Em uma sociedade preconceituosa como a nossa, celebrar o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado nesta sexta-feira (20) é, acima de tudo, um ato de coragem e de rebeldia. Não deveria ser assim, é claro, mas, diante de um presidente da República que, por exemplo, diz que quilombolas pesam em arrobas (unidade de medida de peso para animais), e com inúmeros casos de violência contra os negros, como a morte de João Alberto Silveira Freitas em um supermercado de Porto Alegre, a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-CUT-PR) celebrar esta data é mais do que necessária.

A data faz memória ao Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo de Palmares, morto neste dia, no ano de 1695. Ela serve para se ressaltar a importância da cultura e do povo negro na formação da cultura nacional.

Para o secretário de combate ao racismo da Fetec, Ivaí Lopes Barroso, o Dia da Consciência Negra deve servir como uma referência do que os negros passaram e passam nos dias atuais. “Os negros, desde que foram retirados à força da África, passaram por atos extremamente desumanos e cruéis. É importante que haja uma reflexão da sociedade sobre isso. Mostrar que há dois lados desta história: a oficial e a real. Então é preciso confrontar esta branquitude, que nos marca até os dias atuais. Resistência é a palavra e essa data significa isto”, salienta.

Ivaí explica o que a Fetec e os seus sindicatos fazem para coibir o racismo dentro do ambiente de trabalho dos bancários e bancárias. “Conseguimos fazer uma pesquisa junto aos bancos para mostrar a diversidade de seus trabalhadores. Com base nisso, promovemos ações contra o racismo, questionamos o porquê de contratarem menos negros, entre outros. Aliado a isso, organizamos grupos que fazem este tipo de debate e trabalhamos estas reivindicações específicas junto a Fenaban”, informa.

Embora admita que o racismo não começou no governo atual, Ivaí afirma que este projeto de ódio ganhou força nos dias atuais. “O racismo é uma ‘idéia’ de longa data, vindo do período colonial. Foi feito para durar, para deixar os negros submissos aos brancos. A nossa estrutura é racista e ele vem crescendo muito com o bolsonaro. Basta ver os números da violência para comprovar isso”.

Por fim, o secretário da Fetec deixa a dica para combater o racismo. “Educação. É preciso trabalhar muito isso para tentar acabar com este mal. Mostrar que agir desta forma é errado e também tem que se confrontar o privilégio dos brancos”, encerra.

Fetec contra o racismo

A Fetec-CUT-PR entende que não poderia deixar de prestar sua homenagem para uma data importante como esta. O presidente da federação, Deonísio Schmidt, ressalta a importância de se combater esse mal que  ainda teima em sobreviver em pleno século XXI. “A Fetec e seus sindicatos são radicalmente contra todo e qualquer tipo de racismo. Como bem disse Angela Davis (filósofa, feminista, marxista e professora dos Estados Unidos) ‘em uma sociedade racista, não basta não ser racista é preciso ser antirracista’. O Dia Nacional da Consciência Negra deve ser respeitado por tudo aquilo que representa. Sempre estaremos prontos a combater o racismo”, ressalta.

Zumbi dos Palmares

Não se pode falar do Dia da Consciência Negra sem citar o homenageado pela data, Zumbi dos Palmares. O secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, fala um pouco sobre este personagem. “Zumbi dos Palmares é um personagem histórico, que representa a luta do negro contra a escravidão no período do Brasil Colonial, mas também contra a opressão e o racismo que persistem até os dias atuais”, explicou o secretário 

“Zumbi morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravagista e também uma forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. Zumbi lutou até a morte por esta cultura e pela liberdade do seu povo. Por tudo isso, consideramos ele e sua luta como símbolo da consciência negra. Da consciência que o povo negro precisa lutar contra o racismo, contra o preconceito para conseguir usufruir dos seus direitos”, completou.

Texto: Flávio Augusto Laginski e Contraf-CUT

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