Somente uma greve de 18 dias, a maior da categoria nos últimos 20 anos, para romper o silêncio e acabar com a intransigência dos bancos e do Governo.
Greve tão forte que registrou em Londrina o fechamento de 70 das 73 agências existentes no município e que, em determinados dias, atingiu a marca de 100 unidades paralisadas na base do Sindicato.
Greve tão legítima que conquistou aumento real pelo oitavo ano consecutivo. Ou seja, de 2004 a 2011, a greve dos bancários e bancárias já conquistou 13,9% de aumento real!
Além disso, o reajuste salarial deste ano foi igual para todos, sem escalonamentos nas faixas salariais, como impôs a Fenaban no ano passado, desvalorizando naquela oportunidade uma parte dos seus comissionados.
Destacamos também o índice de aumento real maior no piso, pelo segundo ano consecutivo. De 2004 a 2011, a luta da categoria já conquistou aumento real no piso de 31,7%.
Isso sem falar no aumento dos valores pagos na PLR e na inclusão de duas cláusulas novas na Convenção Coletiva de Trabalho, proibindo o transporte de numerário por bancários e também a divulgação de rankings individuais de desempenho no cumprimento de metas.
Greve tão legal que os Interditos Proibitórios foram negados aos bancos Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil. Banco do Brasil que, vergonhosamente, utilizou-se deste instrumento pela primeira vez na história e, não o obtendo na Justiça do Trabalho de Londrina, foi atrás de Mandado de Segurança no Tribunal Regional do Trabalho, em Curitiba. Isso sem contar a postura intransigente adotada pela administração do BB na nossa região.
Adotamos uma estratégia correta que, desde 2004, unificou todos os bancários, de bancos privados e bancos públicos, numa única mesa de negociação. Soma-se a isso a conquista dos acordos específicos no Banco do Brasil e na Caixa, complementares à Convenção e que trazem avanços consideráveis para os bancários destes dois bancos.
Mais do que tudo: a demonstração de força e de unidade dos bancários e bancárias venceu a intransigência dos bancos que, juntamente com o Governo, propalavam um falso discurso de que aumento salarial geraria inflação.
A greve da categoria arrancou dos bancos e do Governo uma proposta que atende os nossos objetivos; senão todos, pelo menos uma parte considerável deles.
E, prova mais uma vez, que vale a pena lutar pela manutenção dos nossos direitos e pela ampliação das nossas conquistas. Pela unidade da categoria. Sempre!
Por Wanderley Antonio Crivellari
Trabalhador bancário, Predidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região e um dos coordenadores da Comissão de Organização dos Empregados no banco Itaú Unibanco