos.
Com a baixa rentabilidade de investimentos nos EUA, cresce a procura por papéis de países emergentes –entre eles, o Brasil– cujos títulos pagam juros mais atraentes.
Na operação de hoje, o Brasil aceitou pagar aos investidores juros de 8,75% ao ano, menores do que os das cinco operações realizadas no ano passado, quando a taxa mínima foi de 9,45% ao ano. O novo patamar reflete a queda do risco-país para patamares próximos a 400 pontos.
Os juros também são inferiores aos pagos pelos país na última operação com papéis de 30 anos.
Em 2000 –portanto, antes da crise argentina e da crise de confiança enfrentada pelo país no ano passado devido às eleições– o BC havia colocado US$ 1 bilhão com juros de 13,151% ao ano.
Se, por um lado, a captação de hoje mostra condições mais favoráveis ao Brasil em termos de crédito, por outro os títulos do país ainda pagam, por exemplo, 3,76 pontos percentuais acima dos juros de papéis americanos de mesmo prazo.
Além disso, o governo brasileiro aceitou pagar juros maiores do que a Companhia Vale do Rio Doce, que na última sexta-feira concluiu captação externa de US$ 500 milhões também em bônus de 30 anos com remuneração de 8,35% ao ano.
O dinheiro captado pelo BC hoje entra nas reservas internacionais no próximo dia 20.

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