O presidente da Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro, foi convocado a prestar esclarecimentos sobre as denúncias que envolvem um suposto esquema de favorecimento de parlamentares da Assembléis Legislativa de São Paulo (Alesp) por meio de verbas publicitárias do banco, na gestão do ex-governador Geraldo Alckmin.
O depoimento ocorrerá nesta terça-feira, dia 25, a partir das 14h15, na Comissão de Finanças e Orçamento da Alesp. Também depõe a gerente de marketing do banco, Marli Martins.
A intenção dos deputados era ouvir sete envolvidos nas denúncias de irregularidades em publicidades do banco. Entretanto, o presidente da Assembléia, Rodrigo Garcia (PFL), manteve apenas o depoimento do atual presidente da Nossa Caixa.
Mais depoimentos
Também na terça-feira, os deputados vão tentar novamente votar os requerimentos que pedem o depoimento do acupunturista Jou Eel Jia, responsável pela Associação Chinesa do Brasil, proprietário do spa Ch’na Tao e da Revista Ch’na Tao; de Thomaz Rodrigues (filho de Alckmin), que seria sócio da filha do acupunturista, Suelyen Jou, cuja presença também deverá ser solicitada.
O objetivo é que os três prestem depoimento e esclareçam as denúncias de utilização do dinheiro da Nossa Caixa em publicidade da revista Ch’na Tao e para pagar curso de meditação, no spa de Jou, para professores da rede estadual de ensino.
Outro requerimento em análise é o que pede a realização de uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado sobre a manutenção por mais de dois anos de contratos de publicidade do governo sem licitação, com gastos injustificados de quase R$ 50 milhões.
Além disso, há denúncias de supostas irregularidades na utilização de verbas de publicidade do banco estadual para beneficiar deputados da base aliada do então governador Geraldo Alckmin. Ainda antes de sair do governo, Alckmin barrou a instalação de uma CPI para investigar as denúncias da Nossa Caixa.
Nova denúncia
O jornal Diário de São Paulo traz, na edição desta quinta-feira, 20, uma reportagem em que o ex-governador Geraldo Alckmin aparece na capa da revista “Futebol Paulista”. Na mesma edição havia cinco páginas de anúncio do governo de São Paulo. A Corregedoria da Alesp vai encaminhar a denúncia ao Ministério Público.
“Isso é usar verba pública para propaganda pessoal”, diz o corregedor da Alesp, o deputado Romeu Tuma Jr. (PMDB).
Justiça
O Ministério Público ouviu, na terça-feira, 18, o estilista Rogério Figueiredo, que teria doado 400 vestidos de luxo à ex-primeira-dama paulista, Lu Alckmin. Estima-se que as doações ultrapassem os R$ 2 milhões.
Em seu depoimento, o estilista confirmou que durante dois anos doou peças de roupas para a mulher de Geraldo Alckmin. Ele também afirmou que muitas vezes as roupas eram pedidas pela própria Lu ou pela sua assessoria. Um conjunto de inverno com a assinatura de Figueiredo custa cerca de R$ 2,3 mil.
No último dia 12, também em depoimento ao Ministério Público, o ex-gerente de marketing da Nossa Caixa, Jaime de Castro, responsabilizou o atual presidente da instituição, Carlos Eduardo Monteiro, e o ex-presidente da Nossa Caixa, Waldery Albuquerque (também ex-presidente da Caixa Federal no governo FHC) pelo gasto irregular de R$ 48 milhões em publicidade sem contrato em veículos ligados a deputados estaduais aliados de Geraldo Alckmin na Assembléia Legislativa.
Fonte: Sindicato dos Bancários de São Paulo e Região
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