Bancários no Paraná voltam ao trabalho
As assembleias dos trabalhadores bancários nos 10 sindicatos filiados à Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado do Paraná (FETEC-CUT-PR) aprovaram, neste domingo, 16 , e nesta segunda-feira, 17 , a proposta geral apresentada pela FENABAN e as propostas específicas na CAIXA e no Banco do Brasil.
Ao todo, cerca de 17 mil trabalhadores participaram das paralisações, fechando mais de 700 agências e diversos centros administrativos nas bases sindicais filiadas à FETEC-CUT-PR. “Não foi surpresa a mobilização dos bancários do Paraná nesta campanha. Repetimos o que fazemos todo ano em termos de mobilização. É importante ressaltar que apesar de ser determinante a mobilização dos trabalhadores da capital, tem que se destacar o alto índice de mobilização dos trabalhadores do interior do estado que num total de mais de 700 agências paralisadas no auge da greve, 400 eram do interior e isso foi fundamental para o sucesso da campanha no estado”, ressalta Elias Jordão, presidente da FETEC-CUT-PR.
Com o novo acordo firmado, os trabalhadores bancários das bases sindicais de Apucarana, Arapoti, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Curitiba, Guarapuava, Londrina, Paranavaí, Toledo e Umuarama e respectivas regiões decretaram o fim da greve dos bancários, que durou 18 dias – a maior dos últimos 20 anos. “Com tudo que enfrentamos nesta campanha, onde tivemos que lutar contra muitos fatores (ganância e intransigência dos banqueiros, interditos proibitórios, pressão de gestores despreparados e assediadores), podemos dizer com toda tranquilidade fizemos uma campanha salarial vitoriosa”, garante o presidente da FETEC-CUT-PR.
Entre as conquistas dos trabalhadores estão o reajuste salarial de 9% (correspondendo a um aumento real de 1,5% – ganho real pelo oitavo ano seguido), valorização do piso da categoria bancária que passa a ser de R$ 1400 nos bancos privados, R$ 1760 no Banco do Brasil e R$ 1826 na CAIXA, e melhorias na Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O acordo inclui ainda cláusula que coíbe o transporte de numerário por bancários e o fim da divulgação de classificações individuais dos funcionários, combatendo o assédio moral.
Os dias de paralisação não serão descontados na folha de pagamentos e serão compensados após a assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) até o dia 15 de dezembro de 2011 e assim como nos anos anteriores, eventual saldo após esse período será anistiado.
As propostas aprovadas terão efeito retroativo a 01 de setembro de 2011 e dependem da assinatura pelos sindicatos e pela FENABAN, ato que deve ocorrer ainda esta semana. A validade será até 31 de agosto de 2012. “Sabemos que o trabalhador merece e faz jus a mais, porém dentro do cenário que enfrentamos nesta negociação e levando em conta os avanços que tivemos, somados aos avanços de campanhas anteriores que fazem da nossa convenção coletiva um dos melhores acordos salariais e de trabalho do país, podemos dizer que firmamos boas negociações tanto nos bancos privados quanto nos bancos públicos”, explica Elias Jordão.
Dirigentes sindicais celebram vitória na greve
Para Dirceu Casagrande, presidente do Sindicato dos Bancários de Cornélio Procópio e Região, a greve deste ano conseguiu ampliar os ganhos reais e adquirir novas conquistas. “Conquistamos diversos itens que reivindicávamos e valorizamos o piso salarial da categoria. Além disso, os dias parados não serão descontados, que era algo que não abríamos mão”.
“Alcançamos uma valorização do piso salarial e avançamos nas participações nos lucros e resultados. Além disso, essa greve foi um exemplo de mobilização da categoria”, ressalta Otávio Dias, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região.
Segundo Wanderley Crivellari, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, os trabalhadores paranaenses contribuíram de maneira significativa para o êxito da Campanha Nacional. “O Paraná, mais uma vez, mostrou a capacidade de luta dos seus trabalhadores. O acordo é resultado da garra e da força que os bancários demonstraram durante toda a mobilização. Conquistamos o principal objetivo, que era a valorização dos bancários, e, literalmente, arrancamos uma proposta interessante dos banqueiros”.
Neil Júnior, presidente do Sindicato dos Bancários de Paranavaí e Região, destaca a unidade da categoria, que iniciou e deu fim a greve, de maneira uniforme. “Foi uma vitória da união, que representou a luta classista. Os bancários deram exemplo para as demais categorias que a luta pela distribuição de renda passa pela valorização das campanhas salariais. O engajamento dos dirigentes sindicais de todo o estado foi reconhecido pelos trabalhadores e oxigena a confiança e a credibilidade que os bancários possuem nos sindicatos e no Comando Nacional”.
Além dos aspectos econômicos, outras cláusulas fazem parte do acordo. “Saímos vitoriosos, pois além das questões financeiras, outros itens importantes, como a instalação de um comitê para discutir as questões de segurança e condições de trabalho, foram conquistados”, destaca João Carlos Padilha, presidente do Sindicato dos Bancários de Toledo e Região.
Para Edilson José Gabriel, coordenador do Sindicato dos Bancários de Umuarama, Assis Chateuabriand e Região, a greve deste ano mostrou para os banqueiros que os trabalhadores não admitem mais o tratamento desrespeitoso praticado dentro dos bancos. “Apesar da tentativa da Fenaban de nos vencer pelo cansaço, os bancários tiveram paciência e determinação para superar essa estratégia e permanecer firmes até a apresentação de uma proposta satisfatória”.
Marcelo Legnani, presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Mourão e Região, destaca o compromisso da CAIXA em contratar 5 mil novos funcionários nos próximos meses e o aumento para 1000 bolsas de graduação e 500 de pós-graduação no acordo com o Banco do Brasil. “Valeu a pena a nossa mobilização. Tivemos avanços em relação a proposta inicial e saímos satisfeitos de mais uma greve”.
“No acordo com o Banco do Brasil destaco a parte fixa da PLR, que é um ganho considerável. Já na Caixa, a PLR social é uma conquista importante”, afirma Elói Myszka, coordenador do Sindicato dos Bancários de Guarapuava e Região.
Por Cícero Bittencourt
FETEC-CUT-PR