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Gazeta do Povo: Paralisação deve continuar sem serviços básicos de auto-atendimento na semana que vem

Greve de bancários fecha 180 agências em Curitiba

A greve deflagrada ontem pelos bancários envolveu 190 mil dos 400 mil bancários do país – cerca de 24 mil no Paraná –, paralisou cerca de 180 agências de diferentes bancos em Curitiba e região e mais 80 no interior do estado. A paralisação causou transtornos aos clientes e deve continuar por tempo indeterminado. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ainda não ofereceu uma contraproposta à reivindicação salarial da categoria. Até agora, a oferta é de reajuste salarial de 2,85%, enquanto os bancários pedem reposição de 7,05%.

A Fenaban argumenta que o reajuste de 2,85% é equivalente à inflação medida nos últimos 12 meses pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A entidade alterou a proposta em relação ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que ficaria em 80% do salário mais R$ 823 de parte fixa, contra R$ 816 anteriormente. Nos bancos em que o lucro cresceu ao menos 20% neste ano, a PLR seria acrescida ainda de R$ 750.

Foram sete rodadas de negociação entre os bancos e os representantes da categoria, desde 10 de agosto. Os bancários chegaram a fazer 24 horas de greve nacional no dia 25 de setembro e, ontem, seis estados e seis capitais já haviam parado. Em reunião segunda-feira, os sindicalistas avisaram que o reajuste de 2,85% não contempla as reivindicações da categoria. “Nós sabemos que eles podem conceder mais. Em 2004 e em 2005 conseguimos aumento real. Este ano os bancos obtiveram lucros enormes”, afirmou José Paulo Staub, secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região.

No ano passado, quando houve greve de seis dias, os bancários receberam reajuste de 6% (1% de aumento real), mais R$ 1,7 mil de abono e PLR mínima de 80% do salário mais R$ 800. Na ocasião, a primeira proposta dos bancos foi de 4% de reajuste.

No país, aderiram à greve os sindicatos de Belo Horizonte (MG), Maranhão, Rondônia, Rio de Janeiro e Brasília. Outros bancários já estavam em greve e continuaram em Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Piauí e Goiás.

Clientes reclamam

A greve dos bancários gerou protestos de clientes que não conseguiram resolver seus afazeres financeiros ontem. Adolpho Correa Netto, administrador hospitalar aposentado, disse que foi impedido de entrar na sala de auto-atendimento da agência da Marechal Deodoro do Banco do Brasil, no centro. “Duas pessoas na porta disseram que não eram bancários, mas funcionários do sindicato. A greve é um direito da classe bancária, o problema é quando outras pessoas vêm impedir você de entrar na agência”, reclamou. Em outras quatro agências bancárias centrais, havia piquete de pessoas que diziam trabalhar para o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, mas que não eram bancários. “A gente pode usar o caixa eletrônico para sacar dinheiro ou fazer pagamentos, é um direito que a gente tem. Se acabar o dinheiro na máquina, aí tudo bem, é greve. Mas enquanto a máquina está lá, peço que meu direito de cidadão seja respeitado”, insistia Adolpho.

O secretário de bancos públicos do sindicato, Antônio Fermino, disse que foi feito um acordo com os bancos para manter o auto-atendimento funcionando em algumas agências, pois o mês está no começo e muitas pessoas recebem salários nesta época. “Mas, na segunda-feira não vai ter nada funcionando”, adiantou. Sobre os transtornos provocados pela paralisação, Fermino disse que a greve é a última opção da categoria para reivindicar seus direitos e que 90% das pessoas com quem conversou apoiavam o movimento.

Na saída da agência Carlos Gomes da Caixa Econômica Federal, a cliente Edna Guimarães reclamou que não conseguia retirar dinheiro do caixa automático, que estava sem nada. “Queria fazer um depósito também. Achei ruim [a greve], porque me afeta diretamente”, falou. Para Carla Renaud, correntista do HSBC, que estava saindo da agência da Rua XV de Novembro, enquanto ela puder tirar dinheiro a greve não vai atrapalhar. “Mas eu não precisei do meu gerente, porque se precisasse ia complicar”, acrescentou.

Por Marco Sanchotene
Fonte: Gazeta do Povo

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Lotéricas ficaram cheias no centro de Curitiba

A greve dos bancários foi boa para pelo menos um setor da economia. As casas lotéricas estavam lotadas no centro de Curitiba. Na Lotérica Iguaçu, na rua José Loureiro, o movimento aumentou, segundo o funcionário Sebastião Padilha, que não soube especificar quantas pessoas atendeu, além do número usual. “Acho que amanhã vai aumentar mais ainda”, acrescentou. No entanto, apesar do aumento da freguesia, Padilha não concorda com a greve. “Para a população não é boa. Parece coisa de agitação de malandro e gera transtorno.”

As lotéricas e os caixas automáticos são os canais que os clientes bancários devem usar para pagar dívidas que vençam durante o tempo que durar a greve. Órgãos de defesa e orientação ao consumidor, como o Procon, costumam recomendar aos correntistas que não deixem os pagamentos para depois porque, mesmo com a greve, terão de pagar juros e multas pelas contas atrasadas. Alguns pagamentos também podem ser feitos pela internet, como contas de telefone e cartão de crédito, desde que seja até o dia do vencimento. (MS)

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Gazeta do Povo: Paralisação deve continuar sem serviços básicos de auto-atendimento na semana que vem

Greve de bancários fecha 180 agências em Curitiba
A greve deflagrada ontem pelos bancários envolveu 190 mil dos 400 mil bancários do país – cerca de 24 mil no Paraná –, paralisou cerca de 180 agências de diferentes bancos em Curitiba e região e mais 80 no interior do estado. A paralisação causou transtornos aos clientes e deve continuar por tempo indeterminado. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ainda não ofereceu uma contraproposta à reivindicação salarial da categoria. Até agora, a oferta é de reajuste salarial de 2,85%, enquanto os bancários pedem reposição de 7,05%.
A Fenaban argumenta que o reajuste de 2,85% é equivalente à inflação medida nos últimos 12 meses pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A entidade alterou a proposta em relação ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que ficaria em 80% do salário mais R$ 823 de parte fixa, contra R$ 816 anteriormente. Nos bancos em que o lucro cresceu ao menos 20% neste ano, a PLR seria acrescida ainda de R$ 750.
Foram sete rodadas de negociação entre os bancos e os representantes da categoria, desde 10 de agosto. Os bancários chegaram a fazer 24 horas de greve nacional no dia 25 de setembro e, ontem, seis estados e seis capitais já haviam parado. Em reunião segunda-feira, os sindicalistas avisaram que o reajuste de 2,85% não contempla as reivindicações da categoria. “Nós sabemos que eles podem conceder mais. Em 2004 e em 2005 conseguimos aumento real. Este ano os bancos obtiveram lucros enormes”, afirmou José Paulo Staub, secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região.
No ano passado, quando houve greve de seis dias, os bancários receberam reajuste de 6% (1% de aumento real), mais R$ 1,7 mil de abono e PLR mínima de 80% do salário mais R$ 800. Na ocasião, a primeira proposta dos bancos foi de 4% de reajuste.
No país, aderiram à greve os sindicatos de Belo Horizonte (MG), Maranhão, Rondônia, Rio de Janeiro e Brasília. Outros bancários já estavam em greve e continuaram em Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Piauí e Goiás.
Clientes reclamam
A greve dos bancários gerou protestos de clientes que não conseguiram resolver seus afazeres financeiros ontem. Adolpho Correa Netto, administrador hospitalar aposentado, disse que foi impedido de entrar na sala de auto-atendimento da agência da Marechal Deodoro do Banco do Brasil, no centro. “Duas pessoas na porta disseram que não eram bancários, mas funcionários do sindicato. A greve é um direito da classe bancária, o problema é quando outras pessoas vêm impedir você de entrar na agência”, reclamou. Em outras quatro agências bancárias centrais, havia piquete de pessoas que diziam trabalhar para o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, mas que não eram bancários. “A gente pode usar o caixa eletrônico para sacar dinheiro ou fazer pagamentos, é um direito que a gente tem. Se acabar o dinheiro na máquina, aí tudo bem, é greve. Mas enquanto a máquina está lá, peço que meu direito de cidadão seja respeitado”, insistia Adolpho.
O secretário de bancos públicos do sindicato, Antônio Fermino, disse que foi feito um acordo com os bancos para manter o auto-atendimento funcionando em algumas agências, pois o mês está no começo e muitas pessoas recebem salários nesta época. “Mas, na segunda-feira não vai ter nada funcionando”, adiantou. Sobre os transtornos provocados pela paralisação, Fermino disse que a greve é a última opção da categoria para reivindicar seus direitos e que 90% das pessoas com quem conversou apoiavam o movimento.
Na saída da agência Carlos Gomes da Caixa Econômica Federal, a cliente Edna Guimarães reclamou que não conseguia retirar dinheiro do caixa automático, que estava sem nada. “Queria fazer um depósito também. Achei ruim [a greve], porque me afeta diretamente”, falou. Para Carla Renaud, correntista do HSBC, que estava saindo da agência da Rua XV de Novembro, enquanto ela puder tirar dinheiro a greve não vai atrapalhar. “Mas eu não precisei do meu gerente, porque se precisasse ia complicar”, acrescentou.
Por Marco Sanchotene
Fonte: Gazeta do Povo
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Lotéricas ficaram cheias no centro de Curitiba
A greve dos bancários foi boa para pelo menos um setor da economia. As casas lotéricas estavam lotadas no centro de Curitiba. Na Lotérica Iguaçu, na rua José Loureiro, o movimento aumentou, segundo o funcionário Sebastião Padilha, que não soube especificar quantas pessoas atendeu, além do número usual. “Acho que amanhã vai aumentar mais ainda”, acrescentou. No entanto, apesar do aumento da freguesia, Padilha não concorda com a greve. “Para a população não é boa. Parece coisa de agitação de malandro e gera transtorno.”
As lotéricas e os caixas automáticos são os canais que os clientes bancários devem usar para pagar dívidas que vençam durante o tempo que durar a greve. Órgãos de defesa e orientação ao consumidor, como o Procon, costumam recomendar aos correntistas que não deixem os pagamentos para depois porque, mesmo com a greve, terão de pagar juros e multas pelas contas atrasadas. Alguns pagamentos também podem ser feitos pela internet, como contas de telefone e cartão de crédito, desde que seja até o dia do vencimento. (MS)

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