21/08/2012
A divulgação das notas médias que compõem o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP) do Ministério da Educação, no dia 14 de agosto, aponta uma melhora na qualidade do ensino, que vem se desenvolvendo ano a ano.
No entanto, devemos rememorar que, desde o ano de 1999, vem ocorrendo por parte de setores do Estado brasileiro um processo de culpabilização dos professores pelos problemas e deficiências da educação nacional. Somos submetidos a avaliações excludentes e tachados de despreparados por alguns governantes.
O fato, porém, é que essas deficiências e problemas da educação decorrem das políticas e medidas educacionais implementadas por autoridades e gestores educacionais em vários estados e municípios, entre eles o Estado de São Paulo, como a “aprovação automática” dos alunos, cujas consequências o nosso Sindicato denunciou e denuncia desde o início da sua implementação.
Nós, professores, defendemos que a aprendizagem dos alunos seja avaliada, não para reprová-los, mas para contribuir com o seu sucesso escolar, localizando suas dificuldades e agindo sobre elas. Da mesma forma, tendo em perspectiva a qualidade do ensino, lutamos pela valorização dos professores e demais profissionais da educação.
Para nós, qualidade do ensino e valorização dos professores são faces de uma mesma moeda. A qualidade do ensino está intrinsecamente ligada às condições de trabalho dos professores e às condições de ensino-aprendizagem dos alunos. Para nós, os resultados do Ideb evidenciam o papel dos professores e a necessidade de avançarmos em políticas que assegurem a melhoria da educação brasileira.
A análise dos resultados do Ideb, particularmente no Estado de São Paulo, deve se refletir em mais reajustes salariais, na democratização da gestão educacional e em tratamento mais digno para os professores, sobretudo no caso dos temporários, denominados de “categoria O”, que não tem praticamente nenhum direito profissional. Deve levar também à imediata aplicação da jornada do piso, com a destinação de 33% da jornada de trabalho para atividades como preparação de aulas, elaboração e correção de provas e trabalhos, formação continuada no local de trabalho. Queremos ainda, de imediato, a recomposição do reajuste de 10,5% prometido para 2012 e a reposição de 36,74%, referente as nossas perdas salariais acumuladas.
ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cut.org.br
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Seed transfere culpa pela baixa nota do Ideb aos professores
Na análise da Secretaria, queda no desempenho dos alunos do Ensino Médio se deve à redução da carga horária
“(…) No ensino médio foi implantada pela Gestão da Secretaria, em 2009, a redução da carga horária na grade curricular semanal das escolas da rede estadual de ensino, das disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, passando de quatro para três aulas, e, em algumas situações, para duas aulas. Esta situação está sendo revista atualmente pela Secretaria”. Gazeta do Povo – 15/8/2012.
Atribuir a queda nos índices do Ideb do Ensino Médio no Paraná à redução da carga horária de duas disciplinas é desconsiderar o conjunto de fatores que levaram a esse resultado e reduzir a importância pedagógica das demais disciplinas e o trabalho desenvolvido por todos os trabalhadores da Educação envolvidos no processo de aprendizagem dos alunos.
Mais uma vez, estamos diante do debate da matriz curricular suscitado por ações ou interpretações da Secretaria, e, novamente, o debate está reduzido a ampliar ou reduzir a carga horária de disciplinas que compõem a matriz curricular desta etapa do Ensino Fundamental. Colocado desta forma, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) instiga o debate do mérito das disciplinas, considerando umas em detrimentos de outras.
“Rever esta situação” nesta perspectiva é o mesmo que dizer que algumas disciplinas terão sua carga horária reduzida para o próximo ano. Para isso a categoria já disse NÃO. Os professores e funcionários em assembleia da categoria deliberaram como pauta de reivindicação e defesa contínua, que nenhuma disciplina da matriz curricular tenha menos que duas aulas semanais.
As dificuldades enfrentadas pelos alunos para cursarem o Ensino Médio no Estado ficam relegadas a segundo plano. Salas superlotadas, infraestrutura das escolas comprometidas, ausência de formação continuada aos professores, falta de funcionários para o atendimento aos educandos, uma política pedagógica voltada a formação de mão-de-obra barata ao mercado de trabalho, alta rotatividade dos professores, a dificuldade do estudante em conciliar horário de trabalho com o horário escolar, entre outras.
Precisamos fazer o debate nas escolas de outro modelo de Ensino Médio, da ampliação da matriz curricular com mais aulas semanais ou mesmo a possibilidade do quarto ano. Nosso entendimento e proposta é que esse tema precisa ser amplamente debatido por toda comunidade escolar com espaços para estudo e construção coletiva, algo que não é mencionado pela Seed em entrevista concedia a Gazeta do Povo do dia 15 de agosto de 2012.
:: Ideb: diagnóstico ou ranqueamento?
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www.appsindicato.org.br/Include/Paginas/noticia.aspx?id=7620