Cavalete, alto-falante e pressão. Só falta o arame farpado na entrada do prédio da praça do Patriarca. Bancários continuam mobilizados
O som repressor do Unibanco ultrapassa o Viaduto do Chá
São Paulo – O Unibanco inovou na luta contra os direitos trabalhistas. Resolveu presentear funcionários e a população com uma gravação em frente ao prédio da praça do Patriarca, dizendo: “Reconhecemos o direito de greve, para aqueles que desejarem trabalhar o prédio está liberado”.
A gravação é reproduzida incessantemente com vários e potentes alto-falantes.
“Lembra um campo de concentração”, diz a diretora do Sindicato e funcionária do Unibanco, Ivone Maria da Silva. “A gravação é tão potente, que dá para ouvir do outro lado do Viaduto do Chá”.
Apesar do abuso, os bancários do Unibanco se mantêm firmes e não entram no prédio. “Eles ficam falando isso, mas todos nós sabemos que é da boca para fora. A pressão que antes era externa, agora ganha as ruas. O Unibanco está escancarando o assédio moral”, disse um bancário.
Outro quis saber de proposta. “Se o Unibanco quisesse parar com a greve, apresentava uma proposta, não ficar com som e pressão”, disse.
Na sexta-feira, o banco já havia colocado cavaletes na entrada do prédio e não pára de ligar para os funcionários, dizendo que vai demitir caso eles não entrem para trabalhar. “Isso é uma irresponsabilidade. O banco está usando métodos ultrapassados da história para forçar os bancários a trabalhar”, lembra Ivone, que completa: “O diretor jurídico fica na porta forçando os bancários a entrar”.
Redação – 09/10/2006
Fonte: Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
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