O volume de crédito na economia seguiu tendência de crescimento em julho, com expansão de 1,5%, mas houve desaceleração em algumas linhas – particularmente no crédito consignado em folha de pagamento, que vinha se mostrando o segmento mais dinâmico da economia.
O volume total de crédito do sistema financeiro subiu de RS$ 525,637 bilhões para R$ 533,407 bilhões entre junho e julho. Passou a representar, dessa forma, 28,2% do Produto Interno Bruto (PIB), o percentual mais elevado desde abril de 2001.
O destaque foi o crédito livre, com expansão de 1,6%, para R$ 311,538 bilhões, cifra que equivale a 16,5% do PIB (percentual mais alto desde o início da atual série estatística do Banco Central, iniciada em 2001). As operações de leasing cresceram 3,4%.
O crédito direcionado (como habitação, rural e empréstimos do BNDES) mantém tendência de estagnação, com variação de 1% no mês; o volume total desse segmento, R$ 184,067 bilhões, equivale a 9,7% do PIB. Em junho de 2000, quando começa a atual série estatística, o volume de crédito direcionado representava 13,6% do PIB e, desde então, vem definhando.
O volume total de crédito cresceu com relativo vigor em junho, puxado pelas linhas de crédito à pessoa física, que se expandiram 2% em julho; os empréstimos às empresas cresceram 1,6%.
Embora os volumes gerais de crédito na economia continuem a crescer, há sinais, ainda que preliminares, de perda de vigor, na margem. O volume de concessões se desacelerou em algumas das principais linhas. É o caso, por exemplo, da média diária de concessões descontos de duplicatas, com recuo de 1,9% entre junho e julho; do capital de giro, com queda de 9,4%; e aquisição de bens, 10,3%. O resultado global das concessões para pessoas jurídicas é um recuo no mês de 1,6%, com a média diária de contratações passando de R$ 3,311 bilhões a R$ 3,258 bilhões. Foi o segundo mês seguido de queda nas contratações.
Já os empréstimos a pessoas físicas continuaram a sua tendência de expansão na margem. A média diária de contratações cresceu 0,9%, passando de R$ 1,759 bilhão para R$ 1,774 bilhão. Por trás dos dados agregados, porém, há linhas que tiveram maior expansão e outras que recuaram fortemente.
A surpresa negativa ficou por conta do crédito consignado, que até agora era o carro chefe do atual ciclo de expansão de crédito na economia. Os dados de uma amostra com as 13 principais instituições financeiras no segmento de crédito pessoal mostra que a média diária das concessões de crédito consignado caíram 7,25% em julho, passando de R$ 99,45 milhões para R$ 92,24 milhões.
Essa não foi, porém, a primeira vez em que o volume de concessões do crédito consignado recua. Em abril, ocorreu evento semelhante, ainda que em menor magnitude. Nos meses seguintes, houve recuperação. Serão necessárias novas observações estatísticas para determinar uma tendência agregada do mercado.
O destaque positivo, por outro lado, foram os empréstimos para a aquisições de bens (excluindo veículos), cuja média diária de concessões cresceu 7,7% no mês, passando de R$ 70 milhões para R$ 76 milhões. “O aumento das operações de financiamento de aquisição de outros bens é fruto das compras de carteiras de redes varejistas por instituições financeiras”, afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Em relatório divulgado ao mercado, analistas do Bradesco afirmam que a expansão do crédito vem ocorrendo em função da maior bancarização e endividamento das pessoas.
“A introdução de inovações como o crédito consignado, com menores taxas de juros, deve ter atraído parte não desprezível da população que não tinha acesso ao sistema bancário”, diz relatório do banco. Os analistas citam pesquisa encomendada ao Instituto Vox Populi pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) que apurou que 51% dos aposentados e pensionistas do INSS entrevistados que tomaram crédito consignado nunca haviam levantando crédito bancário anteriormente.
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias da Fecomércio vão na mesma direção, dizem os analistas, indicando que o número de endividados aumentou de 57% em julho para 67% em agosto. Por outro lado, o percentual de endividados com conta em atraso caiu de 49% para 46% no mesmo período. O percentual da amostra com contas em atraso ficou estável em 25%. “Esse dado está em linha com nosso argumento de que mais pessoas estão se endividando, e não, necessariamente, que os já endividados estejam aumentando as dívidas”.
Fonte: www.fenae.org.br
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Por Mhais• 24 de agosto de 2005• 10:50• Sem categoria
Volume de crédito atinge os 28,2% do PIB
O volume de crédito na economia seguiu tendência de crescimento em julho, com expansão de 1,5%, mas houve desaceleração em algumas linhas – particularmente no crédito consignado em folha de pagamento, que vinha se mostrando o segmento mais dinâmico da economia.
O volume total de crédito do sistema financeiro subiu de RS$ 525,637 bilhões para R$ 533,407 bilhões entre junho e julho. Passou a representar, dessa forma, 28,2% do Produto Interno Bruto (PIB), o percentual mais elevado desde abril de 2001.
O destaque foi o crédito livre, com expansão de 1,6%, para R$ 311,538 bilhões, cifra que equivale a 16,5% do PIB (percentual mais alto desde o início da atual série estatística do Banco Central, iniciada em 2001). As operações de leasing cresceram 3,4%.
O crédito direcionado (como habitação, rural e empréstimos do BNDES) mantém tendência de estagnação, com variação de 1% no mês; o volume total desse segmento, R$ 184,067 bilhões, equivale a 9,7% do PIB. Em junho de 2000, quando começa a atual série estatística, o volume de crédito direcionado representava 13,6% do PIB e, desde então, vem definhando.
O volume total de crédito cresceu com relativo vigor em junho, puxado pelas linhas de crédito à pessoa física, que se expandiram 2% em julho; os empréstimos às empresas cresceram 1,6%.
Embora os volumes gerais de crédito na economia continuem a crescer, há sinais, ainda que preliminares, de perda de vigor, na margem. O volume de concessões se desacelerou em algumas das principais linhas. É o caso, por exemplo, da média diária de concessões descontos de duplicatas, com recuo de 1,9% entre junho e julho; do capital de giro, com queda de 9,4%; e aquisição de bens, 10,3%. O resultado global das concessões para pessoas jurídicas é um recuo no mês de 1,6%, com a média diária de contratações passando de R$ 3,311 bilhões a R$ 3,258 bilhões. Foi o segundo mês seguido de queda nas contratações.
Já os empréstimos a pessoas físicas continuaram a sua tendência de expansão na margem. A média diária de contratações cresceu 0,9%, passando de R$ 1,759 bilhão para R$ 1,774 bilhão. Por trás dos dados agregados, porém, há linhas que tiveram maior expansão e outras que recuaram fortemente.
A surpresa negativa ficou por conta do crédito consignado, que até agora era o carro chefe do atual ciclo de expansão de crédito na economia. Os dados de uma amostra com as 13 principais instituições financeiras no segmento de crédito pessoal mostra que a média diária das concessões de crédito consignado caíram 7,25% em julho, passando de R$ 99,45 milhões para R$ 92,24 milhões.
Essa não foi, porém, a primeira vez em que o volume de concessões do crédito consignado recua. Em abril, ocorreu evento semelhante, ainda que em menor magnitude. Nos meses seguintes, houve recuperação. Serão necessárias novas observações estatísticas para determinar uma tendência agregada do mercado.
O destaque positivo, por outro lado, foram os empréstimos para a aquisições de bens (excluindo veículos), cuja média diária de concessões cresceu 7,7% no mês, passando de R$ 70 milhões para R$ 76 milhões. “O aumento das operações de financiamento de aquisição de outros bens é fruto das compras de carteiras de redes varejistas por instituições financeiras”, afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Em relatório divulgado ao mercado, analistas do Bradesco afirmam que a expansão do crédito vem ocorrendo em função da maior bancarização e endividamento das pessoas.
“A introdução de inovações como o crédito consignado, com menores taxas de juros, deve ter atraído parte não desprezível da população que não tinha acesso ao sistema bancário”, diz relatório do banco. Os analistas citam pesquisa encomendada ao Instituto Vox Populi pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) que apurou que 51% dos aposentados e pensionistas do INSS entrevistados que tomaram crédito consignado nunca haviam levantando crédito bancário anteriormente.
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias da Fecomércio vão na mesma direção, dizem os analistas, indicando que o número de endividados aumentou de 57% em julho para 67% em agosto. Por outro lado, o percentual de endividados com conta em atraso caiu de 49% para 46% no mesmo período. O percentual da amostra com contas em atraso ficou estável em 25%. “Esse dado está em linha com nosso argumento de que mais pessoas estão se endividando, e não, necessariamente, que os já endividados estejam aumentando as dívidas”.
Fonte: www.fenae.org.br
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