Em um cenário de aquisições, fusões e negociatas, os especialistas afirmam que é essencial para a saúde do sistema financeiro brasileiro o fortalecimento das empresas. Outros, se arrepiam apenas em falar das conseqüências da concentração no setor. Para o movimento sindical, o ideal é que estes negócios não sejam apenas benéficos para os bolsos dos banqueiros, mas que gerem melhorias para os clientes e os trabalhadores bancários.
Após a fusão Unibanco e Itaú, vários economistas afirmaram que a medida era fundamental para salvar o Unibanco. Com a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, levantou-se a polêmica de que o mais importante para o BB é manter-se o “número 1”, “custe o que custar”. Independente destas discussões, o movimento sindical que tanto pressionou pela ratificação da convenção 158 da OIT que limitaria as demissões imotivadas, agora agenda negociações diretamente com os bancos, buscando garantir o emprego dos trabalhadores a partir do compromisso formal das empresas. A luta política não terminou, o governo federal se demonstra pouco sensibilizado com a causa, já que a pressão se arrasta desde que iniciaram os boatos de venda do Real para o Santander.
Por outro lado. a ação sindical se mantém forte, coesa e transparente, cobrando diretamente das direções dos bancos uma postura de manutenção no nível do emprego, cuidados com a cultura organizacional e igualdade nos benefícios e nas condições de trabalho, independente das bandeiras, procurando inclusive outros sindicatos e entidades que representam os consumidores para fortalecer a luta.
Unibanco e Itaú
“Claro que hoje há gente preocupada e angustiada nos dois bancos”, isso é o que diz Pedro Moreira Salles, executivo do Unibanco, mostrando claramente como se sentem os bancários do Itaú e do Unibanco, que temem demissões com a fusão dos bancos. Para tranqüilizar os trabalhadores, ele diz que o Unibanco e o Itaú têm “uma excelente gama de talentos”. Com esse discurso, os executivos dos dois bancos, que anunciaram uma fusão no dia 03 de novembro, reafirmam várias vezes que a fusão não causará demissões aos trabalhadores bancários.
No dia 18 de novembro, no Encontro Nacional de Dirigentes Sindicais do Itaú, Unibanco e HSBC, organizado pela Contraf/CUT, os diretores do banco Itaú voltaram a garantir para mais de 150 dirigentes sindicais dos dois bancos que não vão fechar agências no processo de fusão. Marcos Canielli, diretor de recursos humanos do Itaú, até afirmou que não haverá fechamento de agências “nem quando houver uma do Itaú ao lado de outra do Unibanco”. Não basta prometer não fechar agências, o banco precisa manter as mesmas condições de trabalho e respeitar a vida privada dos trabalhadores bancários. Realocações devem ser realizadas com bom senso, respeitando os trabalhadores.
O mais importante, além de evitar as demissões, é que os bancos afirmam que o objetivo do novo banco é crescer e, portanto, abertura de mais agências e contratação de mais trabalhadores bancários. Mesmo assim, recusam a assinar um acordo por escrito para garantir a tranqüilidade e, principalmente, o emprego dos trabalhadores.
Banco do Brasil e suas aquisições
O Banco do Brasil fechou nesta quinta-feira, dia 20 de novembro, a compra da Nossa Caixa, banco estadual de São Paulo. A negociação foi concluída por R$ 5,386 bilhões e é o primeiro passo do BB no sentido de cumprir a promessa do presidente da República de que o BB deve ser “muito maior do que qualquer outro banco no Brasil”, já que o BB “perdeu” o posto de “número 1” com a fusão do Unibanco com o Itaú.
O Banco do Brasil negocia ainda, segundo a Folha de São Paulo, a compra do BRB (Banco Regional de Brasília) e de metade do banco Votorantim. Caso concretize esses negócios, poderá voltar a ser a maior instituição financeira do país. O BB também aprovou a compra do Banco do Piauí.
O fortalecimento do Banco do Brasil é importante, mas o banco não pode esquecer do seu compromisso com o desenvolvimento do país, na condução de políticas públicas que façam o Brasil crescer. Não pode esquecer também do seu compromisso de efetivar as mesas temáticas em relação às reivindicações dos bancários como fim da terceirização, Plano de Cargos e Salários e substituições.
O movimento sindical cobrará dos bancos Unibanco, Itaú e Banco do Brasil coerência e cumprimento dos compromissos assumidos. Não importa onde estão sendo colocadas as placas de compra e venda. A defesa dos interesses dos bancários é a bandeira principal do movimento sindical e cada uma das promessas dos bancos precisa ser exaustivamente fiscalizada.
Por Patrícia Meyer, que é jornalista e trabalhadora no Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região.
ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.bancariosdecuritiba.org.br.