Uma audiência pública realizada na última sexta-feira, 19 de novembro, marcou na Câmara dos Deputados, em Brasília, o início da campanha “21 dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher”debatendo a interseccionalidade entre o racismo estrutural e a violência de gênero.

Para corroborar essa relação, a audiência pública externalizou os dados dessa violência: em 2020, primeiro ano da pandemia, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública:

>> 17 milhões de mulheres foram vítimas de alguma forma de violência no Brasil;
>> 52% das mulheres que sofreram violência eram pretas.

Os debates na audiência pública também trouxeram à tona a maior incidência da pandemia entre mulheres negras:

>> mulheres negras são responsáveis por 61% dos 11 milhões de lares uni parentais no país;
>> mulheres negras foram 51% das vítimas de lesão corporal e 52% das vítimas de estupro no ano de 2020.

Essas atividades são promovidas não somente no âmbito institucional e legislativo, mas também realizadas historicamente pelos movimentos sociais e sindicais do Brasil anualmente, desde o ano de 1991, marcadas pelo período entre 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, e 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Em outros países do mundo, a campanha é chamada de 16 dias de ativismo, iniciando nesta quinta, 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, e passa também pelo chamado dia do Laço Braço, em 6 de dezembro, Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

Violência contra a mulher cresceu na pandemia

O monitoramento de dados da violência contra a mulher é feito pelo Governo Federal, especialmente através de canais de denúncia, centralizados no Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, e nas ações de atendimento à violência e de acolhimento às mulheres vítimas de violência doméstica, como por exemplo, nas unidades da Casa da Mulher Brasileira.

De acordo com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos:

>> o Brasil é o quinto no ranking mundial dos países que mais mata mulheres;
>> 70% das vítimas de feminicídio nunca havia feito denúncia de violência;
>> apenas nos dois primeiros meses de pandemia, o órgão já havia divulgado um aumento de 35% nas denúncias de violência doméstica pelo Ligue 180 comparado com o mesmo período no ano anterior, chegando a quase 10 mil queixas em abril de 2020;
>> entre 2018 e 2019, aumentou em 74,6% as denúncias de tentativas de feminicídio pelo Ligue 180;
>> desde julho de 2020, mais de 97,4 mil denúncias de violência doméstica e familiar contra a mulher foram registradas pelo Ligue 180.

Sindicato publica série informativa contra a violência de gênero

Para marcar os “21 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários, Financiários e Empresas do Ramo Financeiro de Curitiba e Região apresenta, em abordagens semanais, um compilado da legislação mais recente, em tramitação ou aprovada no Congresso, bem como as leis já sancionadas e em vigência, que atravessam a luta contra a violência de gênero, para que se possa entender os avanços e retrocessos, bem como os direitos das mulheres.

O Sindicato também vai apresentar as contrapartidas da entidade, via ação sindical ou garantidas em Convenção Coletiva de Trabalho nas categorias bancária e financiária, construídas em defesa das mulheres.

Os “21 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher” são um período de conscientização da população sobre os diferentes tipos de agressão cometidos contra meninas e mulheres. Além do feminicídio e da violência física, também se configura a violência contra a mulher a violência psicológica, moral, sexual, patrimonial e as situações de risco.

Fonte: Seeb Curitiba

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