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Seminário Municipal discute Saúde do Trabalhador

 Aconteceu na terça, 29 de abril, o I Seminário Municipal em Saúde do Trabalhador, promovido pelas secretarias municipais de Saúde e Trabalho e Emprego, em parceria com o Conselho Municipal de Saúde. Participaram do evento cerca de 300 trabalhadores, principalmente do setor de saúde.

“É fundamental que nossos trabalhadores estejam armados de argumentos e informação. E não estamos só falando em leis, porque quando um trabalhador se acidenta ou adoece por causa de trabalho, não há indenização que resolva este sofrimento. É preciso uma conscientização diária”, afirmou a vice-prefeita e secretária municipal do Trabalho e Emprego, Miriam Gonçalves.

“Precisamos dar novos passos em direção à reforma sanitária. A saúde do trabalhador deve ser levada a um outro patamar”, disse o secretário municipal da Saúde, Adriano Massuda. Segundo o secretário, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) da Secretaria de Municipal de Saúde deve ganhar um espaço próprio para funcionar, com atendimento ampliado ao trabalhador. “Mas também temos de saber que os avanços não dependem apenas dos gestores públicos. É preciso articulação de diferentes setores”, adicionou.

De acordo com dados do Cerest, que inspeciona e aplica intimações e multas em empresas que não respeitam as normas de garantia da saúde do trabalhador, em 2013 foram feitas 2.257 notificações de acidentes de trabalho em Curitiba.

No Paraná, um trabalhador morreu por dia em 2013, de acordo com a procuradora do Ministério Público do Trabalho, Marilia Coppla. “Os dados são alarmantes. O Brasil apresenta um dos maiores índices de morte no trabalho e, por isso, um seminário como este é importante, para refletirmos sobre esses dados e pensarmos nessa realidade”, completou.

Debates
Durante a manhã, José Lucio dos Santos, diretor do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador da Secretaria Estadual de Saúde, expôs o panorama da saúde do trabalhador no Paraná, falando sobre o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) e da importância da publicação, em 2011, da Política Estadual de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador, que deu um rumo às ações. De acordo com o diretor, entre os desafios atuais estão integrar as ações e implantar políticas voltadas para cada realidade. “Dois locais podem possuir características muito diferentes. Precisamos de políticas pensadas para cada realidade de perfil produtivo”, propôs.

Em seguida, o panorama da saúde do trabalhador em Curitiba foi apresentado pela coordenadora do Cerest, Luciana Strobel, que reafirmou a importância de toda a sociedade se envolver na promoção da saúde do trabalhador, em vez de delegar este papel apenas aos órgãos públicos. Segundo Strobel, o Cerest está promovendo ações e reinserindo a discussão da saúde do trabalhador em todas as áreas da Secretaria Municipal da Saúde, mas ainda há dificuldades em estabelecer uma rede de troca de informações, ficha de notificações, comunicados de afastamento de trabalho (CATs), etc.

Pela tarde, Cesar Titton, diretor da Rede de Atenção à Saúde da Secretaria Municipal da Saúde, falou sobre a importância de se fortalecer estas redes de atenção e vigilância, garantindo a integralidade do cuidado.

Por último, a palestra “A importância financiamento as ações em Saúdo do Trabalhador”, com Elem Sampaio, do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, detalhou como são repassados os recursos financeiros do Ministério para os municípios e estados. De acordo com Sampaio, o Cerest de Curitiba recebe, mensalmente, R$ 30 mil, enquanto o estado recebe R$ 40 mil. “Sabemos que não é suficiente, mas estes valores servem como incentivo para que os estados e municípios criem seus centros de atenção à saúde do trabalhador”, alegou.

As discussões do I Seminário Municipal serão levadas à Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, que acontece em novembro.


Por: Flávia Silveira
SEEB Curitiba 

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