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Lula lidera nas redes na reta final e tema central é Nossa Senhora Aparecida

A cinco dias do primeiro turno, marcado para domingo (4), Lula lidera o engajamento nas redes sociais, segundo pesquisas internas de campanhas que a Fórum teve acesso. O presidente chegou a 1,3 milhão de menções entre esta segunda e terça-feiras, dias 28 e 29 de setembro, enquanto as referências ao clã Bolsonaro ficaram em 973 mil.

A diferença também aparece no peso de cada um dentro da discussão política. Lula responde por 25,4% do índice político nas redes e por 11,3% de todo o conteúdo coletado. No caso dos Bolsonaro, os percentuais são de 19% e 8,5%, respectivamente.

O dado mais favorável ao presidente, porém, está no teor das publicações. Entre as menções a Lula, 59% são potencialmente positivas, 34% negativas e 7% neutras. O Índice de Clima Digital (ICD), que considera sentimento, volume de menções e os públicos envolvidos na conversa, chegou a 70,4 pontos, dentro da faixa classificada como muito favorável.

Isso acontece mesmo com a oposição participando intensamente das conversas sobre o presidente. Perfis oposicionistas respondem por 37% das interações, ante 34% do agrupamento governista. A imprensa representa 24% e os usuários não polarizados, 5%.

Lula lidera nas redes com pedidos de voto e mobilização

Entre as publicações favoráveis a Lula aparecem pedidos explícitos de voto, expectativa de vitória ou reeleição, registros de mobilizações de campanha, manifestações de artistas e eleitores e referências positivas à posição do presidente na discussão sobre Nossa Senhora Aparecida.

No agrupamento de perfis que mais difundem conteúdos favoráveis ao presidente e seus aliados, 27% das publicações tratam de mobilização eleitoral e pedidos de voto. Outros 18% são relacionados à reta final das campanhas e 12% mostram atos, caminhadas, carreatas e agendas do chamado Time do Lula.

Temas programáticos também aparecem nesse grupo: direitos dos trabalhadores e o fim da escala 6×1 representam 8% das conversas, enquanto saúde pública, fortalecimento do SUS e acesso a atendimento respondem por outros 6%.

Outro assunto que ajudou Lula nas redes foi a proposta de acabar com as bets. Embora o tema tenha perdido volume e represente agora 4% da coleta, 60% das manifestações são favoráveis ao fim das apostas, contra 34% contrárias. Há inclusive usuários críticos ao presidente que, nesse ponto, apoiam a medida. A Fórum já mostrou como a discussão sobre as bets e Nossa Senhora ajudou a impulsionar a imagem de Lula nas redes.

Nossa Senhora Aparecida ocupa o debate político

A discussão sobre Nossa Senhora Aparecida ganhou um peso incomum na reta final. O tema religião representa 14,4% do índice político e 6,4% de todo o conteúdo coletado nas redes.

Entre os perfis ligados à imprensa, a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro é o assunto mais presente, com 25% das interações. O percentual supera o debate sobre a proibição das bets, pesquisas eleitorais e outros episódios da campanha.

Quando são consideradas as interações sobre religião, 39% partem do agrupamento de imprensa e 30% da reação bolsonarista. O grupo antibolsonarista concentra 24%, enquanto usuários não polarizados representam 5% e perfis católicos, 2%.

O teor das mensagens também chama atenção. Cerca de 65% das manifestações são potencialmente positivas para a defesa de Nossa Senhora Aparecida, enquanto 22% aparecem como negativas. Entre as publicações predominam pedidos de respeito à Padroeira, defesa de símbolos católicos, manifestações sobre liberdade religiosa e críticas ao que usuários consideraram ataques à santa.

Parte dessas postagens passou a associar diretamente a defesa de Nossa Senhora ao voto em Lula. Isso não significa, porém, que toda manifestação em defesa da Padroeira represente apoio ao presidente: há publicações religiosas e de usuários sem posição eleitoral identificável.

A controvérsia cresceu depois da circulação da informação falsa de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O candidato do PL negou que exista qualquer proposta nesse sentido e se manifestou publicamente sobre o caso.

A Lei nº 6.802, de 1980, declara 12 de outubro feriado nacional e se refere expressamente a Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.

A disputa saiu das redes e chegou também à Justiça Eleitoral. A campanha de Flávio Bolsonaro passou a pedir a retirada de publicações que associavam o candidato à intenção de mudar o status da santa. O assunto continuou circulando, e Flávio chegou a pedir a prisão de um servidor do Planalto por postagens relacionadas ao episódio.

Flávio Bolsonaro tem maioria de menções negativas

Enquanto Lula registra maioria de referências positivas, o resultado se inverte nas conversas relacionadas ao clã Bolsonaro. Nesse recorte, 52% das menções são potencialmente negativas e 44% positivas.

Os antibolsonaristas concentram 40% das interações, quase o dobro dos 22% registrados pela própria base bolsonarista. Perfis ligados à imprensa respondem por 36% e usuários não polarizados representam 2%.

A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida está entre os assuntos que mais pressionam esse resultado. Também aparecem publicações que relacionam Flávio Bolsonaro a grupos evangélicos críticos à devoção católica, manifestações de apoio a Lula provocadas pela discussão religiosa e memes sobre episódios recentes da campanha.

Do lado favorável a Flávio, predominam pedidos de voto, defesa da família Bolsonaro, publicações pelo chamado “voto útil” no 22 e manifestações de aliados e eleitores.

O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral. A cinco dias da votação, Lula registra 1,3 milhão de menções e 59% de referências positivas. O clã Bolsonaro soma 973 mil menções, das quais 52% são potencialmente negativas.

Foto:  Ricardo Stuckert

Texto: Diego Feijó de Abreu

Fonte: Revista Fórum

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