São Paulo – A omissão do governo e a ganância do setor sucroalcooleiro são responsáveis pelo aumento de preços do etanol, afirma o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze.
Segundo Reze, a indústria sucroalcooleira foi subsidiada pelo governo com o Proálcool, em 1979, e nunca devolveu esses benefícios para a sociedade. Já a omissão do governo ocorre porque nunca fez nada para evitar a falta do produto no mercado. “De 1979 até aqui não foi criada uma regra para o setor automobilístico ou para o setor sucroalcooleiro em que você não tivesse os solavancos [de preço] que a gente tem”, afirmou.
Reze defendeu a necessidade de um estoque regulador para evitar uma eventual falta de produto no mercado. “Não houve nenhum tipo de ação do governo através de suas agências reguladoras, do Ministério da Agricultura ou do Ministério de Minas e Energia. Ninguém mexeu para dizer que deve haver um estoque regulador para atender o crescimento da demanda”. Para o presidente da Fenabrave, no entanto, a decisão de transferir a responsabilidade sobre o etanol para a Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostrou que o “governo acordou” para o problema.
Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo.
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Unica estima queda gradual nos preços do etanol com início da safra 2011/2012
São Paulo – A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) afirmou hoje (29) que os preços do etanol anidro e do hidratado devem começar a baixar gradualmente por causa do aumento da oferta do produto, provocado pelo início das atividades da safra 2011/2012 de cana-de-açúcar, na região Centro-Sul do país.
Em nota, a Unica comunicou a estimativa de que quase 200 usinas devem fechar a semana em plena atividade, de um total de 335 na região Centro-Sul. “O aumento já observado no volume de etanol disponível no mercado, combinado com a demanda reduzida, deve forçar os preços para baixo na usina e resultar, eventualmente, em preços menores também na bomba”, diz a nota.
Segundo o diretor técnico da Unica, Antonio de Paula Rodrigues, a produção de etanol neste início de safra está priorizando o anidro, que é misturado à gasolina. “Como o consumo da gasolina subiu, é importante assegurar o fornecimento do anidro para a mistura. Conforme a produção crescer e os preços forem se normalizando, o proprietário do carro flex também deve voltar gradativamente a optar pelo etanol hidratado, que já estará sendo oferecido em volumes mais elevados”, disse Rodrigues.
A expectativa da Unica é que os preços médios do anidro e do hidratado, nesta semana, devem registrar queda de 7% a 10% no final do dia. A Unica também espera que a oferta de etanol atinja 1 bilhão de litros em abril.
Ontem (28), a presidenta Dilma Rousseff assinou a Medida Provisória (MP) 532, mudando a classificação do etanol de produto agrícola para combustível, passando a comercialização, estocagem, importação e exportação do produto para o controle da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Na mesma MP, o governo também determinou a redução do percentual mínimo de mistura de álcool anidro na gasolina. Atualmente, esse percentual varia entre 20% e 25% e, agora, poderá variar de 18% a 25%.
As duas medidas são tentativas do governo para reduzir a pressão inflacionária do álcool combustível, provocada pelo aumento dos preços do produto na entressafra da cana-de-açúcar.
Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.
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Especialistas debatem medidas do governo para enfrentar crise do etanol
Brasília – O diretor da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) Ricardo Viana afirmou que a decisão do governo de mudar a classificação do etanol (de produto agrícola para combustível estratégico) “atende à antiga reivindicação da categoria”. Haverá, segundo ele, maior regulação do setor, porque o produto “só se tornava combustível, e não meramente um produto agrícola, quando era emitida nota fiscal na saída da usina para redirecionamento à distribuidora”.
O controle que será feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), determinado por medida provisória assinada ontem (29) pela presidenta Dilma Rousseff, segundo ele, “pelo menos resolve a questão da definição”.
Viana teme que o preço da gasolina seja muito afetado pela escassez que começa a se verificar no mercado revendedor e que seja necessário importar o derivado de petróleo, que custa 20% a mais no exterior. A escassez do etanol provocou aumento do consumo de gasolina, que já começa a faltar em algumas cidades do país, segundo ele.
O pesquisador da Embrapa e especialista em agroenergia José Manoel Cabral acredita que o governo passa a ter condições de “implementar um plano estratégico, através da ANP, para aumentar a produção de álcool. Com a mudança do status do combustível, que passa para a categoria de insumo estratégico, haverá melhor condição para planejar a produção e a distribuição, com regulação do percentual de mistura [de álcool na gasolina]”.
Para o diretor técnico da União Nacional da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, “é de se esperar a instalação de novas unidades de processamento da cana-de-açúcar como aconteceu entre 2005 e 2008 e, também, o aumento da lavoura para aumentar a fabricação do etanol”. Essa será, segundo ele, a solução para regularizar o abastecimento interno do álcool combustível. Em 2005, havia um cenário muito positivo de produção e o Brasil saiu de um estoque de 300 mil toneladas de cana para 600 mil toneladas anuais. Na época, o número de usinas cresceu na mesma proporção, segundo Pádua Rodrigues, mas, a partir de 2008, houve retração da oferta de etanol e não se viu mais a instalação de novas plantas. Por isso, o diretor da Unica alertou que o investidor precisa ter segurança de retorno financeiro do negócio, pois é preciso gastar dezenas de milhões de dólares em novas usinas. A redução do percentual mínimo de mistura do álcool à gasolina de 20% para 18%, decidida ontem, é uma medida que pode ajudar apenas em momentos pontuais, segundo ele.
O economista e pesquisador do Núcleo de Economia Industrial da Unicamp (SP) Fernando Sarti estima que a baixa produção atual de etanol “é bastante preocupante e mostra que há desorganização entre estoques e demanda. Para que o mercado do etanol seja estável, é preciso pensá-lo para [alcançar] uma estabilidade de fornecimento nos próximos vinte anos, levando em consideração não apenas o mercado doméstico, mas, também, o internacional. O fato de os mercados de energia estarem bastante concentrados em todo o mundo é um desafio maior para o planejamento de longo prazo”, disse o pesquisador.
Os quatro especialistas participaram esta manhã do programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, que discutiu as medidas tomada ontem pelo governo para enfrentar a crise do etanol e a situação atual do mercado de combustíveis no país.
Por Lourenço Melo – Repórter da Agência Brasil. Edição: Vinicius Doria.
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