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O terrorismo dos inflacionistas

O economista Armando Castelar tem um papel manjado no mercado. Sua função é a mensageiro que passa pelas ruas das vilas medievais gritando “fogo”, para manter a população permanentemente de sobreaviso.

Não se trata de um exercício banal de terrorismo. Ao espalhar temores infundados sobre situação fiscal, inflação e outros bichos, visa criar um clima para aumento de juros e para cortes em investimento e programas sociais. Por maldade? Não. Mas quanto maior o corte fiscal, maior será o espaço para aumentar os juros. Ou seja, há uma lógica nessa histeria.

Foi o que ocorreu ontem em entrevista ao Estado de S. Paulo, valendo-se da forma extremamente acrítica com que parte da imprensa recebe análises superficiais.

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O primeiro terrorismo é em relação aos rumos da inflação.

Dos 5,94 do IPCA de 2010, 2,3 pontos se deveram ao grupo alimentos e bebidas, fortemente influenciado pela explosão das cotações internacionais.

Inflação é variação de preços – não meramente preços altos ou baixos. Se determinado preço está em 100 e passa para 120, por exemplo, a alta é de 20%. Se, num segundo momento, vai para 130, o preço estará mais alto, mas a inflação desse produto será de 8,3% sobre o período anterior.

Para manter a mesma inflação, os preços teriam que saltar para 144, depois para 173, em um crescimento insustentável.

Justamente por isso, em mercado não indexado (como é o de commodities) depois de um salto especulativo há acomodamento, pela simples razão de que a repetição do movimento despregaria completamente o preço financeiro do seu componente real – o mercado físico.

Essa aceleração dos preços de alimentos se deu no segundo semestre. Agora, há sinais de acomodamento de preços em vários setores, ou com preços andando de lado ou com variação menor do que no período anterior.

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Em relação ao aquecimento da economia, os próprios dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE – divulgados ontem – mostram acomodação no setor que mais cresceu nos últimos anos: as vendas no varejo, comprovando que as medidas prudenciais e creditícias do ano passado estão surtindo efeito.

No acumulado de 2010, o crescimento foi de 10,9% – porque em cima da queda do ano anterior. Já em dezembro, descontada a sazonalidade, as vendas mantiveram-se estáveis – zero de crescimento.

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Mesmo com tais dados, Castelar se esmerou em traçar um quadro assustador, duvidando do corte de R$ 50 bi – sem apresentar um dado sequer para corroborar sua desconfiança. Cortes de R$ 50 bi não são um ato banal que se esconde debaixo do tapete. Nem é necessário anúncio do detalhamento, basta conferir ministros esperneando contra os cortes.

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Aonde se quer chegar com esse tipo de terrorismo? Corte nos programas sociais? O país chegou a um estágio de mudanças sociais em que não se aceita mais falta de oportunidade para as classes de menor renda. Corte nos investimentos? A economia demanda mais e mais investimentos em infra-estrutura.

Pretender ampliar cortes ou aumentar juros significa condenar o país a um crescimento pífio.

Extraído da Coluna Econômica, em 16/02/2011, do Blog: www.luisnassif.com.br

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Em dezembro, vendas têm crescimento zero

As vendas no varejo encerraram o ano de 2010 paradas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira.

De acordo com o Instituto, em dezembro “o comércio varejista do país apresentou variação de 0,0% para o volume de vendas e 1,0% para a receita nominal”. A variação no volume de vendas no último trimestre do ano foi de apenas 0,28% e a receita nominal cresceu 1,12% no período.

Para o economista do IBGE, Reinaldo Pereira, “o comércio já começou a refletir medidas de controle da inflação”, como o aumento do compulsório dos bancos determinado pelo Banco Central em dezembro.

Segundo dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), divulgados na semana passada, a medida, juntamente com o aumento da taxa básica de juros, a Selic, realizado em janeiro, encareceu o crédito à pessoa física de 6,69% ao mês em dezembro, para 6,85% em janeiro deste ano.

No acumulado do ano, no entanto, o volume de vendas registrou alta de 10,9% e a receita, de 14,5%. Um recorde, segundo o IBGE. Apesar da desaceleração do final do ano, o primeiro semestre de 2010 garantiu o índice de dois dígitos para o varejo, o primeiro desde o início da série iniciada em 2001. “A economia é o que justifica esse resultado”, avaliou o economista do IBGE. “Houve aumento de massa salarial, abertura de vagas e estabilidade de preços”, disse.

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Inflação desacelera em SP

Apesar da torcida dos “analistas” do Banco Central a inflação desacelerou em São Paulo na segunda leitura de fevereiro, segundo divulgou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), na quarta-feira (16). De acordo com a instituição, os preços ao consumidor aumentaram 0,95% no período contra 1,12% na primeira semana do mês e 1,15% na última semana de janeiro.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe mede os preços dos produtos e serviços utilizados pelas famílias com renda entre 1 e 20 salários mínimos no município de São Paulo, por um período de quatro semanas.

Segundo a Fipe, os principais itens responsáveis pela queda foram Educação – que reduziu o aumento de 5,61% na última semana de janeiro, para 4,81% na primeira semana de fevereiro e, registrou agora 3,48% – e Alimentos (0,73%, 0,29% e 0,06%, respectivamente).

Habitação, Saúde e Vestuário apresentaram índices mais altos do que os da semana anterior (de 0,58% para 0,67%, 0,73% para 0,92%, e 0,15% para 0,28%).

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Especulação eleva preços internacionais dos alimentos em 15% entre outubro e fevereiro

De acordo com a mais recente edição do relatório Food Price Watch, em 5 meses, os preços dos alimentos subiram 15% entre outubro de 2010 e janeiro deste ano, levando até mesmo o Banco Mundial (Bird) a afirmar os preços globais dos alimentos estão chegando a níveis “perigosos”.

O relatório Food Price Watch constata aumentos elevados nos casos de trigo, milho, açúcar e óleos comestíveis, o que coloca em risco a segurança alimentar da população mais pobre, que chega a gastar mais da metade de sua renda com a compra de alimentos. Os preços catapultados pela especulação estão apenas 3% abaixo do nível dos preços em 2008 – pique de outro movimento especulativo com alimentos – mas estão agora 27% mais caros que há um ano atrás.

Outro relatório, divulgado neste mês pela FAO, o departamento da ONU para alimentação e agricultura, também fez um alerta para o aumento nos preços de itens alimentícios, que subiram 3,4% em janeiro passado com relação a dezembro de 2010 e alcançaram o maior nível desde que o índice começou a ser calculado, em 1990.

O Índice dos Preços dos Alimentos da FAO teve uma média global de 231 pontos no mês passado, o maior registrado desde 1990. Foi a sétima alta consecutiva do indicador da FAO, que mede variações mensais de uma cesta composta por laticínios, carne, açúcar, cereais e sementes oleaginosas.

Todos os itens registraram alta de preços, mas o da carne se manteve estável, aponta o órgão.

O economista da FAO Abdolreza Abbassian afirma que a pressão mundial nos preços dos alimentos não dá sinais de ceder. Ele prevê que os valores devem continuar altos nos próximos meses. O quadro, segundo ele, é preocupante nos países de baixa renda, com carência alimentar, que podem ter dificuldade em financiar importações.

No caso do Brasil, o relatório da FAO destaca o preço da farinha de trigo, que, depois de atingir um pico em outubro, teve uma redução com a chegada ao mercado da safra de 2010. Entretanto, o preço do produto continua 16% maior do que há ano, aponta o estudo.

Já o aumento no preço do milho brasileiro em janeiro, na comparação com o ano anterior, representou a quinta maior variação registrada no mês em toda a América Latina.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.

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