Para uma redução significativa dos juros bancários cobrados de pessoas físicas e jurídicas, o governo terá de combinar ao corte da Selic uma diminuição do recolhimento compulsório e dos impostos cobrados das instituições financeiras. A explicação é do economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), Roberto Luís Troster.
“Se não houver melhora do quadro institucional, aperfeiçoamento das normas e mudanças na tributação, fica difícil”, afirmou ele, em entrevista telefônica.
Na próxima quarta-feira, a Febraban detalhará um estudo coordenado pelos professores Alexandre Assaf Neto e L. Nelson Carvalho. Segundo
a pesquisa, os acionistas de um banco levam, em média, R$ 8,10 para cada R$ 100,00 de receita auferida pela instituição.
Outro trabalho, sob a responsabilidade dos professores Eliseu Martins e Hiran Siqueira Lima, mostra que os donos dos bancos ficam com apenas R$ 0,10 de cada R$ 1 cobrado dos clientes a título de juros.
Além disso, o estudo mostra que os 11 bancos consultados ganharam mais com operações de crédito em 2005 do que nas transações fechadas por suas Tesourarias. Foram, conforme a análise, R$ 5,5 bilhões (42% do total) conseguidos via empréstimos realizados a terceiros, ante R$ 2,6 bilhões (20%) vindos dos negócios financeiros.
Inadimplência
O economista-chefe da Febraban lembrou também da inadimplência e da burocracia judicial como fatores que inibem a queda dos juros. Para cada R$ 1 de receita financeira, foram perdidos 9% devido ao não-pagamento.
Fonte: Folha de São Paulo
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