Em áudio publicado com exclusividade pelo Brasil 247, o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, diz a clientes que Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, e Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central pedem conselhos a ele. Falou também sobre suas relações com ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e diz que teve encontros para que a independência do BC fosse aprovada na Corte.

Na conferência com investidores que vazou e foi obtida com exclusividade pelo 247, o banqueiro diz que Lira ligou para ele no dia da demissão de vários secretários do ministro da Economia, Paulo Guedes. Já Campos Neto, segundo o banqueiro, ligou para ele para saber qual que deveria ser o piso (“lower bound”) da taxa de juros no Brasil.

Em sua coluna  desta terça-feira (26), publicada na Folha de S. Paulo, a jornalista Cristina Serra diz que áudio desnuda um Brasil refém de meia dúzia de espertalhões.

“O portal de notícias Brasil 247 publicou o áudio de animada conversa entre o banqueiro André Esteves e um grupo de clientes. É uma aula sobre os donos do poder no Brasil, entrecortada por risadas típicas de quem está ganhando muito dinheiro, ainda que o país esteja uma desgraça”, escreve a jornalista Cristina Serra.

“O banqueiro faz questão de exibir sua influência junto às mais altas instâncias do poder político, com uma mistura de cinismo e boçalidade envernizada, própria de quem se acha educado só porque sabe usar os talheres. Esteves jacta-se de seu prestígio junto ao presidente da Câmara, Arthur Lira. Gaba-se do acesso ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a ponto de este tê-lo consultado sobre o nível da taxa de juros, atitude que é um escândalo de relações carnais entre o público e o privado. Vangloria-se de ter influenciado a decisão do STF favorável à independência do Banco Central, informando ter conversado com alguns ministros antes do julgamento”, prossegue.

Cristina Serra menciona ainda a comparação feita por ele entre o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff  e o golpe de 1964: “Dia 31 de março de 64 não teve nenhum tiro, ninguém foi preso, as crianças foram pra escola, o mercado funcionou. Foi [como] o impeachment da Dilma, com simbolismos, linguagens, personagens da época, mas a melhor analogia é o impeachment da Dilma”.

“A comparação é um insulto aos milhares de presos, perseguidos, torturados e assassinados na ditadura, mas o raciocínio de Esteves faz sentido ao aproximar (talvez sem querer) as duas datas infames: 1964 e 2016 foram golpes. A conversa desinibida do banqueiro desnuda, de maneira explícita, um país refém de meia dúzia de espertalhões do mercado financeiro”, finaliza.

Ao Valor, banqueiro reclama da repercussão

O jornal Valor Econômico também repercutiu o áudio do banqueiro. A colunista  Maria Cristina Fernandes, editora do jornal, escreveu um londo texto onde  tratou o banqueiro André Esteves como “um pedagogo que não aprende”.

Foi uma crítica sutil ao empresário por falar demais, feita pelo jornal, que também lembrou que ele foi preso no passado por supostamente cometer os mesmos pecados.

No áudio publicado pelo 247, ele se jacta de exercer forte influência sobre a Câmara dos Deputados, o Banco Central e o Supremo Tribunal Federal. Além disso, praticamente confessou que ajudou a operar o golpe de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff – golpe que colocou milhões de brasileiros na fome e na miséria.

Fonte: CUT, com informações de Brasil 247

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