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Brasil e mais cinco países acertam criação do Banco do Sul

Em reunião de ministros da Fazenda, Brasil, Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador e Paraguai decidem apostar em instituição que financie desenvolvimento e integração sul-americana. Banco seria passo para criação de moeda única.

BRASÍLIA – A integração da América do Sul e o desenvolvimento dos países da região, objetivos políticos do governo Lula vistos com interesse por vizinhos como Venezuela e Argentina, devem ganhar um instrumento capaz de impulsioná-los no futuro. É o Banco do Sul, como está sendo chamada uma instituição planejada para financiar o desenvolvimento econômico dos sócios e projetos de integração física entre eles. O compromisso de criá-lo foi assumido por Brasil, Argentina, Venezuela, Equador, Bolívia e Paraguai nesta quinta-feira (3), durante uma reunião dos ministros da Fazenda em Quito (Equador).

No encontro, ficou definido ainda que os governos continuarão conversando sobre a criação de uma outra instituição financeira sul-americana, um fundo para socorrer países em crise que precisassem de dinheiro. Algo como uma versão miniatura e regional do FMI. Mas, ao contrário da idéia do banco, ainda não há acordo sobre o formato do Fundo do Sul.

O consenso sobre o apoio conjunto ao desenvolvimento regional levou os ministros a esboçar um calendário de negociações técnicas necessárias à constituição do banco que, se cumprido, permitirá aos presidentes dos países-sócios lançar em junho o manifesto de sua criação. O anúncio ocorreria dia 22, durante uma reunião do Mercosul em Assunção (Paraguai), ou dia 26, em Caracas (Venezuela), na abertura da Copa América de Futebol 2007.

“Se as coisas forem bem, se a vontade política se mantiver como expressada pelos ministros nesta reunião, esperamos que em junho possamos anunciar o manifesto de fundação do Banco do Sul”, disse o ministro da Economia do Equador, Ricardo Patiño, que, na condição de anfitrião do encontro, também foi o porta-voz do resultado.

Otimista, o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, acredita que a concretização do Banco do Sul pode facilitar a formação de um forte e coeso bloco geopolítico na América do Sul. “Agora podemos dar um passo adiante nesse processo de integração que tem como objetivo único a criação de um bloco econômico, social e político como é a União Européia”, disse.

O Banco do Sul pode ser ainda o embrião de uma outra idéia discutida na reunião de Quito que, ao menos em tese, teve o apoio de todos os participantes: a criação de uma moeda única para ser usada nas transações comerciais entre os países. “Queremos dar os primeiros passos para a implantação de uma moeda única, e assim realizar todas as transações entre os países, e o primeiro passo nos estamos dando”, afirmou Mantega.

A idéia do Banco do Sul foi lançada pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Néstor Kirchner, em fevereiro. Os dois sonhavam, contudo, com uma instituição de caráter mais político. Um banco que, ao mesmo tempo, financiasse o desenvolvimento e socorresse países em crise. Algo como um FMI sul-americano.

A pretensão esbarrou no Brasil. Não só por razões políticas – evitar um gesto que poderia ser encarado como “de confronto” pela comunidade financeira internacional e pelos países ricos. Mas também porque Venezuela, Argentina e depois Equador chegaram a dizer que o banco deveria ser o cofre das reservas de dólares de cada sócio. E o Brasil tem mais da metade das reservas conjuntas dos seis países dispostos a criar o Banco do Sul. Ou seja, poderia acabar sendo pressionado a usá-las em favor dos parceiros.

Nos próximos dias, os seis países vão procurar os governos dos quatro sul-americanos ausentes da reunião – Chile, Uruguai, Colômbia e Peru – para convidá-los a se associar ao Banco. Até agora, nenhum dos quatro havia demonstrado interesse em aderir.

Por André barrocal com informações da imprensa oficial da Presidência do Equador.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciacartamaior.com.br.
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Banco do Sul deveria exercer na América Latina mesmo papel do BNDES, defende Mantega

São Paulo – A criação do Banco do Sul deve ser positiva para os países envolvidos, desde que não seja usada politicamente por ninguém, defendeu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, após reunião com empresários, hoje (4), na capital. Mantega defendeu que o Banco do Sul poderia ter as mesmas regras do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), direcionado para fortalecer a infra-estrutura e a integração dos países da América do Sul.

Segundo ele, todos os países interessados na formação do banco estão “com o pé no chão” e querem criar uma instituição com princípios e regras. “Queremos uma instituição séria, um banco que seja auto-suficiente, que conte só com seus recursos e não seja tocado a base de subsídios”. Ele disse ainda que a idéia é a de que essa instituição seja mais um passo na integração dos países da América do Sul.

Mantega salientou que o Brasil é o país que necessita menos de financiamento entre os envolvidos, mas com sua participação fomentará projetos de investimentos em outros países que são mercados consumidores de produtos brasileiros. “Vamos fomentar obras e serviços em outros países que muitas vezes são feitos por empreiteiras brasileiras. Então nós temos todo interesse econômico, social e político em mantermos uma aproximação maior entre os países”.

O ministro afirmou que as instituições existentes não estão atendendo as necessidades dos países da América do Sul. “Por exemplo, nós temos o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que não é um banco da América do Sul, que possui europeus, que é controlado pelos EUA então demora muito para aprovar um projeto”. Com a formação do Banco do Sul, o objetivo é dar agilidade para a aprovação dos projetos.

Ele garantiu que todos os países da América do Sul serão chamados para compor o Banco do Sul e todos que desejarem terão assento no conselho diretor. “Será um banco totalmente seguro, trabalhará dentro dos padrões de qualquer banco. Não tem nenhuma aventura”. O patamar financeiro para a participação dos países ainda não foi estabelecido, mas, segundo Mantega, há possibilidades de cada país começar com um valor em torno de US$ 300 a US$ 500 milhões. “O importante é que não haja diferença entre os países. Não se pode ter um país quem mande no banco”.

Por Flávia Albquerque – Repórter da Agência Brasil

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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