Rio de Janeiro – Um desfile de atores da Companhia de Emergência Teatral encenando o tema Os Sete Pecados Capitais dos Banqueiros marcou hoje (17) o lançamento da campanha nacional salarial dos bancários, no Rio de Janeiro. Os trabalhadores percorreram a Avenida Rio Branco, uma das principais vias no centro da cidade, e depois entregaram a proposta com as reivindicações à Federação dos Bancos, cuja sede fica na Avenida Rio Branco. A garantia do emprego e o reajuste de 11% estão entre as principais reivindicações da categoria.
O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Almir Aguiar, explicou que a peça Os Sete Pecados Capitais dos Banqueiros foi escolhida para chamar a atenção do público. Os atores vestidos de gângsteres representam “a política dos banqueiros com sua despreocupação social”, disse o sindicalista.
De acordo com Almir Aguiar, a principal reivindicação dos trabalhadores é a garantia do emprego. Ele destaca que os bancos tiveram uma alta lucratividade no período da crise financeira mundial e que a fusão de empresas nacionais tem gerado grande concorrência, mas deixado os trabalhadores em segundo plano.
“A economia brasileira está vivendo um momento de expansão, os bancos estão lucrando muito e, com isso, eles têm todas as condições de atender às nossas reivindicações. Os bancários estão adoecendo por causa do assédio moral, queremos também melhores condições de saúde dos trabalhadores, em função das doenças ocupacionais que estão ocorrendo, e melhores condições de trabalho”, destacou Aguiar.
Ainda segundo o sindicalista, o governo atuou de forma incisiva para conter os efeitos da crise financeira internacional e, independentemente da crise, os bancos brasileiros ganharam muito dinheiro: “Por isso é necessária a divisão. Queremos também a participação nos lucros e resultados, que são três salários mais R$ 4 mil, assim a categoria vai alcançar as suas necessidades junto com um conjunto de propostas que apresentamos à Febraban”, disse.
Os trabalhadores também reivindicam cesta-alimentação e tíquete-refeição no valor de R$ 510, fim do assédio moral e das metas abusivas, novas contratações e melhores condições de atendimento.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que recebeu na última quarta-feira (11) as reivindicações dos trabalhadores e que os bancos associados vão avaliar as pautas. “Nessa semana os representantes dos bancos vão se reunir, e a Febraban vai tentar nivelar as propostas já que o que pode ser bom para um banco pode não ser para outro”, ponderou a entidade.
“É um processo de negociação interna, a Febraban confia no bom trâmite das negociações e num acordo das duas partes”, informou a federação.
Por Agência Brasil. Edição: Lílian Beraldo.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.
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Lançamento da Campanha cobra um outro banco
Mobilização começou com uma caminhada pelas ruas do Centro e já ganha apoio dos clientes. Primeira rodada de negociações será sobre saúde e condições de trabalho
São Paulo – Os bancários lançaram a Campanha Nacional Unificada 2010 com uma caminhada pelas ruas do centro de São Paulo nessa segunda-feira dia 16. Ao som do maracatu e animação de malabares, além do alto astral característico das atividades organizadas pelo Sindicato, os trabalhadores mandaram sua mensagem para a população: “Um outro banco é preciso. Amarre-se nessa ideia”.
A presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, lembrou que os clientes também fazem parte da campanha. “Os bancos têm de cumprir seu papel social e contratar mais bancários, o que, além de reduzir as filas nas agências, melhoraria as condições de saúde dos funcionários ao diminuir o ritmo intenso de trabalho, agravado pelas metas abusivas e assédio moral, que tanto adoecem a categoria”, disse ao destacar uma das principais reivindicações dos bancários.
Palavra de cliente – O porteiro Edgar José apoiou o ato dos bancários e aproveitou para reclamar do atendimento nos bancos. “Demoro em média 30 minutos para ser atendido. Em todas as instituições que eu entro percebo que há em média apenas dois caixas para prestar atendimento. É muito pouco. Sem contar as altas tarifas e juros que pagamos. Os bancos precisam melhorar”, afirma. Edgar diz ainda que os bancos têm totais condições de atender as reivindicações dos seus funcionários. “Isso vai refletir em melhorias para os clientes”.
O cobrador de ônibus Dionésio de Souza, cliente do Bradesco, diz que o que mais incomoda nos bancos é a fila. “Já fiquei duas horas no banco para ser atendido”. O trabalhador fala ainda da dificuldade em conseguir financiamento. “A burocracia atrapalha muito. Isso precisa melhorar”, diz.
Com os banqueiros – A primeira rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada 2010 será na terça-feira 24, às 15h. Além de definir o calendário de negociações, os integrantes do Comando Nacional dos Bancários e os representantes da Fenaban farão o primeiro debate da campanha sobre questões de saúde e condições de trabalho.
A presidenta do Sindicato ressalta a importância do tema. “Deixamos claro para a Fenaban que as reivindicações de saúde são um ponto central dessa campanha. Os bancários indicaram nas consultas o fim do assédio moral e das metas abusivas como cruciais”, relata a dirigente. “Por isso vamos tratar do assunto logo na primeira rodada. Os bancários estão entre as categorias que mais adoecem e isso tem de mudar.”
Condições os bancos têm – Somados, os lucros de Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Federal no primeiro semestre de 2010 chegam a R$ 21,3 bilhões. Para ter ideia do quanto isso significa, imagine que daria para forrar 188 estádios do Morumbi. “Os bancos têm de reverter seus ganhos também para clientes e trabalhadores, com mais crédito, menos tarifas e taxas de juros menores, pagando aumento real e PLR maior”, destaca Juvandia.
Em debate – Os bancários já podem enviar perguntas para o programa Momento Bancário em Debate desta terça-feira 17 pelo debate@spbancarios.com.br. Juvandia Moreira e dirigentes sindicais do Banco do Brasil e da Caixa Federal responderão perguntas específicas dos trabalhadores dessas instituições. O Momento Bancário em Debate vai ao ar às 20h pelo www.spbancarios.com.br. Participe!
Por Carlos Fernandes – 16/08/2010.
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Principais reivindicações
Pauta foi definida durante a 12ª Conferência Nacional dos Bancários por representantes dos trabalhadores de todo o país
Campanha Nacional Unificada
Reajuste salarial de 11%
As consultas feitas pelos sindicatos de todo o Brasil foram a principal base para a decisão dos delegados bancários que aprovaram a reivindicação de 11% como índice de reajuste salarial. Na consulta junto aos bancários de São Paulo, Osasco e região, 65% dos trabalhadores apontaram o percentual como o ideal a ser exigido.
O índice de 11% é composto por aumento real de 5%, além de 5,71% de reposição da inflação projetada para o período entre 1º de setembro de 2009 e 31 de agosto de 2010.
O aumento real nos salários conquistado pelos bancários nos últimos seis anos consecutivos tem valorizado o poder de compra dos trabalhadores.
PLR de três salários + R$ 4 mil
A reivindicação que será levada aos banqueiros é o pagamento de três salários mais R$ 4 mil a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Graças à luta da categoria ocorreram diversos avanços. No entanto, é preciso conquistar mais tornando a regra mais justa e sem o desconto dos programas próprios de remuneração.
Para torná-la mais abrangente, está sendo reivindicado que os empregados dispensados sem justa causa ou que pedirem demissão tenham direito a 1/12 do salário por mês trabalhado ou a fração superior a 15 dias.
Valorização dos Pisos
Os bancários querem a valorização dos salários de ingresso na categoria, com o piso salarial de escriturário baseado no salário mínimo do Dieese, de R$ 2.157. A medida, além de promover reajustes nos planos de carreiras existentes na empresa, também valoriza os novos trabalhadores das instituições financeiras.
Piso salarial:
Portaria R$ 1.510
Escriturário R$ 2.157
Caixa R$ 2.913
1º Comissionado R$ 3.641
1º Gerente R$ 4.855
PCCS para todos
Criação de um Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS) para todos os bancos, com o acompanhamento dos sindicatos (veja detalhes abaixo). O objetivo é que o trabalhador bancário possa enxergar um futuro na sua carreira dentro da instituição financeira, garantindo a igualdade de oportunidades a todos os trabalhadores na ascensão profissional, acompanhada de remuneração digna.
Proposta de PCCS:
Reajuste por tempo de casa
1% a cada ano de trabalho
2% a cada cinco anos de trabalho
Treinamento
Os bancos são obrigados a treinar o trabalhador para a nova função por, no mínimo, 60 dias.
Seleção
Para preencher uma nova vaga, o banco é obrigado a fazer um processo de seleção interna, com disponibilização da grade curricular necessária e curso para os trabalhadores dentro do expediente.
Em caso de descomissionamento do bancário, a comissão será incorporada ao salário integralmente.
Remuneração total
Contratação total da remuneração do bancário. Essa foi a decisão dos delegados na 12ª Conferência Nacional. Assim, é necessário negociar com os bancos, além da remuneração fixa (como os salários e verbas) a remuneração variável que a cada ano ocupa parcela maior do salário dos empregados dos bancos. A partir dessas negociações será possível colocar travas, limitar e acabar com a imposição de metas abusivas que atormentam e adoecem os trabalhadores.
Entre as propostas para a remuneração variável é que os bancos paguem mensalmente 10% sobre o total das vendas dos produtos financeiros realizados nas unidades e 5% da receita de prestação de serviços, apurada trimestralmente e distribuída de forma linear, com a incorporação de um percentual ao salário.
Aumentos maiores no VA, VR e auxílio-creche
Os delegados aprovaram aumentos maiores para os vales alimentação e refeição, cada um deles com o valor de um salário mínimo nacional (R$ 510). O aumento foi apontado como prioritária por 75% dos bancários que responderam à consulta do Sindicato. Essa significativa indicação pode ser explicada pela alta que ocorre em alguns produtos alimentícios de primeira necessidade. Segundo o Dieese, entre 1º de setembro de 2009 e 31 de maio de 2010 os alimentos que mais tiveram alta foram raízes e tubérculos (26,78%), grãos (25,38%), feijão (58,9%) e batata (84,7%). Foi aprovado também que o pagamento da cesta-alimentação ocorra durante todo o período de afastamento do bancário.
O valor de um salário mínimo também está sendo reivindicado para a 13ª cesta-alimentação, conquistada durante a Campanha Nacional Unificada de 2007, e para o auxílio-creche.
Fim das metas abusivas
Uma das maiores queixas dos trabalhadores é a cobrança para o cumprimento de metas abusivas. Dessa forma, os bancários estão reivindicando a participação de todos os trabalhadores na estipulação das metas e seus mecanismos de aferição, estabelecendo-se que as mesmas serão obrigatoriamente de caráter coletivo e definidas por departamentos/agências. Além disso, deverá levar em consideração o porte da unidade (departamento/agência), a região de localização, o número de empregados, a carteira de clientes, o perfil econômico local, a abordagem e o tempo de execução das tarefas. E ainda, que as metas serão adequadas e reduzidas proporcionalmente nas hipóteses de afastamentos, licenças, férias, ausência. Já os caixas das agências não serão submetidos às metas.
Combate ao assédio moral
Considerado um dos principais focos do adoecimento da categoria, ao lado da cobrança pelo cumprimento das metas abusivas, o combate ao assédio moral também foi apontado por 75% dos bancários de São Paulo, Osasco e região como prioritário na Campanha Nacional Unificada 2010.
Como proposta para resolver o problema, foi aprovada para integrar a pauta de reivindicações a implantação de programa de orientação e prevenção, com o acompanhamento das entidades sindicais.
Entre as formas de coibir a prática está a criação de mecanismos que possibilitem a denúncia, garantia e preservação do denunciante, prazo para apuração e solução dos problemas.
Segurança bancária
A segurança de bancários, vigilantes e clientes nas agências bancárias é uma das prioridades da categoria na Campanha Nacional Unificada 2010.
Para minimizar os problemas que afetam milhares de trabalhadores de bancos públicos e privados, os delegados da conferência aprovaram como propostas: assistência médica e psicológica, além de estabilidade provisória aos bancários vítimas de assaltos, sequestros ou extorsões.
Também a ampliação dos equipamentos de segurança nas agências, adicional de risco de vida de 30% para funcionários de agências, postos e tesouraria, proibição de transporte de valores e da guarda das chaves dos cofres pelos bancários.
Defesa do emprego
Novas contratações, fim das terceirizações, garantia de emprego inclusive durante os processos de fusão, luta pela ratificação da Convenção 158 da OIT que proíbe dispensas imotivadas, acabar com as demissões por justa causa em função de endividamento, respeito à jornada de trabalho.
Essas foram algumas das prioridades definidas pelos trabalhadores para garantir o emprego dos bancários. A elevação dos pisos de ingresso também servirá para combater a rotatividade na categoria, pois os novos contratados estão ocupando os salários dos trabalhadores desligados com salários cerca de 40% menores.
Sistema Financeiro
Os bancários querem a regulamentação do artigo 192 da Constituição Federal que regra o Sistema Financeiro Nacional, obrigando os bancos a exercerem seus papel social e promover o desenvolvimento do país.
Outros pontos em relação ao SFN são a regulação da remuneração dos executivos e a democratização e ampliação do Conselho Monetário Nacional (CMN) de forma que os trabalhadores, assim como outros setores da sociedade, participem da definição de itens fundamentais para a economia do país e que hoje são decisões tomadas somente pelos técnicos do Banco Central, a exemplo da taxa de juros.
Discutiram também a importância dos bancos públicos e se posicionaram contrários às privatizações.
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