Na terça-feira (6), 53 deputados do PMDB subscreveram manifesto contra o que chamam de “hegemonia do PT” no governo. No dia seguinte (7), senadores rejeitaram indicação da presidenta Dilma Rousseff para a diretoria-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Para Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, o momento é de tranqüilidade e conversa para recompor a relação.
Najla Passos
Brasília – O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, admitiu, nesta quinta (8), que a relação do governo com os partidos da base aliada atravessa um momento de tensão, mas disse apostar em cabeça fria e diálogo para resolver o impasse.
“Este é um momento tenso, mas nós vamos dialogar, vamos conversar, vamos entender. Não é hora de nenhuma declaração precipitada. É hora de entender que a democracia implica em vitória, em derrotas”, afirmou, em rápida entrevista coletiva à imprensa.
De acordo com Carvalho, o processo democrático exige tranqüilidade. “Eu considero que a nossa relação com os partidos é suficientemente madura e bem fundamentada para a gente não sair rasgando as roupas de preocupação. A gente vai, com calma, conversar e recompor esta relação”, disse.
Na terça (6), 53 dos 76 deputados da bancada do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), principal legenda da base aliada, subscreveram um manifesto, endereçado ao vice-presidente Michel Temer, no qual se dizem insatisfeitos com o que chamam de “hegemonia do Partidos dos Trabalhadores (PT)” no governo.
“Todo o processo de decisão das políticas públicas do governo federal, hoje, não passa pela discussão, o debate, com os partidos da base e com o próprio PMDB”, diz o texto.
Os deputados se disseram preocupados a queda de braço política nas eleições municipais deste ano. “Estamos vivendo em uma encruzilhada, onde o PT se prepara com ampla estrutura governamental para tirar, do PMDB, o protagonismo municipalista e assumir seu lugar como maior partido com base municipal do país”.
Ontem (7), o Senado rejeitou à indicação da presidenta Dilma Rousseff de recondução de Bernardo Figueiredo ao cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Embora a votação tenha sido secreta, a contabilidade dos 36 votos contra a recondução, 31 a favor e 1 abstenção demonstram a participação dos senadores peemedebistas no resultado desfavorável ao governo.
O senador Roberto Requião (PMDB-PR), inclusive, foi quem defendeu a rejeição à Figueiredo com mais veemência. “Bernardo Figueiredo é um tecnocrata híbrido, defendendo o interesse do setor privado na associação nacional, assinando a concessão e modelando a privatização. Por muito menos este plenário já rejeitou indicações de administradores públicos”, afirmou.
Hoje, a presidenta Dilma lamentou o ocorrido, mas afirmou, por meio do seu porta-voz, Thomas Traumann, que irá respeitar a decisão da casa. Ainda não há previsão de quem será o novo indicado e nem de quando a indicação irá ocorrer.
Reforma ministerial
Na semana passada, durante a posse do novo ministro da Pesca, a presidenta já demonstrou preocupações com a relação do governo com a base aliada e defendeu sua política de coalizão. Dilma Rousseff chegou a chorar ao se despedir do ex-ministro, Luiz Sérgio, seu antigo companheiro no PT, para empossar Marcelo Crivela, do Partido Republicano Brasileiro (PRB), legenda do ex-vice-presidente José de Alencar.
“O presidente, ao chegar ao governo, tem o dever constitucional de governar para todos, inclusive para aqueles que não votaram nele, e ao mesmo tempo se apoia numa coalizão de partidos e isso não é contraditório. Só é contraditório para aqueles que não percebem que é possível e é necessário quando se chega ao governo eleito pelo voto popular falar para todos os brasileiros e brasileiras mesmo que você se apoie numa coalizão”, afirmou.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cartamaior.com.br