Salvador – A formação de pessoal é o principal foco das organizações voltadas para a economia solidária no país. Segundo levantamento preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 40% das atividades desses grupos estão voltadas para a capacitação profissional de seus integrantes. Em seguida, com 34% das respostas, aparece o trabalho de articulação e mobilização em defesa dos interesses das comunidades.
A pesquisa do MTE, que deve estar concluída nos próximos meses (uma nova ida a campo está prevista para a complementação de dados), foi apresentada hoje (8) na 5ª Expo Brasil Desenvolvimento Local, em Salvador (BA). O objetivo do estudo é construir uma base nacional de informações sobre economia solidária. “O levantamento vai servir também para fortalecer e integrar redes e subsidiar políticas públicas, além de ajudar a elaborar um marco jurídico para o setor”, afirma a coordenadora da pesquisa, Débora Rodrigues.
Em 2004, o Brasil tinha 14.954 organizações de economia solidária espalhadas por 2.274 cidades – 41% dos 5.561 municípios. As regiões Norte e Nordeste concentram a maior parte dessas entidades. No norte, 56% das cidades apresentam algum grupo de economia solidária. Os dados são do Sistema Nacional de Informações de Economia Solidária (Sies), do MTE.
De acordo com o Sies, os empreendimentos de colaboração solidária têm características como o trabalho coletivo, autogestão, justiça social, cuidado com o meio ambiente e responsabilidade com as gerações futuras.
A V Expo Brasil, que termina hoje, apresenta, desde quarta-feira (6), experiências de sucesso desenvolvidas pelas comunidades brasileiras e de países de língua portuguesa. A idéia do encontro é a troca de experiências e o debate sobre o
futuro do setor.
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Catadores de lixo apresentam iniciativa comunitária de sucesso
Salvador – Durante 30 anos, a comunidade de Jardim Gramacho sobreviveu com o que retirava do lixão. Algumas gerações cresceram separando material reciclável. Após três décadas de uso do local para o despejo do lixo da região metropolitana do Rio de Janeiro, o governo carioca decidiu que, em 2007, desativará o aterro.
O fim do lixão, se é bom para a saúde pública, vai gear um problema para a comunidade: três mil catadores ficarão “desempregados”, prejudicando indiretamente dez mil pessoas que vivem do lixão.
Para enfrentar a situação, a comunidade resolveu agir, usando como arma a mobilização popular. Criou o Fórum Comunitário de Jardim Gramacho, no município de Duque de Caxias, formado por diferentes atores locais: representantes de associações de catadores, igrejas, organizações e grupos comunitários, totalizando 26 instituições. E, dessa união, finalizou um plano de ação voltado para o desenvolvimento do bairro.
A experiência vem dando bons resultados e foi apresentada na 5ª Expo Brasil Desenvolvimento Local, que acontece em Salvador (BA). O encontro reúne iniciativas comunitárias de sucesso.
Jardim Gramacho possui 20 mil habitantes e bolsões de miséria – 50% da população sobrevive de reciclagem. Sem saneamento básico, as pessoas moram em barracos de madeira e papelão e em palafitas. Durante anos, os caminhões, além de despejarem o lixo, deixavam também poeira, barulho e doenças, devido aos dejetos e a proliferação de ratos e insetos.
Segundo Glória Cristina dos Santos, 23 anos, representante da Associação de Catadores do Aterro de Jardim Gramacho na Expo Brasil, os sete municípios que formam a região metropolitana carioca utilizavam o bairro como destino final para seu lixo. Ela defende que existe uma dívida social, ambiental e moral com os moradores da área.
Antes que o lixão seja desativado, o Fórum Comunitário desenvolveu um plano de ação, que já teve algumas conquistas: a consolidação de um sistema de coleta seletiva com núcleos descentralizados de Duque de Caxias; a cessão de um espaço para a construção do Pólo de Reciclagem, administrado pelos catadores; o possível reconhecimento profissional da categoria de catador de lixo, para que sejam contratados como prestadores de serviço; a abertura de um posto de saúde 24 horas; a construção de uma creche e aumento do número de vagas na escola local.
“Estávamos esquecidos. Hoje, somos respeitados. A luta em conjunto fortalece as iniciativas da comunidade”, resume Glória Cristina, catadora há 16 anos, como a mãe e os oito irmãos.
De acordo com estimativas da Cooperativa de Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho, de um total de 40% do lixo reciclável gerados no aterro, apenas 2% são reaproveitados. O restante é enterrado com o material orgânico por falta de uma política efetiva voltada para a reciclagem. Já a entidade Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), traz os seguintes dados: no Rio de Janeiro, com 92 municípios, apenas 13 cidades têm programas de coleta seletiva; no Brasil, apenas 273 municípios –dos mais de cinco mil – têm programas oficiais de reciclagem, ou seja, 5% do total.
Por José Carlos Mattedi, enviado especial pela Agência Brasil. A equipe da Radiobrás viajou a convite da Rede de Informações para o Terceiro Setor (Rits).
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