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Por 09:54 Sem categoria

Depressão é fruto de pressão

No mundo volátil que se impõe, deparamo-nos diariamente com os apelos pelo cumprimento de nossas obrigações, metas, objetivos, transformando a nossa vida na planilha do dia seguinte.

O discurso hipnótico nos tira qualquer tempo para refletir, avaliar ou mesmo reagir à desconstrução de nossa humanidade. Não raro muitos bancários se entregam involuntariamente a um ambiente frenético de competição, de quebra de valores, de esquecimento da ética que lhes é ensinada, a título de formalidade, para cumprir as metas.

Esse constante conflito entre o mundo ideal que os patrões mostram em seus comerciais e o mundo dos noticiários, do ranking no Procon ou no Banco Central, existe a realidade do trabalho, do ambiente insano e insalubre das metas abusivas. Mas o que é abusivo ou não abusivo? Qual o parâmetro para definir este conceito? É moral uma empresa dobrar sua lucratividade em dois anos? É demais para o trabalhador pedir salário ou dignidade de tratamento?

Dalai Lama, líder espiritual tibetano, recomendado por vários neo-gurus da administração moderna, lembra-nos que as pessoas gastam sua saúde para obter dinheiro e depois gastam todo o dinheiro conquistado para recuperar sua saúde. Muitos colegas bancários sabem do que estou falando. Façam um exercício de memória e tentem lembrar dos colegas que se afastaram do ambiente de trabalho por motivo de saúde. O perfil dos adoentados: colegas próximos aos 10 anos de casa, já desgastados e esmerilhados pela engrenagem das habilidades e competências, em nome dos resultados. Colegas que ajudaram a construir a solidez dos balanços e dos resultados, que construíram a riqueza alheia e apropriada pelos seus patrões e destruíram, por vezes, sua identidade, sua saúde e sua humanidade.

A depressão é um dos males que atinge os bancários, sempre cobrados a cumprir metas maiores, não tendo tempo para comemorar os sucessos anteriores. Como a lógica é a da selvageria, a pressão de administradores de planilha sobre o trabalhador se intensifica e, os trabalhadores só irão suportar enquanto sua juventude ou saúde lhes permitir. Quando se derem conta, não servirão mais e serão apenas mais um número na estatística de rotatividade do emprego, já que o patronato sempre dispõe de “carne nova” para o consumo. Senhoras e senhores, a depressão é filha de pressão.

Por Pablo Diaz, que é trabalhador bancário no Banco do Brasil e secretário de Assuntos dos Bancos Públicos.

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.bancariosdecuriitba.org.br.

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