O Itaú S.A. fechou ontem captação externa de US$ 200 milhões com a venda de títulos garantidos por ordens de pagamento de seus clientes ao país, uma chamada securitização de fluxos financeiros. O Banco Itaú Europa, também controlado pela Itaúsa, obteve ? 150 milhões (o equivalente a US$ 170 milhões) em notas de médio prazo.
Ao mesmo tempo, o Itaú BBA continua a vender US$ 50 milhões em eurobônus. “São três bancos do mesmo grupo acessando tipos de investidores diferentes com operações no mercado internacional que não concorrem uma com a outra”, diz Almir Vignoto, CEO do Banco Itaú Europa.
O Itaú S.A. acessou os investidores institucionais, os mais avessos ao risco de crédito, para comprar seus papéis, que tiveram a melhor classificação de risco possível (“AAA” da Fitch Ratings e da Standard & Poor´s e “Aaa” da Moody´s). A razão para o “rating” tão elevado: além da estrutura da securitização, que prevê a criação de empresa de propósito específico que emite os títulos e recebe os fluxos financeiros, o Itaú obteve seguro de risco de crédito da MBIA.
“Vínhamos discutindo com as seguradoras desde o ano passado. Mas, com as dificuldades da fase eleitoral, resolvemos esperar um momento mais apropriado para colocar os papéis”, diz Paulo Soares, diretor-sênior de tesouraria internacional do Banco Itaú. “Foi um trabalho de vários meses, pois as seguradoras estão muito seletivas”, disse Jorge Arruda, diretor-executivo de mercados de capitais na América Latina da Nomura Securities, que liderou a captação.
Só o Itaú e a Petrobras conseguiram seguro de crédito em securitizações neste ano. Especialistas dizem que não há limite para esse tipo de seguro ao país desde o início de 2003, a não ser para operações já acertadas no final do ano passado, o que não foi negado pelo Itaú. “A operação foi fantástica”, disse Arruda, ao informar que a demanda chegou a três vezes o valor captado.
A captação foi dividida em duas parcelas, para atender aos diversos interesses dos investidores institucionais e para se adequar ao perfil de vencimentos de dívida que o Itaú buscava. A primeira parcela, de US$ 150 milhões, vence em setembro de 2008 e paga juros flutuantes correspondentes à Libor (a taxa interbancária de Londres) de três meses, mais 63 pontos básicos ao ano. A segunda parcela, de US$ 50 milhões, vence em março de 2004 e paga juros fixos: Libor de cinco meses mais 5 pontos.
Soares conta que os recursos de prazo mais longo, de 5,2 anos, serão usados em financiamento ao comércio exterior de clientes do Itaú. Já os recursos de curto prazo serão usados no fluxo de caixa da agência de Cayman, diz Antonio Sequeira, gerente-geral do Itaú S.A.. Com a operação, o banco contabiliza US$ 1,737 bilhão em títulos no mercado internacional, dos quais US$ 615 milhões emitidos neste ano.
Já os papéis de ? 150 milhões do Banco Itaú Europa foram comprados principalmente pelos fundos de investimento e investidores de private banking, as pessoas físicas ricas, que aceitam maior risco, mas ainda querem títulos “investment grade” (considerados seguros para investimento). A emissão teve “rating” Baa2/BBB, o mesmo do Itaú Europa, da Moody´s e da Fitch Ratings.
Os juros são flutuantes: o cupom (juro nominal) corresponde à Euribor, taxa interbancária da União Européia, de três meses, mais 55 pontos básicos. O preço ficou em 99,854% do valor de face, representando um rendimento de de Euribor mais 60 pontos básicos.
Além do Royal Bank of Scotland e do Banco IMI, as mesas de mercado de capitais da agência de Londres do Itaú Europa e do Itaú S.A. tiveram uma atuação marcante para o sucesso da emissão. Os recursos, segundo Vignoto, serão usados para financiar empresas européias, principalmente na Península Ibérica, com atuação no Brasil. Essa é a primeira emissão do Itaú Europa em 2003. O banco tem US$ 700 milhões em títulos no mercado internacional.
Já o Banco Itaú BBA está acessando principalmente bancos e investidores pessoas físicas ricas menos avessos ao risco, que aceitam papéis que não são “investment grade”, com seu bônus de US$ 50 milhões à venda no mercado externo desde o dia 10. Os papéis têm prazo de vencimento em dois anos e vão pagar rendimento entre 4,75% e 5% ao ano.
O BicBanco resolveu fechar sua operação de US$ 10 milhões hoje, e não ontem, como previsto antes.
Cristiane Perini Lucchesi, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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