(Chile) Na intenção de resolver o problema do analfabetismo, que atinge a aproximadamente 1 bilhão de pessoas no mundo, sobretudo, nas regiões menos desenvolvidas, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançam uma campanha internacional de educação rural dentro da programação da oficina regional sobre segurança alimentar e educação rural, que se realizará em Santiago do Chile, amanhã, dia 04, seguindo até o próximo dia 05.
A campanha de educação na América Latina faz parte de uma iniciativa de associação global em prol da educação rural, liderada pela FAO e executada em colaboração com a Unesco e mais de 100 associados, entre os quais se destacam organizações não governamentais e universidades.
Segundo estatísticas apresentadas pelos dois organismos, “em todo o mundo, existem 1 bilhão de analfabetos, dos quais 130 milhões são crianças. Quase todas essas pessoas vivem em regiões menos desenvolvidas, onde se concentra também a maioria dos 840 milhões de pessoas subnutridas no planeta”.
De acordo com a FAO, a maioria das pessoas subnutridas e analfabetas da América Latina vive nas zonas rurais. Na Guatemala, por exemplo, o país da região que tem o percentual mais elevado de população rural, em1998, a população adulta (de 25 a 59 anos) das zonas urbanas tinha uma escolaridade média de 6,5 anos, enquanto que a população rural da mesma idade havia ido à escola somente por 1,9 ano.
Uma pesquisa, que será apresentada no debate, revela que os agricultores com quatro anos de escolaridade são quase 9% mais produtivos que os que não foram à escola. Se, além disso, dispõem de fertilizantes, sementes novas e equipamentos agrícolas, a produtividade aumenta para 13%.
Outra educação é possível
Conforme afirma a FAO, os países da América Latina estão reconhecendo, cada vez mais, a importância da educação rural e estão elaborando políticas para oferecer maior acesso e oportunidades a esse novo modelo de educação.
Na Colômbia, por exemplo, a metade das escolas rurais adotou o modelo “Escola Nova”, que consiste em dar ênfases na aprendizagem participativa e utilizar um programa que une o principal do conteúdo nacional com módulos locais pertinentes à cultura e às necessidades da população rural.
No México, o Programa de Educação, Saúde e Alimentação (Progresa) proporciona verba para mais de 2,6 milhões de famílias rurais pobres, sob a condição de que mandem seus filhos à escola.
No Brasil, começa hoje, em Luziânia (Goiás), a II Conferência Nacional por uma Educação no Campo. O evento é realizado pelos movimentos sociais do campo, governo federal, CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e Universidade de Brasília, entre outros.
A Segunda Conferência por uma Educação no Campo, que segue até o próximo dia 06 de agosto, vai reunir 1.100 camponeses, educadores, representantes de organizações não-governamentais, prefeituras e sindicatos. Um dos objetivos principais é fortalecer a mobilização popular pela educação no campo e ainda buscar apoio para a construção de políticas públicas.
De acordo com Edgar Koling, coordenador nacional do setor de educação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o atual modelo educacional imposto aos camponeses não atende a realidade rural. Ele diz que a solução exige “articulação dos movimentos do campo e também de diferentes setores da sociedade para elaborar propostas e alternativas para o desenvolvimento camponês”.
Adital
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Por Mhais• 4 de agosto de 2004• 12:54• Sem categoria
Campanha quer reduzir analfabetismo rural na América Latina
(Chile) Na intenção de resolver o problema do analfabetismo, que atinge a aproximadamente 1 bilhão de pessoas no mundo, sobretudo, nas regiões menos desenvolvidas, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançam uma campanha internacional de educação rural dentro da programação da oficina regional sobre segurança alimentar e educação rural, que se realizará em Santiago do Chile, amanhã, dia 04, seguindo até o próximo dia 05.
A campanha de educação na América Latina faz parte de uma iniciativa de associação global em prol da educação rural, liderada pela FAO e executada em colaboração com a Unesco e mais de 100 associados, entre os quais se destacam organizações não governamentais e universidades.
Segundo estatísticas apresentadas pelos dois organismos, “em todo o mundo, existem 1 bilhão de analfabetos, dos quais 130 milhões são crianças. Quase todas essas pessoas vivem em regiões menos desenvolvidas, onde se concentra também a maioria dos 840 milhões de pessoas subnutridas no planeta”.
De acordo com a FAO, a maioria das pessoas subnutridas e analfabetas da América Latina vive nas zonas rurais. Na Guatemala, por exemplo, o país da região que tem o percentual mais elevado de população rural, em1998, a população adulta (de 25 a 59 anos) das zonas urbanas tinha uma escolaridade média de 6,5 anos, enquanto que a população rural da mesma idade havia ido à escola somente por 1,9 ano.
Uma pesquisa, que será apresentada no debate, revela que os agricultores com quatro anos de escolaridade são quase 9% mais produtivos que os que não foram à escola. Se, além disso, dispõem de fertilizantes, sementes novas e equipamentos agrícolas, a produtividade aumenta para 13%.
Outra educação é possível
Conforme afirma a FAO, os países da América Latina estão reconhecendo, cada vez mais, a importância da educação rural e estão elaborando políticas para oferecer maior acesso e oportunidades a esse novo modelo de educação.
Na Colômbia, por exemplo, a metade das escolas rurais adotou o modelo “Escola Nova”, que consiste em dar ênfases na aprendizagem participativa e utilizar um programa que une o principal do conteúdo nacional com módulos locais pertinentes à cultura e às necessidades da população rural.
No México, o Programa de Educação, Saúde e Alimentação (Progresa) proporciona verba para mais de 2,6 milhões de famílias rurais pobres, sob a condição de que mandem seus filhos à escola.
No Brasil, começa hoje, em Luziânia (Goiás), a II Conferência Nacional por uma Educação no Campo. O evento é realizado pelos movimentos sociais do campo, governo federal, CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e Universidade de Brasília, entre outros.
A Segunda Conferência por uma Educação no Campo, que segue até o próximo dia 06 de agosto, vai reunir 1.100 camponeses, educadores, representantes de organizações não-governamentais, prefeituras e sindicatos. Um dos objetivos principais é fortalecer a mobilização popular pela educação no campo e ainda buscar apoio para a construção de políticas públicas.
De acordo com Edgar Koling, coordenador nacional do setor de educação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o atual modelo educacional imposto aos camponeses não atende a realidade rural. Ele diz que a solução exige “articulação dos movimentos do campo e também de diferentes setores da sociedade para elaborar propostas e alternativas para o desenvolvimento camponês”.
Adital
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