O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) de Umuarama, em reunião ordinária realizada nesta segunda, 06/04, homologou Nota de Repúdio assinada por sua presidenta, Maria Cristina de Souza, e datada de 26/03, referentes a comentários machistas e misóginos proferidos durante programa matinal da Rádio Massa de Umuarama no dia 25/03.
Os comentários em questão atribuíam às mulheres vítimas de violência a culpa pela violência sofrida. A Nota do CMDM, além de repudiar o conteúdo dos comentários dos radialistas, chama a atenção para a responsabilidades dos meios de comunicação social na abordagem de temas relevantes para a sociedade, como a escalada da violência contra a mulher no Brasil.
Maria Cristina Ramos, representante do Sindicato dos Bancários de Umuarama, Assis Chateaubriand e Região, participou da reunião e foi uma das que votaram favoravelmente à Nota emitida pelo Conselho. Cristina lembrou, inclusive, que a emissora que veiculou o programa em tela é de propriedade do governador Ratinho Junio (PSD), cujo pai é notório em comentários ofensivos em seu programa de TV no SBT. Leia abaixo a íntegra da Nota de Repúdio.
NOTA DE REPÚDIO
O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Umuarama – CMDM, no uso de suas atribuições legais e regimentais, vem a público manifestar veemente repúdio às declarações veiculadas pela emissora Rádio Massa FM, em programa transmitido no dia 25 de março de 2026, por volta das 7h da manhã, nas quais foram proferidas falas que minimizam a gravidade da violência contra a mulher e atribuem, de forma equivocada e inadmissível, corresponsabilidade às vítimas.
Na ocasião, o comunicador afirmou que mulheres em situação de violência “têm a opção de sair”, atribuindo à vítima uma suposta liberdade plena de escolha (“livre-arbítrio”) para romper o ciclo de violência, bem como sugeriu que mulheres agredidas “provavelmente também retrucam”, relativizando a responsabilidade do agressor e insinuando corresponsabilidade da vítima.
Tais declarações desconsideram a complexidade da violência doméstica e familiar, ignoram os fatores psicológicos, sociais, econômicos e estruturais que envolvem essas situações e contribuem para a perpetuação da cultura de culpabilização da vítima.
Ressaltamos que a violência contra a mulher é uma grave violação de direitos humanos, amplamente reconhecida pela legislação brasileira, em especial pela Lei nº 11.340/2006 – Lei Maria da Penha, que estabelece mecanismos de proteção e enfrentamento, reconhecendo, inclusive, as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para romper o ciclo de agressão.
Discursos como o mencionado são prejudiciais à sociedade, pois reforçam estigmas, desinformam a população, desencorajam denúncias e enfraquecem os avanços conquistados no enfrentamento à violência de gênero.
Diante do exposto, o CMDM de Umuarama:
• Repudia integralmente as declarações realizadas;
• Solicita retratação pública por parte da emissora e do profissional envolvido;
• Reforça a necessidade de responsabilidade social nos meios de comunicação, especialmente em temas sensíveis como a violência contra a mulher;
• Reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e o enfrentamento a todas as formas de violência.
Por fim, destacamos que o combate à violência contra a mulher exige informação qualificada, responsabilidade coletiva e respeito às vítimas.
Umuarama – PR, 26 de março de 2026.
Marcia Cristina de Souza
Presidente do CMDM
Fonte: Pactu