O Brasil tem o 6º maior spread bancário entre 14 países da América Latina, de acordo com estudo divulgado, ontem, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A América Latina já é a região com o maior spread entre os países em desenvolvimento.
Medido pela margem financeira líquida, calculada pela relação entre as receitas financeiras líquidas e os ativos que rendem juros, o spread médio da América Latina ficou em 8% entre 1999 e 2002, acima da média de 5% dos outros países emergentes, conforme o estudo do FMI, baseado em dados da Bankscope.
Entre os países da América Latina, o Brasil fica em sexto lugar, com uma margem financeira líquida de 8,9%. O campeão da região é a Venezuela, com 19,8%, seguida pelo Paraguai, com 12,1%; Peru, com 11,9%; República Dominicana, com 9,6%; e Guatemala, com 9,5%.
O estudo feito por R. Gaston Gelos, do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, afirma que os spreads da intermediação financeira na América Latina são elevados para o padrão internacional. Na sua avaliação, a América Latina tem juros elevados, bancos menos eficientes e recolhimentos compulsórios mais exigentes que outras regiões e esses fatores têm impacto significativo no spread bancário.
O estudo de Gelos, que promete ser tão polêmico quanto o da sua colega de FMI, Agnès Belaisch, tem fundamentos técnicos diferentes. Agnès questionou a falta de competição no mercado brasileiro, calculando o spread pela diferença entre a taxa básica de juros e a do crédito. Já Gelos levou em conta dados de 2,2 mil bancos de 85 países, 14 dos quais da América Latina, fornecidos pela Bankscope.
Na comparação dos fatores que influenciam o nível de spread nos diferentes países latino-americanos, o Brasil se destaca pela elevada exigência de compulsório sobre os depósitos à vista (60% em comparação com 20% no México e 15% na Venezuela); e por um índice de 5,4 no que o autor chama de “proteção legal”, igual ao da Venezuela mas inferior ao 4,3 do México. Gelos cita ainda o os impostos elevados como determinantes do spread no Brasil.
Fonte: Valor Econômico
Deixe um comentário