Movimento será lançado hoje no Rio de Janeiro
São Paulo (AE) – Antecipando-se à eventual expulsão, os deputados petistas Luciana Genro (RS), João Batista de Araújo (PA), o Babá, e João Fontes (SE) lançam hoje, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), um movimento para a formação de um novo partido. Eles entendem que, confirmadas as punições aos radicais do partido, o PT estará abandonando os princípios que nortearam sua criação e as correntes que não concordarem com os novos rumos devem se organizar em nova legenda.
“Ao se confirmar a expulsão, vai se configurar um novo partido, que aceita a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que se alia aos partidos da política tradicional que sempre combatemos e abandonou seus princípios”, disse Luciana. A intenção dos três radicais é convencer integrantes de correntes que também estão contrariadas com a atual política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a engrossar o movimento.
No sábado, líderes de várias tendências que lançaram o manifesto Resgate do PT decidiram fazer atos públicos pelo Brasil e tentar aprovar um debate interno. Eles também pregam a mudança de rota do governo, mas ainda não pensam em criar outro partido.
Dois responsáveis pelo manifesto, Markus Sokol, da direção nacional do PT, e o professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Plínio de Arruda Sampaio Júnior argumentam que, antes de pensar em nova legenda, as bases do PT têm de ser consultadas para saber se aprovam ou não a política adotada pelo governo Lula. “Se a ordem atual de fato for mantida, então o movimento poderá caminhar para a ruptura no futuro”, afirmou Plínio de Arruda Sampaio Júnior.
Minoritário
A direção do PT decidiu não mais comentar as ações de Luciana, Babá e Fontes. Sobre o movimento, diz que é natural, mas minoritário. “O patrimônio histórico do PT é de todos nós, mas quem definiu a estratégia política que levou o PT a vencer várias eleições não foram eles”, afirmou ontem o presidente nacional do PT, José Genoíno.
Apesar dessa posição, integrantes do governo acham que um novo partido, mesmo que tenha poucos deputados e senadores a princípio, nascerá forte, pois terá representação nas duas Casas do Congresso e apoio das alas mais à esquerda. Para eles, a nova legenda pode crescer rapidamente e arrebanhar muita gente do PT.
Na reunião do fim de semana, os líderes já viram que os insatisfeitos não são tão poucos como acreditavam. E avaliam que esse movimento pode crescer, se estendendo pelas Assembléias Legislativas do país, o que poderá enfraquecer o PT em algumas regiões.
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