Por Alberto Alerigi Jr.
SÃO PAULO (Reuters) – O Bradesco anunciou nesta segunda-feira lucro líquido trimestral menor, impactado por um aumento de provisões para empréstimos de difícil recuperação e crescimento menor da carteira de crédito frente ao desempenho do primeiro trimestre do ano passado.
O segundo maior banco privado do país teve lucro de 1,723 bilhão de reais no primeiro trimestre, queda de 9,6 por cento em relação ao resultado ajustado obtido um ano antes.
Nove analistas consultados pela Reuters previam, em média, que o segundo maior banco privado do país teria um lucro líquido de 1,77 bilhão de reais. As estimativas dos analistas variaram de 1,71 bilhão a 1,86 bilhão de reais.
No quarto trimestre do ano passado, o Bradesco teve lucro de 1,6 bilhão de reais, queda de 27 por cento em relação ao quarto trimestre de 2007.
“A deterioração do rating de algumas empresas e o atraso no pagamento pelas pessoas físicas nos levaram a aumentar o nível de provisionamento”, informa o Bradesco em balanço.
A provisão para devedores duvidosos (PDD) subiu de 1,667 bilhão de reais nos primeiros três meses de 2008 para 2,92 bilhões de reais no trimestre passado. Enquanto isso, o índice de inadimplência total, que vinha se mantendo estável nos trimestres anteriores na faixa de 3,5 por cento, avançou para 4,3 por cento.
“Trabalhamos com um cenário de pequeno crescimento desse índice para os próximos 2 trimestres, estabilizando-se até o final do ano”, informa o banco.
A carteira de crédito da instituição avançou 26,5 por cento no período, para 214,291 bilhões de reais, perdendo força após o salto de 38,5 por cento verificado no primeiro trimestre do ano passado, na mesma comparação.
Mas na comparação com o quarto trimestre, houve uma queda de 0,5 por cento na carteira, “refletindo uma queda da demanda no período”.
As operações com pessoas físicas totalizaram 73,63 bilhões de reais, crescimento de 18,3 por cento, e o financiamento de pessoas jurídicas somou 140,661 bilhões de reais, numa expansão de 31,2 por cento, segundo breve comunicado publicado pelo banco.
Os ativos totais do Bradesco no fim de março somavam 482,141 bilhões de reais, crescimento de 35,6 por cento na comparação com o primeiro trimestre de 2008. Enquanto isso, o retorno anualizado sobre os ativos totais médios foi de 1,5 por cento contra índice de 2,2 por cento um ano antes.
As receitas com prestação de serviços se mantiveram praticamente estáveis em relação ao primeiro e ao quarto trimestres de 2008, em 2,837 bilhões de reais.
O banco, que viu no primeiro trimestre uma “intensificação das consequências da crise no Brasil”, vê o segundo semestre de 2009 com perspectivas mais animadoras diante de sinais de estabilização da economia mundial e resistência da economia brasileira.
Mas isso não deve evitar que o Brasil, na avaliação do Bradesco, tenha crescimento próximo a zero neste ano, com juros nominais ao redor de 9,25 por cento e inflação próxima a 4 por cento”.
(Reportagem adicional de Elzio Barreto)