Estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) publicado nesta quinta no sítio da entidade (www.dieese.org.br) revela que nos primeiros seis meses de 2006 os trabalhadores realizaram 193 paralisações, que ocasionaram a interrupção de 15 mil horas de trabalho.
Como nos dois anos anteriores, a maioria das greves ocorreu na esfera pública – 59% dos movimentos, que foiram responsáveis por cerca de 87% das horas paradas. A análise das greves do primeiro semestre de 2006 revela semelhanças em relação às realizadas em 2004 e 2005. A primeira diz respeito ao número de paralisações registradas em cada estudo. Neste balanço, foram analisadas 193 informações de greves ocorridas entre janeiro e junho de 2006. O primeiro semestre de 2005 registrou a mesma quantidade de paralisações. Em 2004, ano da primeira publicação, o número é relativamente menor – 150 greves em igual período.
Das mobilizações ocorridas na esfera pública, quase um quarto do total (24%) foi protagonizado por servidores estaduais. Os municipiários responderam por 17% dos movimentos e os funcionários do governo federal por 12%. Outros 5% dos casos corresponderam a trabalhadores de empresas estatais.
No setor privado, o total de movimentos realizados pelos trabalhadores na indústria (35) foi menor que o número que envolveu os empregados em serviços (43). No entanto, o percentual de ambos os setores sobre o total de horas paradas contabilizadas no semestre foi semelhante – em torno de 6%. Foi registrada apenas uma greve de trabalhadores rurais e nenhuma entre comerciários.
Paralisações propositivas – As greves do primeiro semestre mantiveram tendência já verificada desde 2004: a maioria dos movimentos (72%) teve caráter propositivo, com os trabalhadores lutando por avanços nas condições de trabalho e/ou remuneração. Em 48% houve motivação defensiva, quer para defender direitos já negociados anteriormente (31%), quer garantidos pela legislação trabalhista (25%). Motivações de protesto estiveram presentes em 16% das paralisações.
A conquista de reajuste salarial foi a tônica em 60% das greves, ou seja, 116 paralisações. Trinta por cento das mobilizações (53 delas de funcionários públicos) pleiteavam plano de cargos, carreiras e salários.
O atraso no pagamento de salários, que ao longo da década de 90 foi justificativa para a maior parte dos movimentos paredistas, motivou apenas 8% das greves. Para efeito de comparação, em 2005, este tema esteve presente em 12% das greves, sendo o quinto item mais freqüente das reivindicações no ano. Em 2004, o atraso de salários motivara 19% das greves observadas, tendo sido a terceira principal razão das paralisações.
Entre as principais reivindicações elencadas pelos trabalhadores em seus movimentos paredistas, destacam-se aquelas já ressaltadas nos estudos anteriores: reajuste salarial; adoção ou aprimoramento de Planos de Cargos e Salários (PCS); fornecimento de auxílio alimentação ou o seu reajuste; cumprimento de acordo; melhores condições de trabalho; contratação de trabalhadores; estabelecimento ou reajuste dos pisos salariais e auxílio médico, entre outras. Algumas reivindicações são localizadas em alguns setores, como PCS entre os funcionários públicos e Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) entre os trabalhadores da indústria.
Publicada em: 23/11/2006 às 15:05 Seção: Todas as Notícias DO SÍTIO www.cut.org.br.
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