Brasília – Os consumidores estão tomando empréstimos com prazos de pagamento cada vez mais longos. Em dez anos, o prazo médio do crédito pessoal aumentou cerca de três vezes. Em junho de 2000, o prazo médio para esse tipo de crédito era de 179,92 dias corridos (média de seis meses) e, no mesmo mês deste ano, ficou em 574,48 dias corridos (média de um ano e meio), recorde da série, segundo dados do Banco Central (BC).
O financiamento habitacional não fica atrás. Em junho deste ano, o prazo médio ficou em 3.858,26 dias corridos (quase 11 anos), recorde da série iniciada em junho de 2000, quando foram registrados 2.058,83 dias corridos (quase seis anos). Nessa comparação, o crescimento foi de 87,4%.
No caso do financiamento de carros, que iniciou a série com 457,24 dias corridos (um ano e três meses), o prazo chegou a 548,44 dias corridos (um ano e meio) em junho deste ano. Segundo o conselheiro da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira, o crescimento do prazo para a compra de veículos não é tão expressivo porque são bens com prazo de vida útil reduzido. De qualquer forma, ele afirma que a tendência é de aumento dos prazos em todos os tipos de financiamento. “O país vive um bom momento econômico, com geração de emprego e renda. Assim, os bancos estão mais confortáveis para emprestar, com baixo risco de inadimplência”, avalia.
Oliveira destacou que os bancos são criteriosos na análise de risco na hora de ofertar o crédito. Por isso, segundo ele, o risco de alta descontrolada da inadimplência é pouco provável. Ele destaca ainda que o crédito é importante para girar a atividade econômica, pois, no seu entender, isso contribuiu para que muitos consumidores subissem de classe social ao comprar bens, como eletrodomésticos.
A economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Virene Matesco lembra, entretanto, que os consumidores precisam tomar cuidado com o acúmulo de prestações. Para ela, é uma característica do brasileiro pegar empréstimos e observar somente se a prestação “cabe no bolso”. “Pode chegar uma hora em que haverá estrangulamento do orçamento da família”, alerta.
Por Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.
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CAIXA dobra valor financiado para compra da casa própria nos sete meses do ano
Brasília – A Caixa Econômica Federal financiou, de janeiro a julho, 651.157 contratos para compra da casa própria, no valor de R$ 40,1 bilhões, conforme revelou hoje (05/08) a presidente da instituição, Maria Fernanda Ramos Coelho.
O volume de recursos aplicados até 30 de julho equivale a 85% dos R$ 47,05 bilhões investidos em todo o ano de 2009 e indica crescimento de 104% na comparação com os financiamentos habitacionais aprovados pela Caixa em igual período do ano passado.
Segundo a presidente da Caixa, os números do financiamento da casa própria têm aumentado a cada ano. “Estamos contratando 4,5 mil unidades por dia, com volume médio diário de R$ 275 milhões. A Caixa se preparou muito para esse momento e está tendo o resultado desse investimento. Oferecemos os melhores prazos, taxas e o melhor atendimento. Com isso, aproximamos o cliente de uma nova realidade do setor imobiliário”.
Do total emprestado, R$ 17,8 bilhões são provenientes de recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e R$ 17,4 bilhões vieram do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os restantes R$ 4,9 bilhões são originários de outras fontes de financiamento para famílias de baixa renda, como os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), investidos a fundo perdido no programa Minha Casa Minha Vida.
A Caixa financiou 578.362 unidades habitacionais desde a criação do Minha Casa Minha Vida, em abril do ano passado, com financiamentos de R$ 16,5 bilhões, e já entregou 137.010 moradias. Há 79 mil unidades financiadas com o imóvel na planta, que estão em fase de acabamento para entrega imediata.
Por Stênio Ribeiro – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.
NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.
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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN
NOTA PARA A IMPRENSA – 27.7.2010
Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
I – Evolução dos agregados monetários
A base monetária alcançou saldo médio diário de R$162,1 bilhões em junho, após aumentos de 1,3% no mês e de 18,9% em doze meses, mantendo-se, a exemplo dos demais agregados, dentro do intervalo estabelecido pela programação monetária para o segundo trimestre de 2010. A variação no mês retratou os acréscimos de 1,3% no saldo médio do papel-moeda emitido e de 1,6% nas reservas bancárias.
Os fluxos mensais dos fatores de emissão monetária refletiram os impactos expansionistas resultantes das compras líquidas de divisas pelo Banco Central no mercado interbancário de câmbio, R$3,7 bilhões, e do movimento na conta única do Tesouro Nacional, R$177 milhões. Em contrapartida, no sentido contracionista, destacaram-se as operações com títulos públicos federais, incluindo a atuação do Banco Central no ajuste de liquidez do mercado monetário, R$1,3 bilhão, e os recolhimentos compulsórios, que somaram R$1,7 bilhão.
A média dos saldos diários dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$234,2 bilhões em junho, registrando incrementos de 1,2% no mês e de 16,9% em doze meses, decorrentes de expansões equivalentes nos saldos do papel-moeda em poder do público e dos depósitos à vista. Os meios de pagamento no conceito M2, que agrega o M1, os depósitos para investimentos, os depósitos de poupança e os títulos privados, cresceram 1% no mês, totalizando R$1,2 trilhão. O saldo dos depósitos de poupança atingiu R$340,8 bilhões, após expansão mensal de 1,5%, refletindo captações líquidas de R$4,2 bilhões. O saldo dos títulos privados aumentou 0,5%, alcançando R$605,1 bilhões, com captações líquidas de R$900 milhões.
O M3, agregado que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, apresentou alta mensal de 1%, somando R$2,3 trilhões, com aumentos de 1,6% nas quotas de fundos, que totalizaram R$1 trilhão, e recuo de 7,1% nas operações compromissadas. O M4, que acrescenta ao M3 os títulos públicos de detentores não financeiros, expandiu-se 1% no mês e 15,8% nos últimos doze meses, alcançando R$2,7 trilhões.
Em reunião de 22.6.2010, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a programação monetária para o terceiro trimestre de 2010, contemplando estimativas para os principais agregados monetários, conforme tabela abaixo. As projeções são consistentes com cenário de crescimento da renda e trajetória de taxas de juros compatível com a política econômica em curso.
CONFIRA A TABELA SOBRE A PROGRAMAÇÃO MONETÁRIA NA NOTÍCIA ORIGINAL
II – Operações de crédito do sistema financeiro
O estoque total de crédito do sistema financeiro, incluídas as operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$1.529 bilhões em junho, elevando-se 2% no mês e 19,7% em doze meses. Esse volume passou a representar 45,7 % do PIB, comparativamente a 45,2% em maio e 41,8% em junho de 2009. A expansão do crédito continuou ocorrendo com maior vigor no segmento de recursos direcionados, impulsionado pelo desempenho das carteiras do BNDES e pela continuada expansão dos financiamentos habitacionais.
Os créditos contratados com recursos livres, correspondentes a 66,5% do total da carteira do sistema financeiro, totalizaram R$1.017 bilhões em junho, com incrementos de 1,8% no mês e de 13,2% em doze meses. As operações relativas às empresas somaram R$511,6 bilhões, apresentando acréscimo mensal de 2,6%, com crescimento de 3% nas carteiras com recursos domésticos, impulsionado pela demanda nas modalidades capital de giro e conta garantida. Em sentido inverso, evidenciando efeitos da apreciação cambial e liquidações de contratos, os financiamentos lastreados em moeda estrangeira recuaram 0,8% no mês, declinando para R$51,8 bilhões. Os empréstimos a pessoas físicas, a despeito do arrefecimento na expansão do crédito pessoal e dos financiamentos para aquisição de veículos, mantiveram tendência expansionista, atingindo R$505,7 bilhões, após elevação de 0,9% no mês.
O volume das operações com recursos direcionados situou-se em R$511,6 bilhões, ampliando-se 2,4% no mês e 35,3% em relação a junho de 2009. As carteiras de financiamentos do BNDES, que representaram 61,1% do segmento, totalizaram R$312,9 bilhões, avançando 3,1% no mês e 41,5% em doze meses. Esse desempenho, associado, principalmente, à demanda de recursos para projetos de investimento em infraestrutura, resultou de expansões de 2,1% nas operações concedidas sob a forma direta, saldo de R$168,1 bilhões, e de 4,2% nos financiamentos realizados via repasses de instituições financeiras, volume de R$144,8 bilhões. O saldo dos financiamentos habitacionais cresceu 3,5% no mês, acumulando taxa de expansão de 50,9% em doze meses, ao atingir R$106 bilhões.
A representatividade dos bancos públicos no total das operações de crédito elevou-se de 41,7% em maio para 42,3% em junho. Em decorrência, a participação relativa das instituições privadas nacionais declinou de 40,5% para 40,1%, enquanto a dos bancos estrangeiros passou de 17,8% para 17,6%.
II.1 – Distribuição setorial do crédito
Considerando-se a destinação do crédito de acordo com os setores de atividade econômica, os financiamentos à indústria registraram expansão de 3,5% em junho, totalizando R$323,9 bilhões, destacando-se os ramos de petroquímica, energia e mecânica. Os créditos para o segmento de outros serviços, impulsionados pela maior demanda dos setores de energia e de transportes, somaram R$265,2 bilhões, com elevação mensal de 2,2%. As operações direcionadas ao comércio cresceram 2,7% no mês, com saldo de R$151,5 bilhões, com relevância para as contratações dos segmentos do ramo automotivo.
Os financiamentos habitacionais, compreendidas as operações destinadas a pessoas físicas e cooperativas habitacionais, atingiram saldo de R$111,6 bilhões em junho, com evolução mensal de 3,6%, acumulando expansão de 21,5% no semestre, comparativamente ao crescimento de 8,1% no total de crédito ao setor privado. O crédito rural, refletindo a liquidação de operações de custeio agrícola e de contratos vinculados à aquisição de máquinas e implementos agrícolas, apresentou queda mensal de 0,9%, ao somar R$116,1 bilhões.
A carteira de empréstimos e financiamentos destinados ao setor público alcançou R$63,8 bilhões em junho, revelando acréscimo mensal de 3,4%, com aumento de 4,7% nas operações contratadas pelo governo federal. A dívida bancária relativa aos governos estaduais e municipais somou R$28,3 bilhões, após crescimento de 1,9%, com destaque para os financiamentos às áreas de saneamento básico e habitação popular.
II.2 – Operações com recursos livres – Crédito referencial para taxas de juros
Entre as modalidades compreendidas no crédito referencial para taxa de juros, os financiamentos para aquisição de veículos registraram expansão de 3% no mês, mantendo evolução robusta mesmo após o término do incentivo fiscal representado pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). A carteira de crédito pessoal cresceu 1,6%, favorecida pela continuidade na expansão dos empréstimos consignados. Nas operações destinadas ao segmento empresarial, destacou-se o crescimento de 2,3% verificado na modalidade capital de giro. Os financiamentos lastreados em recursos externos apresentaram retração de 0,8%, sob efeito da liquidação antecipada de contratos de repasses externos.
A taxa média de juros do crédito referencial atingiu 34,6% a.a. em junho, com declínios de 0,3 p.p. no mês e de 2 p.p. em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado mensal refletiu a redução de 1,1 p.p. no custo médio das operações com pessoas físicas, situado em 40,4% a.a. Essa retração refletiu o maior volume de contratações em modalidades de custo mais reduzido, a exemplo do crédito pessoal e dos financiamentos para aquisição de veículos. Nesse contexto, o spread nas operações a pessoas físicas recuou 1 p.p. no mês, acumulando baixa de 7,2 p.p. em doze meses. O custo médio dos créditos às empresas subiu 0,4 p.p. no mês, mas recuou 0,1 p.p. comparativamente a junho de 2009, ao atingir 27,3% a.a. O spread bancário relativo às operações desse segmento aumentou 0,1 p.p. no mês e baixou 1,3 p.p. em doze meses.
A inadimplência do crédito referencial, considerados os atrasos superiores a noventa dias, permaneceu em trajetória declinante, posicionando-se em 5% em junho, com recuo de 0,1 p.p. O percentual correspondente às pessoas físicas atingiu 6,6%, com queda mensal de 0,2 p.p., enquanto nas operações com pessoas jurídicas esse indicador situou-se em 3,6%, registrando decréscimo de 0,1 p.p.
Estatísticas complementares às divulgadas nesta nota podem ser obtidas na página do Banco Central, na internet:
* Sistema Financeiro Nacional – Informações sobre operações bancárias – Taxas de operações de crédito – Dados Consolidados (mensal) (http://www.bcb.gov.br/?TXCREDMES);
* Economia e Finanças – Séries Temporais (http://www.bcb.gov.br/?SERIETEMP).
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bcb.gov.br.