Durante o mês de maio, o Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região está publicando uma série de conteúdos sobre o endividamento da população, o comprometimento da renda e o efeito de percepção na qualidade de vida das pessoas, entendendo que os trabalhadores e trabalhadoras bancárias, além de terem metas a cumprir com essa oferta de produtos, é também exposta, ao também ser parte da população endividada.
Na semana passada, relatamos, a partir de dados disponíveis no Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central (2025), a situação do endividamento no Brasil e da oferta de crédito pelo sistema financeiro. Cobramos a responsabilidade dos bancos em assumir sua função social na oferta de créditos impagáveis para parte da população.

Nesta semana, recortamos dados estratificados do tipo de crédito acessado por gênero e raça, considerando a população que trabalha com carteira assinada no Brasil.
Diferenças na qualidade do crédito
Conforme o Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central, as instituições financeiras sabem exatamente o tipo de crédito a oferecer para cada tipo de público que o consome mais. E nem por isso os bancos utilizam desta informação para que a cobrança de juros considere o impacto real desse comprometimento de renda na vida das pessoas.
Das 203 milhões de pessoas adultas no país (Censo 2022), 52,2 milhões estavam na base de Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2023, referente ao emprego formal no país e 77% dessas pessoas utilizam o crédito bancário ofertado. Desse universo, as mulheres contrataram créditos mais caros que os homens em 2024. O uso do crédito entre as mulheres negras no emprego formal é de 38% através do cartão de crédito, sendo 20% no rotativo e 18% no parcelado. Entre os homens brancos com emprego formal, esses percentuais são de 32%, 19% e 13%, respectivamente.
Já o uso do crédito por financiamento de veículos, em que as taxas são mais baixas, o percentual de uso é inverso: o uso pelos homens brancos é de 15% e o de mulheres negras é de 10%. Já o empréstimo consignado é acessado mais pelas mulheres negras (26%) do que pelos homens brancos (21%) e o maior percentual de uso dessa modalidade de crédito é entre mulheres brancas (27%).

Entre esses trabalhadores com emprego formal, as pessoas negras pagaram taxas mais altas do que as pessoas brancas independentemente do gênero.
Crédito para baixa renda
Utilizando dados do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) 2024, o relatório do BC expõe que quase 70% da população inscrita é de pessoas pardas ou pretas, quanto que o acesso ao crédito é majoritariamente ofertado por bancos comerciais, tanto na Rais quanto no CadÚnico, em que as operações por estas instituições contemplam entre 63% (mulher negra) e 79,8% (homem branco) desses clientes.
A população inscrita no CadÚnico é de 66,8 milhões de pessoas, sendo 40 milhões de mulheres e 26,8 milhões de homens. Entre os inscritos no CadÚnico, o uso do cartão de crédito é maior entre as mulheres (47% e, pelos homens, 34%). Os homens utilizaram mais o cheque especial, empréstimo pessoal, o consignado e o financiamento de veículos.
No CadÚnico, considerando o mesmo gênero, as pessoas de raça negra utilizaram créditos mais caros que as pessoas de raça branca. Na população da RAIS, as pessoas de raça negra pagaram taxas mais altas do que as pessoas de raça branca independentemente do gênero.
O comprometimento da renda é de quase 30% entre as mulheres endividadas de baixa renda e esse percentual é em média de 20% entre os homens. O único estrato de comprometimento de renda que os homens têm equivalência com as mulheres é entre as pessoas em situação de rua.
Endividamento entre jovens
Entre 2020 e 2024, a idade média do primeiro acesso à bancarização caiu de 35 anos para 20 anos, chegando a 27,6 milhões de pessoas em 2024, sendo que 70% desse público tem renda de até dois salários mínimos. Adultos com acesso a crédito cresceram 63% e idosos 87% no mesmo período.
A inadimplência do endividamento do jovem é maior do que a dos adultos e idosos e para renda acima de cinco salários mínimos a diferença na inadimplência do jovem em relação a dos adultos é mais evidente:
Conforme o gráfico da inadimplência, cerca de 35% dos jovens endividados no cartão de crédito (rotativo e parcelado) estão inadimplentes. Esse percentual é de 33% entre a população adulta e de 18% entre pessoas idosas.
No uso do cheque especial, 19% dos jovens estavam inadimplentes (14% dos adultos e 12% dos idosos); os índices de inadimplência dos jovens também é superior a adultos e idosos nos demais créditos ofertados (pessoal, financiamento automotivo, consignado e imobiliário).

Para o BC, duas variáveis de oferta de crédito explicam o superendividamento: o uso de todo o limite de crédito e o uso do rotativo do cartão de crédito. E as pessoas de baixa renda representavam 70% das pessoas com dívidas em atraso.
Medidas contra a inadimplência
Em atenção à oferta de crédito pelas instituições financeiras que se tornaram impagáveis para as pessoas que têm acesso a essa oferta de crédito e as utilizam, no final do mês de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que anualmente seja corrigido pelo Banco Central o valor mínimo essencial para evitar o superendividamento, que atualmente é de R$ 600.
Já o Governo do Brasil, que lançou o Programa Desenrola, que na sua primeira fase proporcionou cerca de R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas, beneficiando mais de 15 milhões de pessoas, com descontos concedidos nas renegociações em média de 90,1% para pagamentos à vista e 84,7% para pagamentos parcelados. Estima-se que a inadimplência para a população mais vulnerável foi reduzida em 8,7%.
🔗 Com informações do Relatório de Cidadania Financeira 2025
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Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região