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Por 11:59 Notícias

Lula era “o principal alvo” da Lava Jato, diz ex-Odebrecht sobre pressão para delatar ex-presidente

Em entrevista ao filme “Amigo Secreto”, da cineasta Maria Augusta Ramos, o ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar, que foi preso pela Lava Jato e forçado a fazer delação premiada, confirma que Lula (PT) era “o principal alvo” dos procuradores da força-tarefa, capitaneada por Deltan Dallagnol.

“Era uma pressão em cima da gente. E estava nítido que a questão era com o Lula”, diz Alencar, que foi preso por cinco dias em 2015, mas teve a prisão transformada de temporária em preventiva, sem data para que ele fosse solto, após ser acusado por Paulo Roberto Roberto Costa, engenheiro e ex-diretor da Petrobras, e o doleiro Alberto Youssef de ser o operador de propinas da empreiteira.

Segundo o ex-executivo, os procuradores insistiam para que ele falasse sobre “o irmão do Lula, o filho do Lula, não sei o que do Lula, as palestras do Lula” e quando o petista não era citado, voltava para a cela.

“Nós levávamos bola preta, ‘ah, você não falou o suficiente’. Vai e volta, vai e volta. ‘Senão, não aceitamos o teu acordo”, disse, na primeira entrevista em que um investigado fala abertamente sobre os métodos para incriminar Lula – que coincidem com as conversas divulgadas pela Vaza Jato.

Propina a Aécio

De acordo com Alencar, foram feitas denúncias de pagamento de propinas para inúmeros políticos, incluindo Aécio Neves (PSDB), mas o foco era apenas em Lula.

“Não vou dizer o nome do santo. Mas tem colega meu que foi preso em Curitiba, chegou lá, o pessoal [investigadores] começou a perguntar sobre caixa dois. Ele falou: ‘Isso aqui é para o Aécio Neves’. Na hora em que ele falou, eles se levantaram e soltaram ele. Isso é Lava Jato? Isso é um sistema anticorrupção? Ou é uma questão direcionada?”, conta.

O próprio Alencar diz que em sua delação detalhou “vários casos de caixa dois. Infinitos. Não aconteceu nada com ninguém. Aconteceu comigo. Com eles [políticos] não aconteceu nada”. 

O ex-executivo já cumpriu um ano em regime fechado, dois anos e meio em semiaberto e agora cumpre o restante em regime aberto. O documentário tem pré-estreia marcada para esta segunda (13), e entra em circuito nacional na quinta (16).

Fonte: Revista Fórum

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