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Fraudes com cartão afetam dez pessoas por dia em Curitiba

A tecnologia que trouxe segurança e comodidade ao substituir dinheiro vivo e talões de cheque por um simples cartão de plástico se transformou em um alvo fácil para os golpistas. Em Curitiba, foram registrados mais de dez boletins de ocorrência por dia durante o mês de abril devido a prejuízos com cartões bancários. As 316 queixas correspondem a 62% do total de casos repassados ou atendidos no período pela Delegacia de Estelionato e Roubo de Carga. A maioria dessas reclamações está ligada à clonagem dos dados gravados nas tarjas magnéticas.
A explosão das fraudes no estado começou a partir do segundo semestre do ano passado. Durante o mês de maio de 2004, houve apenas 14 ocorrências do gênero atendidas pela delegacia – número 22 vezes menor do que o registrado no mês passado. De acordo com a delegada Vanessa Alice, o aumento e a dificuldade do combate a esse tipo de crime estão relacionados à extensa rede de pessoas envolvidas no golpe. “Os estelionatários formam quadrilhas enormes e interligadas, com ramificações espalhadas por várias regiões do país e às vezes até fora do país”, diz a policial.
Essa sofisticação nas ações ocorre principalmente nos crimes de clonagem. Os grupos criminosos mais bem estruturados copiam os dados de cartões utilizados em um estado e depois repassam para outro, onde são realizadas as compras, saques ou transferências. Em agosto do ano passado, o bando comandado em Curitiba por Paulo César de Oliveira, 34 anos, foi preso com sete cartões de crédito que continham dados de usuários do Rio de Janeiro. “Os cartões foram clonados e modificados lá, para depois serem vendidos para esse grupo daqui”, explica Vanessa.
A ala paranaense da quadrilha pagava R$ 100 para cada R$ 300 de crédito contido nos cartões, que eram utilizados para fazer compras. Os produtos adquiridos eram de diferentes tipos e preços – de televisores a engradados de cerveja – e destinados para diversos compradores. A delegada conta que chegou a autuar distribuidoras de bebida do litoral por terem comprado produtos dentro desse esquema. “Todos os envolvidos estão cometendo um crime, inclusive os receptadores. Só que para chegar a todos eles, em todos os estados, seria necessária a criação de um banco de dados nacional”, ressalta.
Fragilidade
Além da organização dos golpistas, a fragilidade tecnológica das tarjas magnéticas facilita as fraudes. Após duas décadas de uso do sistema no Brasil, é possível comprar legalmente todos os equipamentos necessários para clonar um cartão. “Os mecanismos são vendidos no comércio em geral, em lojas de informática e automação comercial. Essa parafernália vive num limbo jurídico”, diz Jorge Ramos Figueiredo, consultor de segurança de bancos e responsável pelo único curso público sobre fraudes com cartões magnéticos, ministrado na Universidade Federal do Ceará.
Ele explica que para montar um “laboratório de clonagem” é preciso ter três equipamentos: uma impressora (para a fabricação da parte física do cartão), uma processadora de trilhas magnéticas (para a gravação e leitura dos dados lógicos contidos na tarja) e um skimming, conhecido como “chupa-cabra” (utilizado apenas para copiar os cartões). Todos esses instrumentos podem ser comprados, inclusive pela internet, por até R$ 250 mil. O valor pode parecer alto, mas é irrisório perto dos R$ 200 milhões de prejuízos causados por ano pelos fraudadores, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Créditos e Serviços (Abecs).
Com todo o maquinário em mãos, o golpe se torna até simples. Normalmente um vendedor está envolvido no crime e, antes ou depois de passar o cartão na máquina de pagamento, ele copia os dados da tarja magnética no “chupa-cabra”. Depois disso, repassa as informações para a processadora de trilhas, que trabalha em um sistema similar a um leitor de disquete de computador. Por último, a parte física e gráfica é reproduzida por uma impressora especial, o que torna o cartão clonado facilmente aceitável no mercado.
Fonte: Gazeta do Povo – André Gonçalves

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Fraudes com cartão afetam dez pessoas por dia em Curitiba

A tecnologia que trouxe segurança e comodidade ao substituir dinheiro vivo e talões de cheque por um simples cartão de plástico se transformou em um alvo fácil para os golpistas. Em Curitiba, foram registrados mais de dez boletins de ocorrência por dia durante o mês de abril devido a prejuízos com cartões bancários. As 316 queixas correspondem a 62% do total de casos repassados ou atendidos no período pela Delegacia de Estelionato e Roubo de Carga. A maioria dessas reclamações está ligada à clonagem dos dados gravados nas tarjas magnéticas.

A explosão das fraudes no estado começou a partir do segundo semestre do ano passado. Durante o mês de maio de 2004, houve apenas 14 ocorrências do gênero atendidas pela delegacia – número 22 vezes menor do que o registrado no mês passado. De acordo com a delegada Vanessa Alice, o aumento e a dificuldade do combate a esse tipo de crime estão relacionados à extensa rede de pessoas envolvidas no golpe. “Os estelionatários formam quadrilhas enormes e interligadas, com ramificações espalhadas por várias regiões do país e às vezes até fora do país”, diz a policial.

Essa sofisticação nas ações ocorre principalmente nos crimes de clonagem. Os grupos criminosos mais bem estruturados copiam os dados de cartões utilizados em um estado e depois repassam para outro, onde são realizadas as compras, saques ou transferências. Em agosto do ano passado, o bando comandado em Curitiba por Paulo César de Oliveira, 34 anos, foi preso com sete cartões de crédito que continham dados de usuários do Rio de Janeiro. “Os cartões foram clonados e modificados lá, para depois serem vendidos para esse grupo daqui”, explica Vanessa.

A ala paranaense da quadrilha pagava R$ 100 para cada R$ 300 de crédito contido nos cartões, que eram utilizados para fazer compras. Os produtos adquiridos eram de diferentes tipos e preços – de televisores a engradados de cerveja – e destinados para diversos compradores. A delegada conta que chegou a autuar distribuidoras de bebida do litoral por terem comprado produtos dentro desse esquema. “Todos os envolvidos estão cometendo um crime, inclusive os receptadores. Só que para chegar a todos eles, em todos os estados, seria necessária a criação de um banco de dados nacional”, ressalta.

Fragilidade

Além da organização dos golpistas, a fragilidade tecnológica das tarjas magnéticas facilita as fraudes. Após duas décadas de uso do sistema no Brasil, é possível comprar legalmente todos os equipamentos necessários para clonar um cartão. “Os mecanismos são vendidos no comércio em geral, em lojas de informática e automação comercial. Essa parafernália vive num limbo jurídico”, diz Jorge Ramos Figueiredo, consultor de segurança de bancos e responsável pelo único curso público sobre fraudes com cartões magnéticos, ministrado na Universidade Federal do Ceará.

Ele explica que para montar um “laboratório de clonagem” é preciso ter três equipamentos: uma impressora (para a fabricação da parte física do cartão), uma processadora de trilhas magnéticas (para a gravação e leitura dos dados lógicos contidos na tarja) e um skimming, conhecido como “chupa-cabra” (utilizado apenas para copiar os cartões). Todos esses instrumentos podem ser comprados, inclusive pela internet, por até R$ 250 mil. O valor pode parecer alto, mas é irrisório perto dos R$ 200 milhões de prejuízos causados por ano pelos fraudadores, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Créditos e Serviços (Abecs).

Com todo o maquinário em mãos, o golpe se torna até simples. Normalmente um vendedor está envolvido no crime e, antes ou depois de passar o cartão na máquina de pagamento, ele copia os dados da tarja magnética no “chupa-cabra”. Depois disso, repassa as informações para a processadora de trilhas, que trabalha em um sistema similar a um leitor de disquete de computador. Por último, a parte física e gráfica é reproduzida por uma impressora especial, o que torna o cartão clonado facilmente aceitável no mercado.

Fonte: Gazeta do Povo – André Gonçalves

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