Brasília – A garantia do direito a uma alimentação adequada e regular é a reivindicação de camponeses, pescadores artesanais, povos indígenas, quilombolas, mulheres e jovens do campo reunidos hoje (10) na Conferência Especial para a Soberania Alimentar, pelos Direitos e pela Vida.
“Que tenhamos igualdade de direitos. Porque o direito, para nós, tem sido barrado e parte da indústria está nos arruinando”, afirma o representante da Federação Nacional de Pescadores Artesanais de Honduras, Félix Paz García.
Na abertura do encontro, o representante do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), Alberto Broch, destacou a importância da discussão do tema com a sociedade civil uma semana antes da 30ª Conferência Regional para América Latina e Caribe, em Brasília.
“Se estamos aqui, é porque existe a miséria e a fome. É porque ainda nos envergonham as injustiças sociais. Antes da reunião dos governos, dos ministros da nossa região, queremos discutir as propostas que nascem do povo”, disse.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, que também participou da cerimônia, destacou os principais obstáculos a serem enfrentados pelo Brasil e por países da América Latina e Caribe para a conquista da “plena segurança e soberania alimentar”. Entre eles, citou “políticas de preço que garantam o acesso universal ao direito humano de se alimentar”.
Para o ministro, “a lógica da produção de alimentos voltada para a exportação não garante, em nenhum país, segurança alimentar – garante lucro, especulação e fome.”
Cassel lembrou ainda de pontos a serem enfrentados pelos governos, como o direito à terra para os que querem trabalhar, a sustentabilidade ambiental, o respeito às culturas e as garantias de direitos às populações tradicionais, além da conquista da autonomia social e econômica às mulheres.
“Primeiro, a conquista da plena segurança e soberania alimentar em nossos países; segundo, o direito à terra para quem quer trabalhar; terceiro, sustentabilidade ambiental; quarto, respeito às culturas e garantias de direitos às populações tradicionais, e quinto, conquista da plena autonomia social e econômica das mulheres”, listou.
A reforma agrária no Brasil, segundo o ministro, aparece como saída para a construção de estruturas fundiárias “mais justas e produtivas”, que superem os persistentes latifúndios.
A Conferência Especial para a Soberania Alimentar, pelos Direitos e pela Vida segue até domingo (13) e reúne representantes da sociedade civil de 33 nações da América Latina e do Caribe. Além da reforma agrária, temas como a agricultura familiar, os biocombustíveis, as formas de comercialização e mudanças climáticas constam da pauta de discussões.
Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.