Central denuncia que redução do crescimento do PIB para 2,7% é resultado da política de aumento de juros, restrição ao crédito, arrocho e corte nos investimentos
Escrito por: CUT
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PIB, Selic e desenvolvimento: bancos privados precisam ter compromisso com projeto de País
Artur Henrique, presidente da Central, comenta como o sistema financeiro prejudica o crescimento
Escrito por: Artur Henrique, presidente da CUT
Nestes dias de queda na taxa de crescimento do PIB e também na taxa Selic, temos uma oportunidade de pensar no papel que o sistema financeiro e a estrutura tributária desempenham no processo de desenvolvimento brasileiro.
A taxa básica de juros tem caído, é verdade, embora com atraso e em doses tímidas. Neste ponto, faço uma pausa para chamar atenção para a hipocrisia de analistas e veículos de comunicação, que hoje parecem se divertir com o fraco desempenho de 2011 como se isso fosse apenas problema do atual governo, e fingem esquecer que sempre enalteceram a manutenção da taxa Selic nas alturas e nela viam evidências de “responsabilidade” na condução da política econômica.
Mas, enfim, só a queda da Selic não basta.
Por não ter compromisso com um projeto de desenvolvimento nacional, o comportamento do sistema financeiro tem permanentemente prejudicado nosso crescimento e a vida da população.
O spread, definido pelos bancos como a taxa de risco de inadimplência, é parte significativa do custo dos empréstimos produtivos oferecidos pelo sistema financeiro. Na Caixa Econômica Federal, que não está entre os que cobram os mais altos juros do mercado, o spread representa 21,8% na composição da taxa de juros nas linhas de empréstimo para investimento, e 35,8% nas linhas de empréstimo para capital de giro. Nos bancos privados, essa realidade é ainda pior.
Essa é uma das causas de as empresas terem enorme dificuldade para obter empréstimos junto ao sistema financeiro: os juros cobrados são extorsivos e não caem na mesma medida que a Selic. Reflexo disso é o fato de o conjunto dos seis maiores bancos brasileiros reservar apenas 20% de suas carteiras de crédito para pessoas jurídicas. O dado também demonstra o desinteresse por esse segmento.
A tarefa de fomentar os investimentos produtivos e a modernização de nossa produção sobra quase exclusivamente para o BNDES, com juros subsidiados pelo Estado. Não podem, porém, ter acesso a suas linhas de crédito empresas que tiverem dívidas na praça. Essas, geralmente as micro, pequenas e médias, são obrigadas a recorrer ao sistema financeiro, e nisso consiste um dos principais entraves ao crescimento e mesmo à sobrevivência desses empreendimentos.
As pessoas físicas também ficam à mercê de juros criminosos e injustificados do cheque especial, do cartão de crédito, dos financiamentos.
Isso sem falar nas taxas de administração, serviços e outras.
É evidente que essa postura antinacionalista e usurária dos bancos prejudica enormemente o desenvolvimento do Brasil.
Por essa razão, a CUT e a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) propuseram ao governo a realização de uma conferência nacional, aberta a todos os segmentos da população, para debater o papel dos bancos e sua função social, prevista pela Constituição.
Outro grave entrave ao nosso desenvolvimento é a estrutura tributária brasileira. Não criticamos aqui a carga tributária, mas o modo como é distribuída. A produção e o consumo são penalizados, enquanto a especulação financeira e a usura são na maioria de suas modalidades isentas de tributação.
Por isso é urgente que o Brasil faça a reforma tributária que os trabalhadores defendem, invertendo a equação atual, em que quem ganha mais paga menos e quem ganha menos, paga mais. E que acabe com isenções tributárias como aquela que contempla a distribuição de lucros e dividendos e que serve, para os bancos, como forma de pagar pouco sobre os lucros estratosféricos que amealham às custas do povo e do País.
Artur Henrique, presidente nacional da CUT
NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.cut.org.br
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Após queda do juro, CUT cobra agora redução do spread bancário
Em entrevista exclusiva à Carta Maior, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, diz que Banco do Brasil e Caixa deveriam liderar a redução do spread cobrados pelas instituições financeiras. “Os bancos ainda usam o falso argumento da inadimplência para cobrar 230% de juros no cartão de crédito. É uma verdadeira usura que precisa ser enfrentada”, diz ele, que, no dia 15, ao lado de outros sindicalistas, proporá à presidenta Dilma a criação de uma conferência nacional do setor financeiro.
Marcel Gomes
São Paulo – A redução mais intensa da taxa básica de juro, a selic, iniciada pelo Banco Central, é apenas o primeiro passo para tirar a economia brasileira da rota da crise internacional.
Na opinião do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, o governo precisa atentar agora para os spreads cobrados pelas instituições financeiras, que encarecem o crédito e penalizam o setor produtivo.
“Os bancos ainda usam o falso argumento da inadimplência para cobrar 230% de juros no cartão de crédito. É uma verdadeira usura que precisa ser enfrentada”, critica o sindicalista, em entrevista exclusiva.
No próximo dia 15 de março, ele e líderes de outras centrais se reunirão com a presidenta Dilma Rousseff em Brasília. No encontro, eles defenderão que o governo crie uma conferência nacional do setor financeiro, para debater “qual o papel dos bancos no Brasil”.
“Queremos sentar juntos, todos os setores interessados, os banqueiros, para que possamos ter clareza sobre os problemas e, assim, propor medidas para enfrentá-los”, disse Artur Henrique. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
Carta Maior – O governo acelerou o corte da taxa de juro básico da economia. Aprova a medida?
Artur Henrique – Sim, mas isso não basta. Ainda temos uma taxa de juro real de 3,5 a 4%. E os bancos ainda usam o falso argumento da inadimplência para cobrar 230% de juros no cartão de crédito. É uma verdadeira usura que precisa ser enfrentada.
CM – Por que “falso argumento”?
AH – Quando propusemos a criação do crédito consignado, a idéia era justamente enfrentar o argumento de que a inadimplência fazia o Brasil ter juros altos. Com essa modalidade, o pagamento do empréstimo sairia direito do salário do trabalhador, com risco zero. Mesmo assim, hoje se cobra até 23% de juro no crédito consignado. O spread é um absurdo.
CM – Como mudar isso?
AH – No próximo dia 15 temos reunião com a presidenta Dilma e vamos propor uma conferência nacional do sistema financeiro, para debater qual o papel dos bancos. Queremos sentar juntos, todos os setores interessados, os banqueiros, para que possamos ter clareza sobre os problemas e, assim, propor medidas para enfrentá-los, inclusive medidas legislativas.
CM – Os bancos públicos poderiam ajudar mais a derrubar o spread?
AH – Claro. No início da crise, em 2008, após a quebra do Lehman Brothers, fizemos uma campanha para que os trabalhadores trocassem seu banco por outro com juro menor. Banco do Brasil e Caixa tomaram a decisão de reduzir suas taxas na época, o que pressionou as instituições privadas a fazerem o mesmo. É uma estratégia que precisa ser repetida agora.
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