“Como pôde obter tal classificação se as condições de trabalho no banco são precárias? questiona Valeska Pincovai.
Image O Unibanco anunciou, na última semana, por meio de distribuição de cartões aos funcionários, sua premiação entre as 100 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, concedida pelo Great Place to Work® Institute, uma consultoria especializada em pesquisas sobre ambiente de trabalho e cultura das organizações.
Embora não figure entre os 10 primeiros da lista, o Unibanco festeja a premiação, ao afirmar ser uma das nove empresas classificadas com mais de cinco mil funcionários. À conquista, atribui mudanças implementadas de 2004 para cá e instiga o funcionário a se empenhar para que a instituição possa no futuro estar entre as 10 melhores.
A divulgação provocou risos entre os bancários. “Como pôde obter tal classificação se as condições de trabalho no banco são precárias? Essa era a pergunta que todos se faziam ao receber os cartões”, relata a diretora da FETEC/CUT-SP, Valeska Pincovai, ao classificar o fato como piada.
A dirigente lembra que as recentes mudanças promovidas pelo banco, além de irem contra os direitos, só pioraram as condições de trabalho dos funcionários. “As metas abusivas e o assédio moral imperam nos locais de trabalho. Além disso, o Unibanco não paga as horas extras, apenas as compensa, o que causa prejuízos aos bancários, haja vista que a compensação é de uma hora compensada para cada hora trabalhada a mais”.
A diretora da FETEC SP também cita a falta de plano de cargos e salários e os inúmeros problemas com o plano odontológico. “Mesmo com contribuições mensais, os funcionários não têm rede credenciada disponível. Também há problemas com o vale transporte. A empresa vem com uma política de cortar o benefício para quem não utiliza transporte coletivo público, o que está causando vários transtornos para as centenas de empregados que se utilizam de ônibus fretado. E, mesmo com um crescimento de 25% no lucro registrado no primeiro semestre, o banco se nega a reconhecer o esforço dos bancários por meio de uma melhor distribuição da PLR”, denuncia Valeska.
10ª Lista – O Great Place to Work® Institute está presente nos Estados Unidos, América Latina, Europa e Ásia. Além das pesquisas, presta serviços de consultoria para ajudar empresas a melhorar o seu desempenho e a qualidade das relações entre as pessoas. Em sua 10ª Lista, além do Unibanco, está o Bradesco e ABN Real, também apresentado entre as 10 melhores empresas para a mulher trabalhar. “Agora, resta saber quais foram os critérios usados no levantamento”, desafia Valeska Pincovai.
Jornalista: Lucimar Cruz Beraldo
Fonte: FETEC/CUT-SP
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