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O sistema digital de televisão e a democratização dos meios de comunicação

A recente desavença entre o ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o das Comunicações, Hélio Costa, torna-se metáfora apropriada para expor a distância que os meios de comunicação se encontra da cultura… e vice-e-versa.

O conteúdo da ampla maioria da grade de programação das emissoras de TV, seja de canais abertos ou por assinatura, ofende ao que pressupõe ser uma concessão pública. Mesmo emissoras comerciais deveriam equilibrar sua programação no tripé informação/formação/entretenimento.

No entanto, a luta por audiência a qualquer custo, o que significa mais anunciantes e, conseqüentemente, verbas, leva emissoras a optarem pela diversão de qualidade ética duvidosa – para dizer o mínimo – em vez da informação e da formação.

O advento do sistema digital de televisão é uma boa oportunidade para a sociedade discutir a necessidade da democratização dos meios de comunicação.

O Brasil está presenciando o advento de um sistema que influenciará os padrões de comportamento das gerações futuras. A existência de um padrão digital permitirá a possibilidade de convivência de uma maior gama de emissoras de TV e quanto mais setores organizados da sociedade façam uso desse instrumento melhor será para a democracia.

Nos padrões atuais, a importância das organizações dos trabalhadores na vida política do país não está representada em sua participação nos meios de comunicação. Quando discutimos representação parlamentar, concordamos que todos os segmentos da sociedade devem estar proporcionalmente representados.

Sabemos, todos, que isso não ocorre na prática devido a influencias culturais, históricas e econômicas, e que se reflete, de maneira ainda mais retrógrada, nos meios de comunicação, que se encontram quase praticamente monopolizados em poucos segmentos.

Para discutir o impacto do sistema digital na vida da população, a CUT, através de sua Secretaria Nacional de Comunicação, promoverá no Fórum Social Brasileiro (20 a 24 de abril, em Recife/PE) uma mesa de debates sobre o tema.

Queremos discutir não apenas se o melhor sistema é o japonês ou o europeu, mas como os trabalhadores podem intervir para expressar suas idéias e não permitir que a mídia esteja a serviço da hegemonia de um único modo de ver o mundo.

Ao convidar trabalhadores dos setores diretamente atingidos, acadêmicos, representantes do governo e de entidades que lutam pela democratização dos meios de comunicação, nossa intenção é ampliar os espaços de discussão e reflexão para que o conjunto das entidades dos trabalhadores dimensione a importância do que está em curso no país.

A comunicação não pode estar desassociada da cultura; e não apenas da cultura das elites, da cultura que exclui, mas daquela que louva a diversidade.

Já se foi o tempo em que a esquerda achava que podia combater o capitalismo com panfletinhos feitos em mimeógrafo a álcool; ou as entidades e o pensamento libertário de esquerda intervêem para disputar esse espaço ou estaremos discutindo as mesmas coisas daqui a dez anos, porém com muito menos voz.

Por Antonio Carlos Spis, que é Secretário de Comunicação da CUT Nacional

Publicada em: 13/04/2006 às 16:06 Seção: Ponto de Vista do sítio www.cut.org.br.

Por 22:52 Notícias

O sistema digital de televisão e a democratização dos meios de comunicação

A recente desavença entre o ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o das Comunicações, Hélio Costa, torna-se metáfora apropriada para expor a distância que os meios de comunicação se encontra da cultura… e vice-e-versa.
O conteúdo da ampla maioria da grade de programação das emissoras de TV, seja de canais abertos ou por assinatura, ofende ao que pressupõe ser uma concessão pública. Mesmo emissoras comerciais deveriam equilibrar sua programação no tripé informação/formação/entretenimento.
No entanto, a luta por audiência a qualquer custo, o que significa mais anunciantes e, conseqüentemente, verbas, leva emissoras a optarem pela diversão de qualidade ética duvidosa – para dizer o mínimo – em vez da informação e da formação.
O advento do sistema digital de televisão é uma boa oportunidade para a sociedade discutir a necessidade da democratização dos meios de comunicação.
O Brasil está presenciando o advento de um sistema que influenciará os padrões de comportamento das gerações futuras. A existência de um padrão digital permitirá a possibilidade de convivência de uma maior gama de emissoras de TV e quanto mais setores organizados da sociedade façam uso desse instrumento melhor será para a democracia.
Nos padrões atuais, a importância das organizações dos trabalhadores na vida política do país não está representada em sua participação nos meios de comunicação. Quando discutimos representação parlamentar, concordamos que todos os segmentos da sociedade devem estar proporcionalmente representados.
Sabemos, todos, que isso não ocorre na prática devido a influencias culturais, históricas e econômicas, e que se reflete, de maneira ainda mais retrógrada, nos meios de comunicação, que se encontram quase praticamente monopolizados em poucos segmentos.
Para discutir o impacto do sistema digital na vida da população, a CUT, através de sua Secretaria Nacional de Comunicação, promoverá no Fórum Social Brasileiro (20 a 24 de abril, em Recife/PE) uma mesa de debates sobre o tema.
Queremos discutir não apenas se o melhor sistema é o japonês ou o europeu, mas como os trabalhadores podem intervir para expressar suas idéias e não permitir que a mídia esteja a serviço da hegemonia de um único modo de ver o mundo.
Ao convidar trabalhadores dos setores diretamente atingidos, acadêmicos, representantes do governo e de entidades que lutam pela democratização dos meios de comunicação, nossa intenção é ampliar os espaços de discussão e reflexão para que o conjunto das entidades dos trabalhadores dimensione a importância do que está em curso no país.
A comunicação não pode estar desassociada da cultura; e não apenas da cultura das elites, da cultura que exclui, mas daquela que louva a diversidade.
Já se foi o tempo em que a esquerda achava que podia combater o capitalismo com panfletinhos feitos em mimeógrafo a álcool; ou as entidades e o pensamento libertário de esquerda intervêem para disputar esse espaço ou estaremos discutindo as mesmas coisas daqui a dez anos, porém com muito menos voz.
Por Antonio Carlos Spis, que é Secretário de Comunicação da CUT Nacional
Publicada em: 13/04/2006 às 16:06 Seção: Ponto de Vista do sítio www.cut.org.br.

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