29/09/2003
Correio Braziliense – Marcelo Tokarski e Mariana Flores
O movimento sindical brasileiro vive o caos. Do auge, na década de 80, aos dias atuais, o número de entidades quase quadruplicou — de 4,5 mil para 17 mil —, mas o poder e a representatividade estão sumindo. Do total de 11 greves diárias que ocorriam há 15 anos, o movimento só conseguiu, em média, uma por dia no ano passado. É o resultado de um movimento que perde trabalhadores sindicalizados a cada dia. No final da década de 80, 33% dos trabalhadores eram ligados a alguma entidade sindical. Hoje, apenas 19%. Para completar, mais de nove mil entidades buscam a legitimidade no Ministério do Trabalho. Interromper esse fenômeno de pulverização é um dos principais temas da reforma sindical, em debate no Fórum Nacional do Trabalho.
‘‘A reforma sindical e trabalhista aposta em um novo paradigma de organização do mundo do trabalho. Num paradigma de inclusão social, e não da precarização das condições de trabalho’’, garante o ministro do Trabalho, Jacques Wagner. ‘‘À medida que se cria mais entidades, você pulveriza os sindicalizados e enfraquece as categorias’’, avalia Osvaldo Martines Bargas, secretário das Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e coordenador-geral do Fórum.
A dinâmica do mercado de trabalho, que mudou muito ao longo dos últimos 20 anos, acabou promovendo uma reforma sindical e trabalhista ‘‘informal’’, hoje já institucionalizada, segundo o economista Márcio Pochmann, secretário do Trabalho do Município de São Paulo. ‘‘Antes, os trabalhadores faziam suas reivindicações por categoria. Hoje, isso é feito quase que por empresas. Houve um descolamento das lideranças dos trabalhadores’’, explica.
Desemprego
‘‘O número de greves diminui porque aumentaram os acordos entre as partes, devido ao fantasma do desemprego’’, diz o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves. ‘‘Na década de 80, havia uma expectativa de crescimento econômico, geração de emprego. Mas na década seguinte surgiu o medo do desemprego’’, afirma Artur Henrique Silva Santos, secretário nacional de Organização Sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Dar a volta por cima na situação é a missão das entidades. Por isso, todos concordam com a reforma sindical. ‘‘O pilar sindical é fundamental para sustentar a democracia. E nosso sistema hoje está altamente fragilizado’’, diz Luiz Marinho, presidente da CUT, uma das maiores centrais sindicais do país. O sinal de que os sindicalistas buscam mudanças é a campanha salarial unificada, lançada pela CUT e Força Sindical, as duas maiores do país. A iniciativa está sendo considerada um teste para a reforma sindical, já que as duas entidades deixaram de lado divergências políticas para atuar em conjunto e tentar obter acordos nacionais.
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Por Mhais• 30 de setembro de 2003• 10:12• Sem categoria
GOVERNO QUER RECUPERAR CREDIBILIDADE DO MOVIMENTO SINDICAL
29/09/2003
Correio Braziliense – Marcelo Tokarski e Mariana Flores
O movimento sindical brasileiro vive o caos. Do auge, na década de 80, aos dias atuais, o número de entidades quase quadruplicou — de 4,5 mil para 17 mil —, mas o poder e a representatividade estão sumindo. Do total de 11 greves diárias que ocorriam há 15 anos, o movimento só conseguiu, em média, uma por dia no ano passado. É o resultado de um movimento que perde trabalhadores sindicalizados a cada dia. No final da década de 80, 33% dos trabalhadores eram ligados a alguma entidade sindical. Hoje, apenas 19%. Para completar, mais de nove mil entidades buscam a legitimidade no Ministério do Trabalho. Interromper esse fenômeno de pulverização é um dos principais temas da reforma sindical, em debate no Fórum Nacional do Trabalho.
‘‘A reforma sindical e trabalhista aposta em um novo paradigma de organização do mundo do trabalho. Num paradigma de inclusão social, e não da precarização das condições de trabalho’’, garante o ministro do Trabalho, Jacques Wagner. ‘‘À medida que se cria mais entidades, você pulveriza os sindicalizados e enfraquece as categorias’’, avalia Osvaldo Martines Bargas, secretário das Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e coordenador-geral do Fórum.
A dinâmica do mercado de trabalho, que mudou muito ao longo dos últimos 20 anos, acabou promovendo uma reforma sindical e trabalhista ‘‘informal’’, hoje já institucionalizada, segundo o economista Márcio Pochmann, secretário do Trabalho do Município de São Paulo. ‘‘Antes, os trabalhadores faziam suas reivindicações por categoria. Hoje, isso é feito quase que por empresas. Houve um descolamento das lideranças dos trabalhadores’’, explica.
Desemprego
‘‘O número de greves diminui porque aumentaram os acordos entre as partes, devido ao fantasma do desemprego’’, diz o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves. ‘‘Na década de 80, havia uma expectativa de crescimento econômico, geração de emprego. Mas na década seguinte surgiu o medo do desemprego’’, afirma Artur Henrique Silva Santos, secretário nacional de Organização Sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Dar a volta por cima na situação é a missão das entidades. Por isso, todos concordam com a reforma sindical. ‘‘O pilar sindical é fundamental para sustentar a democracia. E nosso sistema hoje está altamente fragilizado’’, diz Luiz Marinho, presidente da CUT, uma das maiores centrais sindicais do país. O sinal de que os sindicalistas buscam mudanças é a campanha salarial unificada, lançada pela CUT e Força Sindical, as duas maiores do país. A iniciativa está sendo considerada um teste para a reforma sindical, já que as duas entidades deixaram de lado divergências políticas para atuar em conjunto e tentar obter acordos nacionais.
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