Nova lei do petróleo, retomada do monopólio e defesa da Petrobrás unem movimento sindical e social contra sabotagem demo-tucana

A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) realizou uma reunião extraordinária nesta segunda-feira (25), na sede nacional da CUT, com lideranças da Federação Única dos Petroleiros (FUP) para organizar o calendário de luta da campanha por uma nova lei do petróleo, pela retomada do monopólio estatal e em defesa da Petrobrás pública e com compromisso social.

A exemplo da mobilização que reuniu 5 mil pessoas no Rio de Janeiro no último dia 21, foram marcadas manifestações unitárias do movimento sindical e social em Natal-RN nesta terça (26/5), Curitiba (2/6), Brasília (3/6) e Manaus (11/6). Em São Paulo, a data será fechada na próxima sexta-feira. Em Recife, o ato aconteceu na manhã de hoje, em frente à Câmara de Vereadores. Além das atividades já marcadas, as entidades estão coletando assinaturas para um Projeto de Iniciativa Popular que estabelece um novo marco regulatório para o petróleo.

“Vamos ampliar a convocação em defesa do nosso petróleo e gás contra os que querem destruir a imagem da Petrobrás, tanto dentro do Brasil como lá fora, para paralisar os investimentos da empresa e sabotar o desenvolvimento do país”, declarou o presidente da CUT, Artur Henrique. De acordo com o dirigente cutista, as alegações dos privatistas e entreguistas – “que querem transformar a CPI em palanque contra o interesse nacional” – de que falta fiscalização, não correspondem à realidade, “pois além do Tribunal de Contas da União fiscalizar a empresa, há mecanismos como a própria Controladoria Geral da União, Receita Federal e outros, ligadas ao próprio mercado”.

Para o coordenador da FUP, João Antonio de Moraes, o objetivo do PSDB e do DEM com a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás é “travar a lei do petróleo e impedir que o Brasil tenha o controle sobre as imensas riquezas do pré-Sal”. Na verdade, sublinhou, é uma sabotagem que atende aos interesses do cartel transnacional que explora o setor, pois “o pré-Sal é a grande fronteira petrolífera descoberta depois dos anos 80 e como os países centrais estão sem saída na questão energética, cada vez mais dependentes do nosso petróleo, se voltam para cá”. “Defendemos a retomada do controle da sociedade através do Estado para que o país possa saldar sua dívida social histórica, constituindo um Fundo Social Soberano para ser invertido em saúde, educação e moradia para o povo brasileiro”, acrescentou Moraes.

Conforme Antonio Carlos Spis, da executiva nacional da CUT e da CMS, “há um eixo patriótico nas manifestações, que extrapolam as entidades, e ganham uma dimensão nacionalista”. “Daí a importância de mudar o marco regulatório para resgatarmos a luta histórica em defesa do monopólio estatal do petróleo, que dialoga com a importância da anulação do leilão de privatização da Vale e da reestatização da Embraer. Para nós, esta é uma luta pela soberania nacional”, acrescentou Spis.

Representando o MST, (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), Igor Felippe lembrou da “campanha cívica” que ganhou as ruas nos anos 40 e 50 com a conformação de comitês em vários municípios. “Esta é uma lição que anima a todos e deve seguir nos orientando para casar a questão patriótica do petróleo com datas como o 7 de setembro”, destacou Igor, defendendo mais atenção dos movimentos à coleta de assinaturas para o Projeto de Iniciativa Popular por uma nova lei do petróleo.

Dirigente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Rafael Tokarski, denunciou que “as CPIs têm sido o principal instrumento da oposição”, e que, especificamente esta, contra a Petrobrás, “mira com precisão a luta que está colocada” em defesa do controle nacional sobre as riquezas do pré-Sal. “Neste momento em que precisamos unir o Brasil e o povo brasileiro para barrar a crise, com um Estado investidor, a oposição assume uma postura anti-patriota contra o patrimônio público”, disse.

Na avaliação do vice-presidente nacional da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), “este é o momento de nos jogarmos de corpo e alma nesta batalha pela soberania nacional, em defesa da Petrobrás, do Brasil e do povo brasileiro”. “Com a instalação da CPI, os entreguistas e privatistas querem abrir caminho para açambarcar as nossas riquezas e isso nós não vamos permitir”, sublinhou.

Integrante da coordenação da FUP e da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Wagner Caetano informou que no Amazonas, Manaus e Parintins realizarão manifestações em defesa da Petrobrás. “A defesa do nosso petróleo é um tema envolvente, apaixonante, que unifica a todos os brasileiros contra a direita, que quer entregar a nossa riqueza aos estrangeiros. Pautamos a proposta de uma empresa 100% pública, com a recompra das ações da Petrobrás que estão no exterior”, acrescentou.

O secretário de Política Sindical da CUT Nacional, Vagner Freitas, acredita que é preciso aproveitar a oportunidade para unificar as ações dos movimentos sindical e social em defesa do patrimônio público nacional. “Defendemos um modelo de desenvolvimento com controle público, enquanto os tucanos querem mesmo é privatizar o patrimônio que é de todos, como fizeram recentemente com a CESP e a Nossa Caixa, em São Paulo”.

A secretária Nacional da Mulher Trabalhadora, Rosane Silva, destacou o significado “da aliança estratégica com os movimentos sociais que lutam lado a lado na construção de um projeto democrático-popular”, frisando o papel da mobilização para derrotar os privatistas.

Por Leonardo Severo.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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O dia em que a PETROBRAS deixou de ser BRASileira

Dia 26 de dezembro de 2000, um dia depois do Natal, o povo brasileiro foi surpreendido por mais uma medida antinacional do governo FHC.

Coerente com a máxima de FHC de que “ia virar a página do getulismo no Brasil” – sem o que o neoliberalismo não seria possível – o presidente da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul, anunciou que a empresa estava mudando seu nome comercial para PetroBrax.

Segundo ele, o objetivo seria “unificar a marca e facilitar seu processo de internacionalização” (sic) (FSP, 27/12/2000). Afirmou ele que “a medida ganhou na semana passada o aval do presidente Fernando Henrique Cardoso”.

Segundo Alexandre Machado, consultor da presidência da Petrobras, a operação custaria à empresa 50 milhões de dólares, para realizar um projeto da agência paulista de design Und SC Litda, “contratada sem licitação”, segundo o presidente da Petrobras. “Um dos argumentos favoráveis – relata a FSP – foi que o sufixo “bras” estaria, internamente, associado à ineficiência estatal.” “No front externo, um dos argumentos para a mudança da marca é de tirar a associação excessiva que o nome Petrobras tem com o Brasil . Segundo Norberto Chamma, diretor da Und, que apresentou a nova marca ontem para jornalistas, a desvinculação é importante para que a empresa não seja obrigada a arcar com os ônus dessa ligação.” (sic)

A direita subestimou a capacidade de resistência do povo brasileiro, submetido a tantas afrontas no governo tucano, que este pensou que ele estava anestesiado. (Uma coluna do próprio jornal FSP diz que o jornal subestimou a reação popular contra a medida.) Mas a operação durou apenas algumas horas. Apesar da tentativa de pegar o povo distraído pelo período entre Natal e Ano Novo, em dois dias o governo teve que retroceder da sua vergonhosa tentativa de preparar a maior empresa brasileira para “facilitar seu processo de internacionalização” – não há melhor confissão da intenção de privatizá-la, de que a venda de ações na Bolsa de Nova York foi um passo concreto. O país estava submetido à nova Carta de Intenções do FMI, depois da terceira vez que o governo tucano de FMC e de Serra havia quebrado nossa economia e havia indícios claros que a privatização da Petrobras, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil faziam parte das contrapartidas dos novos empréstimos que o FMI concedia ao governo de FHC.

26 de dezembro foi um dia da vergonha nacional, com essa tentativa fracassada de tirar o nome do Brasil da Petrobras, para tirar a Petrobras do Brasil. Sabemos que FHC estava totalmente de acordo. Seria bom saber onde andavam e que atitude tomaram os que agora dizem se preocupar com a Petrobras. Que posição teve, por exemplo, José Serra diante dessa ignominiosa atitude do governo a que ele pertenceu? E as empresas da mídia e seus funcionários colunistas?

E que atitude tomaram os senadores, agora tão interessados nos destinos da Petrobras, ao subscrever o pedido da CPI, quando a existência mesma da empresa estava em jogo?

O senador Álvaro Dias talvez estivesse ocupado com a defesa dos processos por uso da cavalaria da PM contra professores ou preparando algum dossiê falso contra adversários políticos, ou tentando se defender das acusações de crime contra a administração pública, movidas pelo SupremoTribunalFederal.

Já o senador Artur Virgilio talvez estivesse tentando organizar sua defesa da acusação de envolvimento com prostituição infantil de que foi acusado ou preocupado em libertar o filho, preso por desacato e pornografia .

O senador Cicero Lucena talvez estivesse preocupado com o processo do Supremo Tribunal Federal por formação de quadrilha e desvio de verba.

O senador Eduardo Azeredo, fundador do mensalão mineiro, poderia estar preparando já seu projeto de lei que quer censurar a internet.

O senador Flexa Ribeiro talvez estivesse às voltas com o que depois foi revelado como sendo a inclusão do seu nome na “folha de pagamento” das empreiteiras.

Já o senador Marconi Perillo poderia estar preocupando-se pelo que o Ministério Publico Federal encontraria como irregularidades em seu governo, pedindo sua cassação.

O senador Tasso Jereissatti poderia estar às voltas com viagens em um do seus jatinhos, por conta das verbas do Senado, que ele consideraria “legais”.

O senador Efraim Morais poderia estar ocupado com a nomeação de algum dos seus 52 parentes que tem no seu gabinete.

Ou com a investigação do Ministério Público Federal sobre o que, uma vez apurado, se tornaria seu envolvimento em esquema de propinas no Senado, junto com o senador Romeu Tuma.

O senador Heraclio Fortes poderia estar preocupado com o caso de corrupção do Zoghibi, tentando esconder sem envolvimento.

Já o senador Jayme Campos poderia estar às voltas com o que viria a ser denunciado como sua participação no inquérito sobre sanguessugas.

O senador José Agripino poderia estar em contato com empreiteiras, segundo acusações de doações “por fora” de que foi objeto.

A senadora Katia Abreu poderia estar manifestando seu apoio aos escravagistas do Pará.

A senadora Maria do Carlo Alves poderia estar envolvida com o que se configurou depois como acusações de caixa dois.

Já o senador Jarbas Vasconcelos poderia estar gozando dos 17,3 mil reais mensais desde 1992, sem trabalhar.

O senador Pedro Simon poderia estar tomando a mesma atitude que tomaria diante da corrupção do governo de Yeda Crusius: silêncio total.

O senador Geraldo Mesquita poderia estar utilizando os salários que os seus funcionários lhe acusam de que lhes roubou.

O senador Mão Santa poderia estar ocupado em algum contato com Camargo Correa, da qual foi acusado de receber propinas.

O senador Romeu Tuma poderia estar preocupado com aquilo de que mais tarde foi acusado, de participação em esquema do Senado.

O senador Mozarildo Cavalcanti poderia estar ocupado em atividades que mais tarde seriam denunciadas como crimes contra a administração pública.

Poderiam os senadores que convocaram a CPI estar ocupados nisso. Mas o certo é que estavam centralmente ocupados em apoiar o governo que tentou privatizar a Petrobrás, que fez um balão de ensaio no dia 26 de dezembro de 2000, teve que recuar, e agora tenta voltar à carga, no momento em que se discute a nova regulamentação da exploração do petróleo e todo o processo do pré-sal. Une suas atuações um profundo sentimento de desprezo pelo que é brasileiro, pela que a Petrobrás representou e representa para o país.

Por isso precisam ser repudiados, na mesma lista dos políticos que resistiram à fundação da Petrobras, aos que quebraram o monopólio do petróleo e aos que desprezam o que representa a Petrobras para o Brasil. Defender hoje a Petrobras é defender o Brasil, de hoje e de amanhã.

Todas as informações acima estão disponíveis na internet, nos endereços abaixo e em outros:

Professores param no dia 29 para lembrar cavalaria de Alvaro Dias

http://democraciapolitica.blogspot.com/2008/04/o-dossi-tucano-para-ser.html

http://www.stf.jus.br/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=4216&classe=Pet&codigoClasse=0&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M

http//alainet.org/active/21674&Lang=es

http://www.midiandependente.org/pt/blue/2004/10/292415.shtml

http://www.institutobrasilverdade.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2010&Itemid=67

http://www.jusbrail.com.br/1063687/stf-desmembra-inquerito-do-mensalao-mineiro/relacionadas;jsessionid=41E291D0ABA0E476D62380FA4316E7

http://www.interney.net/blogs/inagaki=2008/11¹15diga_nao_ao_projeto_do_senador_azeredo_d/

http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac345516,0.html

http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/eleitoral/caixa-dois-mpe-go-pede-a-cassacao-de-marconi-perillo/

http://brasildacorrupcao.blogspot.com/2009/04/tasso-jereissati-aviao-fretado-com.html

http//:veja.abril.com/noticias/Brasil/senador-mantinha-52-funcionarios-fantasmas-470762.shtml

http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=27940

http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/criminal/sanguessuga-inquerito-sobre-senador-de-mato-grosso-e-enviado-ao-stf/

http://revistaepoca.globo.com/Revista/EpocaQo,,EMI65568-15223,00-PSDB+DEM+E+FIESP+NOS+PAPEIS+DA+CAMARGO+CORREA,html

http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2007/07/06/e-katia-abreu-continua-indo-contra-o-combate-a-escravidão

http://www.cinforme.com.br/noticias/1294

http://oglobo.com/pais/mat/2009/03/03/em-discurso-inflamado-no-plenario-da-camara-silvio-costa-chama-jarbas-de-maraja-parasita-do-dinheiro-publico-754669548.asp

http://julidaluz.blogspot.com/2008/09/geografia-moral-do-senador-pedro-simon.html

http://pt.wiki/Senador_brasileiro_acusado_de_mensalinho_anuncia_desfilia%C3&percent;A7percent;C3percent;A3o_de_partido

http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_3/2009/03/29/noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=93684/noticia_interna.shtml

http://www.novojornal.com/politica_noticia.php?codigo_noticia=9722

http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.aps?numero=2595&classe=Inq&codigoClasse=0&origem=AP&recurso=O&tipoJulgamento=M

Por Emir Sader.

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Petrobrax para iniciantes

A manchete da Folha de S.Paulo estampa: “Petrobras gastou R$ 47 bi sem licitação em seis anos”. Tiro à queima roupa. Vamos, portanto, à CPI. Quem for brasileiro que siga Arthur Virgílio. Mas, aí, vem o maldito segundo parágrafo: “Amparada por decreto presidencial editado por Fernando Henrique Cardoso em 1998 e em decisões do Supremo Tribunal Federal, a petroleira contratou sem licitação….”. Entre 2001 e 2002, no governo FHC, a empresa contratou cerca de R$ 25 bilhões sem licitações, em valores não atualizados. O artigo é de Leandro Fortes, no blog Brasília, eu vi.

Eu estava mesmo querendo falar sobre essa incrível cruzada ao fundo do poço que a oposição, PSDB à frente, decidiu empreender contra a Petrobras, justo no momento em que a empresa se posiciona como uma das grandes do planeta. Sim, a inveja é uma merda, todo mundo sabe disso, mas mesmo a mais suntuosa das privadas tem um limite de retenção. Como não se faz CPI no Brasil sem um acordo prévio com publishers e redações, fiquei quieto, aqui no meu canto, com meus olhos de professor a esperar por um bom exemplo para estudo de caso, porque coisa chata é ficar perdido em conjecturas sem ter um mísero emblema para oferecer aos alunos ou, no caso, ao surpreendente número de pessoas que vem a este blog dar nem que seja uma olhada. Pois bem, esse dia chegou.

Assinante do UOL há cinco anos, é com ele que acordo para o mundo, o que não tem melhorado muito o meu humor matutino, diga-se de passagem. De cara, vejo estampada, em letras garrafo-digitais, a seguinte manchete:

Petrobras gastou R$ 47 bi sem licitação em seis anos

Teca, minha cocker spaniel semi-paralítica, se aninha nos meus pés, mas eu não consigo ficar parado. Piso nas patas traseiras dela, mas, felizmente, ela nada sente. A dedução, de tão lógica, me maltrata o ânimo. Se tamanha safadeza ocorreu nos últimos seis anos, trata-se da Era Lula, redondinha, do marco zero, em 2003, até os dias de hoje. Nisso, pelo menos, a matéria não me surpreende. Está lá:

“Desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Petrobras gastou cerca de R$ 47 bilhões em contratos feitos sem licitação, informa reportagem de Rubens Valente, publicada na Folha desta quarta-feira” (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Pá-pá-pá. Preto no branco. Tiro à queima roupa. Um lead jornalístico seco como biscoito de polvilho. Desde que chegou ao Planalto, Lula deixou a Petrobrás gastar 47 bilhões de reais em contratos sem licitação. Vamos, portanto, à CPI. Nada de chiadeira. Demos e tucanos, afinal, têm razão. Bilhões delas. Dane-se o Pré-Sal e o mercado de ações. Quem for brasileiro que siga Arthur Virgílio!

Mas, aí, vem o maldito segundo parágrafo, o sublead, essa réstia de informação que, pudesse ser limada da pirâmide invertida do texto jornalístico, pouparia à oposição tocar a CPI sem o constrangimento de ter que bolar malabarismos retóricos em torno das informações que se seguem. São elas, segundo a Folha On Line:

Amparada por decreto presidencial editado por Fernando Henrique Cardoso em 1998 e em decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), a petroleira contratou sem licitação serviços como construção, aluguel e manutenção de prédios, vigilância, repasses a prefeituras, gastos com advogados e patrocínios culturais, entre outros. O valor corresponde a 36,4% do total de gastos com serviços (R$ 129 bilhões) da petroleira de janeiro de 2003 a abril de 2009.

A prática não começou com Lula. Somente entre 2001 e 2002, sob a administração de Fernando Henrique (PSDB-SP), a petroleira contratou cerca de R$ 25 bilhões sem licitações, em valores não atualizados.

Parem as rotativas digitais! Contenham as massas! Abatam os abutres! Como é que é? Volto à minha sala de aula imaginária (só poderia ser, porque hoje eu nem dou aula). Vamos fazer uma análise pontual do texto jornalístico, menos pelo estilo, impecável em sua dureza linear, diria até cartesiana, mas pela colocação equivocada das informações. Depois caem de pau em cima de mim porque defendo a obrigatoriedade do diploma. Vamos lá:

1) Na base da pirâmide invertida, há uma informação que deveria estar no lead e, mais ainda, no título da matéria. Senão, vejamos. Se entre 2001 e 2002 a Petrobras gastou 25 bilhões, “em valores não atualizados” (???), em contratos sem licitações, logo, a matéria deveria começar, em seu parágrafo inicial, com a seguinte informação: “Nos últimos oito anos, a Petrobras gastou R$ 72 bilhões (R$ 47 bilhões + R$ 25 bilhões, “em valores não atualizados”) em contratos sem licitações. Então, CPI nessa cambada! Mas que cambada? Sigamos em frente.

2) O mesmo derradeiro parágrafo informa que a “prática” se iniciou “sob a administração” de Fernando Henrique Cardoso, aquele presidente do PSDB. Aliás, reflito, só é “prática” porque começou com FHC. Se tivesse começado com Lula, seria bandalha mesmo. Mas sou um radical, não prestem atenção em mim. Continuemos a trabalhar dentro de parâmetros técnicos e jornalísticos. Logo, a CPI tem que partir para cima do PT e do PSDB. Um pouco mais em cima do PSDB. Por quê? Explico.

3) Ora, até eu que sou jornalista e, portanto, um foragido da matemática, sou capaz de perceber que se a Petrobrax de FHC gastou R$ 25 bilhões (em valores não atualizados!) em contratos sem licitação em apenas dois anos, e a Petrobras de Lula gastou R$ 47 bilhões em seis anos, há um desnível de gastos bastante razoável entre um e outro. Significa, por exemplo, que FHC gastou R$ 12,5 bilhões por ano. E Lula gastou R$ 7,8 bilhões por ano. Ação, segundo a reportagem da Folha, “amparada por decreto presidencial editado por Fernando Henrique Cardoso, em 1998, e em decisões do STF (Supremo Tribunal Federal)”. Poderia até acrescentar que a Petrobras vale no mercado, hoje, R$ 300 bilhões, e que valia R$ 54 bilhões quando FHC deixou o governo. Mas é preciso manter o foco jornal

4) Temos, então, uma lógica primária. Com base em uma lei de FHC, amparada pelo STF, a Petrobras tem feito contratos sem licitações, de 2001 até hoje. A “prática” é irregular? CPI neles! Todos. Mas, antes, hora de refazer o título e o lead!

Petrobrás gastou R$ 72 bi em contratos sem licitação, em oito anos

Desde 2001, durante o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), até abril deste ano, a Petrobras gastou cerca de R$ 72 bilhões em contratos feitos sem licitação. Os gastos foram autorizados, em 1998, por um decreto presidencial assinado por FHC e, posteriormente, amparados por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre 2001 e 2002, a empresa, sob administração tucana, gastou R$ 25 bilhões em contratos do gênero, em valores não atualizados, uma média de R$ 12,5 bilhões por ano. No governo Lula, esses gastos chegaram a R$ 47 bilhões, entre 2003 e abril de 2009, uma média de R$ 7,8 bilhões anuais.

Bom, não sei vocês, mas eu adoro jornalismo. Em valores atualizados, claro.

Por Leandro Fortes – Brasília eu Vi

Do blog Brasília, eu vi (http://brasiliaeuvi.zip.net/)

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Nas ruas e no Senado, esquenta a disputa em torno da CPI

Organizações da sociedade civil convocam para quinta-feira (21), no Rio de Janeiro, a primeira de uma série de manifestações em defesa da Petrobras. No Senado, a oposição aposta em nova “CPI do fim do mundo” e tenta conquistar a presidência da comissão de inquérito. Federação de Petroleiros acusa PSDB de tentar desestabilizar a empresa e atuar contra a soberania nacional.

RIO DE JANEIRO – A intensa disputa que se avizinha por conta da criação da CPI da Petrobras no Senado já começa a influenciar a movimentação das forças políticas em todo o Brasil. Seja entre os partidos e parlamentares, seja entre as organizações representativas da sociedade civil, os atores políticos já começam a tomar posição frente a uma CPI que, nisso todos concordam, terá o efeito imediato de antecipar o debate eleitoral de 2010. Enquanto as coisas esquentam na arena política, a direção da Petrobras e o Palácio do Planalto temem que a disputa acabe por enfraquecer a importante imagem da qual a empresa desfruta hoje em nível internacional.

Com a participação de entidades como CUT, UNE, MST, CTB e OAB-RJ, entre outras, acontecerá às nove da manhã desta quinta-feira (21), na Cinelândia (Rio de Janeiro), a primeira de uma série de manifestações em defesa da Petrobras que percorrerá o país. Organizado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), o ato será seguido de uma passeata até a sede da empresa, onde os manifestantes deverão promover um abraço simbólico do edifício.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (20), a FUP e a CUT convocam os trabalhadores a tomar parte na manifestação: “O ato público reforçará a urgência de uma nova legislação para garantir o controle estatal e social sobre as reservas brasileiras de petróleo e gás, além de defender a Petrobrás dos ataques tucanos contra a soberania nacional”, diz a nota, que não poupa o PSDB e afirma que o enquanto o partido “arma uma CPI para desestabilizar a empresa que representa a maior fonte de investimentos do país, as multinacionais avançam sobre o pré-sal, intensificando os projetos exploratórios sobre a maior reserva petrolífera descoberta no mundo nos últimos anos”.

O documento dos petroleiros acusa os tucanos de tentarem enfraquecer a Petrobras: “Não por acaso, essa CPI armada pelo PSDB surge no momento em que o governo e a sociedade discutem mudanças na Lei do Petróleo, uma das piores heranças deixadas pelos tucanos. A descoberta do pré-sal trouxe à tona a urgência de novas regras para o setor, que foi totalmente desregulamentado nos anos 90, quando o PSDB entregou às multinacionais a exploração do nosso petróleo e gás. Os tucanos e demais setores conservadores da política nacional não querem que a Petrobrás nem o Estado brasileiro voltem a controlar esse patrimônio tão estratégico para o Brasil”.

Se a disputa política parece estar prestes a ganhar as ruas, no Senado ela já está fervendo. Incapaz de evitar a criação da CPI, a base governista tenta agora ocupar os cargos-chave da comissão de inquérito para controlar as investigações sobre a Petrobras. De acordo com as regras da proporcionalidade observada entre as bancadas, a base governista tem direito a oito das onze cadeiras de titulares da CPI. Com isso, a tendência é que PT e PMDB dividam entre si a presidência e a relatoria dos trabalhos.

Oposição quer presidência

A oposição, naturalmente, tenta obter ao menos a presidência da CPI, posto para o qual até já apresentou o nome do senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA). É uma vitória difícil, e para conquistá-la tucanos e democratas contam com uma dissidência no PMDB que venha a enfraquecer a base governista.

O ponto de rachadura em que aposta a oposição tem nome e sobrenome: Renan Calheiros (PMDB-AL). O atual líder do partido vive uma mágoa incontida com o PT desde que foi afastado da presidência do Senado, e agora vê sua margem de ação avançar graças a aparente imobilidade do líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), que estaria insatisfeito com o Planalto desde que indicados seus foram afastados de cargos na Infraero.

Outra tática da oposição é incluir na investigação o maior número possível de denúncias, tentando fazer da CPI da Petrobras uma nova edição da “CPI do fim do mundo”, como ficou conhecida a CPI dos Bingos à época das denúncias do mensalão. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), já admitiu que os objetos de investigação listados inicialmente podem ser abandonados: “O que mais preocupa os petistas é o que ainda não foi divulgado”, disse. Autor do requerimento de CPI, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) segue a mesma linha: “A CPI é uma investigação política. Ela pode prescindir das provas factuais. Para ela, bastam os indícios”, disse, em entrevista ao programa Roda Viva.

Boa reputação

Atuando como bombeiro, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, já afirmou o compromisso de colaborar ao máximo com a CPI e entregar aos senadores todos os documentos que forem solicitados. Ele afirmou que a empresa está “preocupada” com a possibilidade de a repercussão internacional da CPI enfraquecer a marca Petrobras, mas também “tranqüila” em relação às investigações: “Vamos responder a todas as questões que aparecerem”, garantiu, antes de criticar aqueles que querem generalizar as investigações: “Trataremos os problemas de denúncias genéricas como denúncias genéricas e vamos responder a todos os fatos concretos com a maior transparência”, disse.

Gabrielli está acompanhado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu périplo internacional. Em Pequim, participou na terça-feira (21) da assinatura do contrato com o Banco de Desenvolvimento da China, que vai investir US$ 10 bilhões na Petrobras. Feliz com o acordo que, segundo ele, “nos dá tranqüilidade para financiar nossos investimentos”, Gabrielli lembrou que negócios como esse não seriam fechados não fosse a boa reputação da Petrobras: “A reputação de uma empresa como a Petrobras atinge também seus trabalhadores, acionistas e fornecedores. É algo que tem impacto na própria sociedade brasileira”.

Por Maurício Thuswohl.

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