“Sem concursos, o Estado ficará sem dar retorno à sociedade. Não é esse o caminho a seguir”, declara o diretor da Condsef

“No dia 13 de abril vamos fazer uma nova mobilização nacional contra os cortes no Orçamento. Se depender da política adotada pela área econômica do governo, os servidores ficarão com o salário congelado, sem novas contratações e com concursos suspensos. Cortando a força do trabalho, o Estado ficará sem dar retorno à sociedade brasileira. Não é esse o caminho a seguir”, denunciou Sérgio Ronaldo da Silva, diretor da Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef).

Sérgio afirma também que é preocupante a decisão de não promover reajustes salariais, pois afeta diretamente a motivação dos servidores e pode acarretar perda de quadros qualificados. Segundo o diretor da entidade, paralelo a essa situação há as aposentadorias concedidas aos trabalhadores mais antigos, o que certamente ampliará o déficit de mão-de-obra.

A Condsef destaca que, conforme o próprio Ministério do Planejamento, foram admitidos apenas 157 mil servidores por concursos públicos durante os últimos oito anos, enquanto levantamentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que teriam sido necessários 300 mil. Portanto, diz a entidade, há uma carência de 143 mil só para recuperar a força de trabalho.

Em entrevista ao HP, Sérgio lembra que os cortes são negativos, “tanto para o serviço público quanto para os servidores” e que, apesar das entidades do funcionalismo terem buscado vários ministérios para dialogar, “a negociação ainda não avançou, por isso fizemos a primeira manifestação no dia 16 de fevereiro, em Brasília”.

De acordo com o dirigente da Condsef, há um eixo para a campanha que aglutinou as entidades representativas dos três níveis (executivo, legislativo e judiciário), que contempla as seguintes reivindicações: política salarial permanente, com reposição inflacionária, valorização do salário base e incorporação das gratificações; cumprimento por parte do governo dos acordos firmados e não cumpridos; paridade entre ativos, aposentados e pensionistas; contra qualquer reforma que retire direitos dos trabalhadores; regulamentação/institucionalização da negociação coletiva no setor público e direito de greve irrestrito; e a retirada dos projetos de lei, medidas provisórias e decretos contrários aos interesses dos servidores públicos.

Outra reivindicação, explicou Sérgio, é a mudança da data-base para 1º de Maio. “A nossa data-base atualmente é 1º de janeiro, mas ela nunca foi respeitada, porque no início do ano há as definições orçamentárias”, acrescentou.

Ao longo de todo o mês de março, haverá a intensificação do trabalho de força tarefa das entidades de servidores no Congresso Nacional.

Na terça-feira (1º), o secretário-geral da Condsef, Josemilton Costa, e Sérgio Ronaldo foram recebidos pelo deputado federal Roberto Policarpo (PT-DF), a quem solicitaram apoio à pauta de reivindicações dos servidores federais em defesa de investimentos e melhor qualidade nos serviços públicos. O parlamentar se comprometeu a reforçar o pedido de audiência em caráter emergencial com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. A Condsef também solicitou a intervenção de Policarpo para uma audiência com o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS).

A Confederação também convocou a mobilização dos servidores nos estados, solicitando o apoio dos deputados. “Todos devem permanecer atentos e mobilizados. A pressão e a força dos trabalhadores do setor público serão o diferencial na conquista de avanços fundamentais para o fortalecimento da administração pública”, acredita Josemilton, lembrando que já são 25 entidades nacionais que participam da Campanha Salarial Unificada dos servidores federais.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.horadopovo.com.br

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